Infraestrutura e fiscalização

Mesmo após o início da operação dos novos ônibus na capital, alguns problemas antigos seguem acompanhando os passageiros. A tabela horária, a ausência de ar-condicionado em dois terços da frota e a lotação dos veículos aparecem entre as principais reclamações dos usuários.

A principal expectativa da população após a licitação do sistema de transporte coletivo de Porto Alegre era que os novos ônibus tivessem ar-condicionado. No entanto, nem toda a frota renovada é climatizada: apenas 210 dos 296 novos veículos possuem equipamento de resfriamento, ao contrário do que a prefeitura da capital anunciou inicialmente.

Não demorou para que o encanto da novidade desse lugar ao choque de realidade, e o clima nas paradas passou a ser de insatisfação. “A verdade é que não mudou quase nada, só ficou mais caro”, afirma a empregada doméstica Joana Franco, de 46 anos.

“Continua lotado nos horários de pico, quente pra caramba e sem cumprir os horários da linha. Tirando a cor e o preço, está tudo igual”, avalia o estudante de direito Nicolas Gomes, de 25 anos.

Apesar da frustração de parte da população, a Prefeitura de Porto Alegre e a Associação de Transportadores de Passageiros (ATP) sustentam que as exigências da licitação para o início da operação foram cumpridas. O edital determina que todos os lotes deveriam ter ao menos 25% do número total de ônibus equipados com ar-condicionado a partir de fevereiro. Conforme dados da EPTC, a presença do resfriamento nos veículos varia entre 25% e 30% em cada um dos seis lotes privados, dentro da previsão legal.

O edital de licitação prevê que os consórcios terão que instalar o ar-condicionado em 75% dos ônibus em cada lote até 2021. A implantação completa do sistema de resfriamento terá um prazo de 10 anos para ser finalizada pelas empresas, terminando em 2026. Atualmente, cerca de um terço dos veículos possui climatização.

Mesmo com o percentual mínimo atingido em todos os lotes, usuários do transporte coletivo da capital reclamam que algumas linhas não têm qualquer ônibus equipado com ar-condicionado. É o caso da linha Caldre Fião-255, que faz ligação entre o centro histórico e a zona leste de Porto Alegre.

Em resposta, a EPTC afirma que o edital de licitação exige apenas que cada lote tenha 25% de ônibus com ar-condicionado, e não cada linha. O diretor-presidente da empresa pública Vanderlei Cappellari reitera que o órgão está fiscalizando as condições da operação de sistema de ônibus da capital.

Outra reclamação dos passageiros está relacionada aos atrasos nas tabelas horárias dos ônibus de Porto Alegre. Diante do problema, a Empresa Pública de Transporte e Circulação promete implantar até o final de 2016 um controle das viagens de toda a frota por meio de GPS. Atualmente, o acompanhamento das rotas ainda é feito por um sistema composto por 52 antenas distribuídas pela cidade. Mesmo assim, a EPTC atribui os atrasos a possíveis acidentes de trânsito e aponta a criação dos corredores de ônibus como medida tomada pela Prefeitura para reduzir o tempo de espera da população.

Cappellari encoraja os passageiros a reclamar dos atrasos para o órgão público e lembra que as empresas estão sujeitas a multas caso descumpram a tabela horária sem motivação.

A redução da lotação de pessoas no interior dos ônibus também está entre as exigências que devem ser cumpridas pelas empresas. As transportadoras terão que diminuir a capacidade de seis para quatro passageiros por m² até fevereiro de 2019, quando se completam três anos do início da operação pela licitação. Para atingir o objetivo, os consórcios deverão adicionar mais ônibus ao sistema. Além disso, o tamanho dos veículos utilizados pelas empresas será ampliado para diminuir a concentração de pessoas nos ônibus.

Entenda, a seguir, como funciona o planejamento urbano na questão do transporte coletivo em Porto Alegre.