Pós-graduandos participam de encontro de embaixadores da UE na UFRGS

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Internacional | Evento promoveu a integração entre diplomatas da União Europeia e a comunidade gaúcha
Foto: Gustavo Diehl (Secom)

O Encontro anual de embaixadores da União Europeia (UE) reuniu os representantes dos países europeus para discutirem com a comunidade gaúcha temas relacionados à integração entre o Mercosul e a UE, como a cooperação científica e a colaboração entre espaços educativos dos dois blocos. Realizada na sexta-feira, dia 06, no Centro Cultural, a reunião era aberta ao público.

No fim do evento, alunos vinculados ao PPG em Estudos Estratégicos Internacionais puderam fazer perguntas aos embaixadores sobre o tratado UE/Mercosul, com foco em temas relacionados aos seus estudos e, ao final, os pesquisadores puderam conversar com os diplomatas.

A iniciativa de integrar os estudantes ao evento veio dos embaixadores. Leonardo Braga, um dos pós-graduandos que participou da mesa de perguntas e respostas, destaca que a UE tem essa cultura, através do parlamento, de receber pesquisadores que vão explicar seu ponto de vista, de forma a embasar muitas respostas que vão ser dadas na mesa de negociações.

Segundo o Secretário de Relações Internacionais da UFRGS, Nicolas Maillard, o contato entre os embaixadores e a comunidade acadêmica é fundamental para a diplomacia. Ele afirma que “dentro de sua função, eles precisam entender como reage a população brasileira às ações dos países que representam”. Nesse sentido, Nicolas conta que a população jovem é especialmente importante, uma vez que representa o futuro do país.

“Eles querem um contato direto, um canal direto com os jovens, e para isso nada melhor do que a Universidade.”

Nicolas Maillard
Percepção dos pesquisadores

Guilherme Thudium, doutorando em Segurança Internacional, ressalta que expor seus temas de pesquisa aos responsáveis por tomar decisões políticas é importante, inclusive para levar as pesquisas a um resultado prático.

Para Bruna Rohr Reisdoerfer, também doutoranda em Segurança Internacional, o contato com uma postura oficial da UE é uma oportunidade única para trocas. “É interessante para a gente poder enxergar, além da empiria ou dos nossos objetos de pesquisa, também a fala oficial do bloco, como que se dá essa diferença entre elas e como a gente relaciona essa empiria com o discurso oficial”, relata.

Os pesquisadores destacam, ainda, que a experiência ajuda a confirmar na prática os posicionamentos observados em seus estudos sobre os países e sobre o bloco. “Às vezes reforçar o que a gente já sabe é tão importante quanto descobrir algo novo”, ressalta Guilherme.

Leonardo Braga, que pesquisa a crise migratória no continente europeu, perguntou sobre as estratégias para incluir a perspectiva migratória no acordo. As respostas, na sua avaliação, apenas tangenciaram a questão. “A resposta mais próxima do que eu esperava mostrou o posicionamento tradicional: a questão migratória não vai ser discutida tão cedo nos blocos econômicos; não é uma pauta prioritária.”

Sobre o acordo entre UE e Mercosul, Guilherme destaca o significado do “reforço da via multilateral em um momento de ascensão do nacionalismo e do isolacionismo, que é uma resposta à nova conjuntura de comércio internacional”. Na percepção de Bruna, a insistência dos embaixadores em usar o termo “bilateralismo”, entretanto, enfatiza “a visão oficial da UE de que os dois blocos são igualmente coesos, o que, com relação ao Mercosul, não é o caso”.

Além da troca econômica e do vínculo político, os pesquisadores indicam que há uma intenção de a UE exportar também seus valores, em especial a experiência de integração entre os países. Uma vez que a América do Sul ainda apresenta um processo de integração incipiente, Guilherme ressalta:

“Isso pode ser positivo, não para replicar, mas para utilizar a expertise que eles têm no processo de integração e adaptar à nossa realidade”.

Guilherme Thudium

Para Nicolas, o evento possibilitou que a comunidade acadêmica e o público externo compreendessem melhor a perspectiva da UE sobre o Mercosul. Para ele, a integração com alunos tem o papel fundamental de mostrar a eles as oportunidades que a Universidade oferece: “Isso é bom em particular para os jovens das áreas de Relações Internacionais”. Ele ressalta que, além dos aspectos econômicos, os embaixadores mostraram a intenção de reforçar parcerias acadêmicas, como ações conjuntas e mobilidade. 


Júlia Provenzi

Estudante de Jornalismo da UFRGS