4. Educação

O ambiente escolar e acadêmico nem sempre é acolhedor. Muitas vezes, esses locais evidenciam a desigualdade e o preconceito existente na sociedade. O estudante de Psicologia Vincent Goulart, 25 anos, sentiu na pele essas questões. “Quando eu fui para a universidade federal, foi cada vez mais notada minha diferença em comparação com as outras pessoas. Não só por ser trans, mas por questões sociais mesmo. Eu era a única pessoa trans no curso de Psicologia da UFRGS. Ninguém sabia de nada, o que era isso. Tu vê que não pertence à Academia porque ela o tempo todo te coloca para fora”.

“Eu era a única pessoa trans no curso de Psicologia da UFRGS. Ninguém sabia de nada, o que era isso. Tu vê que não pertence à academia porque ela o tempo todo te coloca para fora.”

 

O direito à educação de qualidade desde a infância está entre os Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas). Mas, na prática, isso não ocorre. Muitas pessoas trans, não conseguem se quer chegar ao Ensino Médio. Foi o caso da ativista Joyce. Ela estudou até o Ensino Fundamental – quando abandonou o ambiente escolar por conta de casos de intolerância. “É complicada essa questão das escolas. A maioria da população das meninas (trans) sofre preconceito, bullying. Elas acabam desistindo dos estudos, né. E depois não têm acesso ao mercado de trabalho”, afirma.

Casos de LGBTfobia nas instituições de ensino são recorrentes, mesmo com leis que garantam o direito de todos a terem acesso e respeito dentro das instituições. O Parecer 739/2009, por exemplo, aconselha escolas do Sistema Estadual de Ensino do Rio Grande do Sul a adotarem o nome social do aluno.

Escola pode se tornar um ambiente tóxico, principalmente para estudantes trans. (Foto: Pixabay)

Milo afirma se sentir “sortudo” por não ter sofrido preconceito dentro da universidade – o que demonstra como a desigualdade de gênero é grande na sociedade. “No geral, eu ando tendo muito sorte realmente com a faculdade, porque dificilmente me tratam mal.”

Para poderem ser tratados como gostariam, estudantes trans afirmam que precisam seguir estereótipos. “No começo da minha transição hormonal, como eu queria muito que as pessoas me vissem como homem, eu passei a me vestir de forma muito estereotipada masculina. Existe muito esse questionamento de ‘ah, tu tem que se portar da forma que tu te identifica’, e nossa, isso é tão besteira”, explica Milo.

A falta de oportunidades e o preconceito é que o fazem as pessoas trans desistirem de estudar. O grande problema é que essa situação reflete diretamente no mercado de trabalho. “Eu tentei várias coisas, eu distribuí 300 currículos pela cidade. E ninguém me deu retorno. Tem lugares que eu já fui chamado de ‘louco’ só por ser quem eu sou”, explica Julianne.

Tem lugares que eu já fui chamado de ‘louco’ só por ser quem eu sou”