Com a palavra, a especialista Ida Bianchi

Para a arquiteta urbanista Ida Bianchi, professora de pós-graduação na Faculdade Dom Bosco, a primeira licitação de ônibus representa um avanço para a prestação do serviço em Porto Alegre. A mestre em planejamento urbano e regional destaca que os novos contratos fazem uma série de exigências para as empresas transportadoras de passageiros.

 

Ela afirma que o preço elevado da passagem está tornando o sistema de transporte coletivo cada vez menos acessível. A especialista avalia que o poder público deveria subsidiar a passagem de ônibus para manter o setor como uma alternativa viável.

 

Segundo a professora, a qualidade do sistema de transporte coletivo deve ser pensada de forma independente do preço cobrado pelo serviço. A arquiteta urbanista ressalta o papel do poder público como fiscalizador e regulador na área.

 

Planejamento urbano e transporte coletivo

A discussão sobre o valor da passagem de ônibus abrange questões que vão além dos custos de operação e da inflação anual. Especialistas apontam o planejamento urbano e as políticas de subsídios como alternativas para reduzir os gastos das empresas e incentivar a utilização do transporte coletivo.

A arquiteta urbanista Ida Bianchi afirma que o preço elevado da passagem está tornando o sistema de transporte coletivo cada vez menos acessível. Para a especialista, o poder público deveria subsidiar a passagem de ônibus para manter o setor como uma alternativa viável.

Para a arquiteta e urbanista Ida Bianchi, não existe uma política definida para o pagamento de subsídios do poder público no sistema de ônibus. Ela afirma que a situação gera “injustiças” e lembra que a Trensurb tem cerca de 70% de incentivo por parte do governo federal, beneficiando a população do eixo Porto Alegre-Novo Hamburgo que precisa se locomover na região metropolitana. Já os moradores de Cachoeirinha e Gravataí, por exemplo, não contam com o mesmo auxílio, tendo que pagar o valor da passagem sem subsídios de ônibus para ir de um município ao outro.

Outro problema apontado pela professora Ida Bianchi é a falta de planejamento urbano. A arquiteta critica a política de habitação social de grandes cidades, como Porto Alegre, e afirma que a construção de condomínios cada vez mais localizados na periferia acaba elevando o valor da tarifa ao passageiro. Com isso, a população que mora mais ao centro tende a utilizar o veículo próprio. O resultado é o aumento da rodagem dos ônibus sem o aumento correspondente do número de usuários.

A Associação de Transportadores de Passageiros também afirma que está ocorrendo uma redução no número de passageiros em Porto Alegre. Conforme a ATP, entre março e abril de 2016, cerca de 17 milhões de usuários utilizaram ônibus na capital. No entanto, apenas dois terços pagam o valor total da passagem, já que idosos têm isenção e estudantes pagam a metade da tarifa. Com isso, a receita no período foi de RS 63.750.000,00.
O gerente técnico da ATP Gustavo Simionovschi critica as isenções e ressalta que a margem de lucro das empresas é praticamente o mesmo do período anterior ao processo de licitação.

Para Bianchi, a qualidade do sistema de transporte coletivo deve ser separada do preço cobrado pelo serviço. A arquiteta ressalta o papel do poder público como fiscalizador e regulador na área.

Sabe como está sua linha? Deseja fazer uma reclamação? Veja onde você pode exigir seus direitos e colaborar para a melhoria do serviço de transporte público.

E, se você estiver ainda longe de seu destino final, leia a crônica “T1”