Exposição “Zona de Escuta — Deslocamentos, ocupações, resistências e narrativas” permanece até 20/7 na Pinacoteca do IA/UFRGS. Entrada franca.



Evento: Exposição “Zona de Escuta — Deslocamentos, ocupações, resistências e narrativas”
Curadoria: professora Maria Ivone dos Santos
Abertura: 21 de junho, quinta, às 19h
Visitação: até 20 de julho, de segunda a sexta, das 10h às 18h
Local: Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da UFRGS (Rua Senhor dos Passos, 248, 2º andar — Centro Histórico, Porto Alegre)
Ingresso: entrada franca

Informações: equipe da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, telefone 3308-4302, e-mail iapin@ufrgs.br
Imagens: cedidas pelos artistas, exceto quando indicado

Na quinta, 21 de junho, às 19h, acontece no IA/UFRGS a abertura de “Zona de Escuta”, exposição-dispositivo que reúne artistas, arquitetos e urbanistas em torno de uma reflexão sobre deslocamentos, ocupações e remoções de comunidades em Porto Alegre e sobre seus processos de resistência. As cidades brasileiras experimentam momentos de muita contradições. Movidas pelo desejo do ordenamento, vivem como ruínas. Carregadas de tensões sociais, já que estão desatendidas de investimentos públicos, as cidades são marcadas por processos políticos lentos e descontinuados que têm como consequência a precarização dos modos de vida e subsistência dos menos favorecidos.

Na esteira de remodelações urbanas históricas — como a Ilhota nos anos 1970 — e sob a pressão ordenadora dos grandes eventos como a Copa de 2014, observa-se em Porto Alegre a desestruturação de famílias e de seus territórios já bastante precários, produzindo-se processos de periferização. Nessas remoções nascem focos de resistência e dramas que fazem surgir vozes e pautas muitas vezes desconsideradas pela narrativa oficial, às quais propomos uma escuta.

O deslocamento de comerciantes da área central da cidade vem motivando grandes transformações nas dinâmicas do centro de Porto Alegre, e as soluções encontradas pelo poder público têm se mostrado paliativas. À medida em que as condições de trabalho e a situação social se deterioram, renovam-se as tensões entre poder público e contingências sociais, marcadas por processos de criminalização e de repressão violentos do comércio informal.

Ocupações e assentamentos urbanos no Brasil trazem em seu núcleo dramas humanos maiores na medida em que envolvem o direito à cidade dos mais desfavorecidos, que ficam excluídos das políticas públicas. Comunidades ocupadas de adultos e de crianças sofrem cotidianamente preconceitos no âmbito escolar e nas relações de trabalho e vizinhança. A escuta a esses processos nos possibilita acessar outras dimensões do problema para além da criminalização aos quais já são submetidos, uma vez que surgem como laboratórios sociais, desenhando outras formas de construir comunidade.

Vídeo documentários, fotografias, mapas, publicações, narrativas e performances são desdobramentos de pesquisas realizadas dentro e fora da universidade e trazidas à essa Zona de Escuta, imagens críticas que sensibilizam o lugar de fala e se contrapõem à cultura do medo ao aportar outros regimes de visibilidade e de elaboração de questões urgentes sobre a construção de nosso espaço comum.

Artistas participantes da exposição “Zona de Escuta”: Claudia Zanatta, Daniela Cidade, Laryssa Machada, Luisa Horta, Marcelo Damasceno, Marina de Moraes, Maria Ivone dos Santos e Expedição catástrofe: por uma arqueologia da ignorância, uma proposição de Alexandre Campos, Carolina Fonseca, Filipe Britto, Glayson Arcanjo, Ícaro Lira, Laura Castro, Pablo Lobato, Pedro Britto, Renata Marquez e Yuri Firmeza.

Obra de Marcelo X e Luisa Horta

Obra de Cláudia Zanatta

Obra de Renata Marquez, foto de Pablo Lobato


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