{"id":577,"date":"2020-08-03T13:24:15","date_gmt":"2020-08-03T16:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/?p=577"},"modified":"2020-08-03T13:25:06","modified_gmt":"2020-08-03T16:25:06","slug":"qual-a-origem-dos-sedimentos-no-planalto-do-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/2020\/08\/03\/qual-a-origem-dos-sedimentos-no-planalto-do-rs\/","title":{"rendered":"Qual a origem dos sedimentos no Planalto do RS?"},"content":{"rendered":"<p>A eros\u00e3o do solo \u00e9 uma das principais amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a alimentar de acordo com a FAO. Este processo degrada os solos e tamb\u00e9m o ambiente, uma vez que os sedimentos e nutrientes removidos do solo, s\u00e3o carreados por meio do escoamento da \u00e1gua aos recursos h\u00eddricos. Mitigar os processos erosivos por meio da conserva\u00e7\u00e3o do solo resulta em ganhos tanto ao agricultor, com o aumento do potencial produtivo do solo, como tamb\u00e9m para sociedade, que faz uso da \u00e1gua do rio para gera\u00e7\u00e3o de energia, irriga\u00e7\u00e3o, pesca, abastecimento urbano, entre outros servi\u00e7os sociais oferecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora o sistema plantio direto tenha reduzido consideravelmente a eros\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas convencionais da d\u00e9cada de 80 e 90, a aus\u00eancia de pr\u00e1ticas conservacionistas complementares permite que os processos erosivos ainda ocorram. De acordo com os resultados do nosso estudo recentemente publicado, na bacia do Rio Concei\u00e7\u00e3o, que compreende os munic\u00edpios de Iju\u00ed, Cruz Alta, Boa Vista do Cadeado e Augusto Pestana no norte do RS, lavouras e pastagens s\u00e3o as principais fontes de sedimento para o rio, evidenciando que ainda h\u00e1 problemas de eros\u00e3o nas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-579 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sedimentos-fontes-lavoura.jpg\" alt=\"eros\u00e3o do solo - fontes - pastagens - lavouras\" width=\"610\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sedimentos-fontes-lavoura.jpg 610w, https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sedimentos-fontes-lavoura-300x147.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por meio de uma t\u00e9cnica internacionalmente conhecida como \u201csediment fingerprinting\u201d, calculamos qual a contribui\u00e7\u00e3o de diferentes usos de solo para os sedimentos que chegam no rio, utilizando como tra\u00e7adores propriedades relacionadas \u00e0 composi\u00e7\u00e3o geoqu\u00edmica, f\u00edsica e mineral\u00f3gica das amostras de solo e sedimentos. O uso de m\u00faltiplas vari\u00e1veis tra\u00e7adoras pode reduzir as incertezas e aumentar a discrimina\u00e7\u00e3o entre as fontes. Para isso, buscamos combinar tra\u00e7adores comumente utilizados em outros trabalhos que s\u00e3o os elementos geoqu\u00edmicos (GEO), associados \u00e0 tra\u00e7adores alternativos como magnetismo (Mag) e vari\u00e1veis derivadas da espectroscopia de reflet\u00e2ncia difusa com comprimentos de onda na faixa do ultra-violeta e vis\u00edvel (UV-VIS), tendo em vista a dificuldade da discrimina\u00e7\u00e3o das fontes em uma bacia com solos homog\u00eaneos e altamente intemperizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A bacia hidrogr\u00e1fica investigada (Rio Concei\u00e7\u00e3o \u2013 80.400 ha, afluente do Rio Iju\u00ed), localizada na regi\u00e3o noroeste do Rio Grande do Sul, \u00e9 caracterizada por solos profundos e altamente intemperizados (Latossolos Vermelhos e Nitossolos). Os principais usos do solo encontrados na \u00e1rea s\u00e3o lavouras para produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os (89%), pastagens (5%) e floresta (5%). Um total de 187 amostras foram coletadas para caracterizar as cinco principais fontes de sedimentos observadas na bacia, incluindo lavouras, pastagens, estradas n\u00e3o pavimentadas, vo\u00e7orocas e margens de riachos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-584 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/bacia-hidrogr\u00e1fica-rio-grande-do-sul-rio-conceicao.jpg\" alt=\"bacia hidrogr\u00e1fica do rio concei\u00e7\u00e3o - Rio Grande do Sul\" width=\"589\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/bacia-hidrogr\u00e1fica-rio-grande-do-sul-rio-conceicao.jpg 589w, https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/bacia-hidrogr\u00e1fica-rio-grande-do-sul-rio-conceicao-300x212.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os resultados de cinco modelos utilizando diferentes conjuntos de propriedades tra\u00e7adoras, indicam que as contribui\u00e7\u00f5es das principais fontes de sedimento foram: 15-33% das lavouras; 20-40% das pastagens; 1-15% das estradas; 17-32% dos canais de drenagem (margem dos rios e riachos) e 7\u201320% das vo\u00e7orocas. O resultado do modelo que inclui o conjunto de tra\u00e7adores que melhor discrimina as fontes (Geo+Mag+UV-VIS) mostra que as <strong>lavouras e pastagens s\u00e3o a principal fonte de sedimentos em suspens\u00e3o<\/strong>, enquanto que as margens dos rios s\u00e3o a principal fonte para os sedimentos depositados no leito do rio (Figura abaixo). De acordo com os resultados do modelo, a baixa discrimina\u00e7\u00e3o entre as fontes potenciais de sedimentos ilustra as dificuldades para discriminar fontes baseadas no uso do solo, com mais de tr\u00eas fontes potenciais, em bacias hidrogr\u00e1ficas homog\u00eaneas com solos altamente intemperizadas como Latososolos e Nitossolos sob condi\u00e7\u00f5es tropicais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para conter a eros\u00e3o nessa regi\u00e3o, \u00e9 preciso implementar pr\u00e1ticas conservacionistas complementares ao plantio direto, tais como rota\u00e7\u00e3o de culturas, m\u00ednimo revolvimento do solo, terraceamento, cultivo em n\u00edvel, manuten\u00e7\u00e3o do solo coberto, entre outros, pois apenas a semeadura direta sobre solos muito argilosos e compactados, ainda resulta em excesso de escoamento superficial e eros\u00e3o, que resulta em grande contribui\u00e7\u00e3o de sedimentos para os rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-586 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sedimentos-suspencao-fundo-do-rio-lavouras-pastagens-mag-geo-UV.jpg\" alt=\"Fonte de sedimentos em suspens\u00e3o e no leito do rio\" width=\"725\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sedimentos-suspencao-fundo-do-rio-lavouras-pastagens-mag-geo-UV.jpg 725w, https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sedimentos-suspencao-fundo-do-rio-lavouras-pastagens-mag-geo-UV-300x167.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 725px) 100vw, 725px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Veja mais detalhes sobre os resultados deste estudo no artigo recentemente publicado a revista Catena. Acesso pelo link:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/authors.elsevier.com\/a\/1bT~N1Dk5AOy2J%20\"><strong>https:\/\/authors.elsevier.com\/a\/1bT~N1Dk5AOy2J<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A eros\u00e3o do solo \u00e9 uma das principais amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a alimentar de acordo com a FAO. Este processo degrada os solos e tamb\u00e9m o ambiente, uma vez que os sedimentos e nutrientes removidos do solo, s\u00e3o carreados por meio do escoamento da \u00e1gua aos recursos h\u00eddricos. Mitigar os processos erosivos por meio da conserva\u00e7\u00e3o &#8230; <a title=\"Qual a origem dos sedimentos no Planalto do RS?\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/2020\/08\/03\/qual-a-origem-dos-sedimentos-no-planalto-do-rs\/\">Ler mais<span class=\"screen-reader-text\">Qual a origem dos sedimentos no Planalto do RS?<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[15],"tags":[23,9,24,14,25,5],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=577"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":592,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/577\/revisions\/592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/irgeb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}