Ana Gabriela Ferreira: convivência com as pessoas

Câmpus Centro | Vinculada à UFRGS há mais de 20 anos, servidora da Biblioteca Setorial da Educação vivenciou as transformações da Universidade nesse período e destaca a saudade de transitar pelos espaços e encontrar pessoas

*Foto: Ana Gabriela Clipes Ferreira a partir de sugestão de Flávio Dutra

Aluna de diferentes níveis – ensino técnico, graduação, mestrado, doutorado –, bolsista, servidora técnico-administrativa. Ao longo de 21 anos de trajetória na UFRGS, a bibliotecária Ana Gabriela Clipes Ferreira experimentou diversos papéis, atribuições, alegrias e dificuldades, além de testemunhar altos e baixos da instituição.

Hoje servidora da Biblioteca Setorial da Educação, Ana Gabriela entrou na Universidade no ano 2000. Depois de tentar ingressar pelo Vestibular, sem sucesso, no curso de Nutrição, acabou iniciando o curso técnico em Secretariado na Escola Técnica (atual Instituto Federal do RS), então vinculada à UFRGS. “Naquele momento, eu comecei a convivência no câmpus, pude ver o que eu queria e, principalmente, o que eu não queria”, brinca. Finalizado o curso técnico, em 2003 iniciou a graduação em Biblioteconomia na Fabico, que define como um período gratificante, mesmo com as dificuldades.

No decorrer do curso, foi se apaixonando pela prática e pela profissão – principalmente pela área de periódicos científicos, sua paixão até hoje. Durante a graduação, Ana Gabriela foi bolsista na revista da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac), localizada na Escola de Engenharia, atividade que rendeu um convite para trabalhar como bibliotecária celetista da revista logo após a formatura.

Em 2008, um novo ciclo começa: ela presta concurso para bibliotecária-documentalista e ingressa na UFRGS como servidora técnico-administrativa. Quase simultaneamente ao ingresso como servidora, em 2009 inicia o mestrado na Fabico.

“Como servidora, comecei na biblioteca do Colégio de Aplicação, mas fiquei pouco tempo lá. Não desmerecendo, mas o meu sonho era trabalhar em biblioteca universitária, e fui parar logo na única biblioteca escolar da Universidade!”, ri. Conseguiu, por fim, transferência para a Biblioteca Setorial da Educação, no Câmpus Centro, onde trabalha até hoje. “Eu não sinto vontade de mudar de local, sou muito feliz e realizada. Cada dia é diferente do outro, não tem tédio trabalhando lá”, conta.

A paixão e a experiência com a área de periódicos científicos levaram Ana Gabriela a ser convidada, em 2009, a integrar a Comissão Assessora de Edição de Periódicos, que passou a coordenar a partir de 2012. Sempre conciliando as atividades de servidora e de estudante, em 2014 iniciou o doutorado, desta vez no PPG em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde.

“O meu trabalho na Universidade é muito gratificante. Vai muito além da biblioteca, inclui revistas científicas, o contato com alunos e estagiários docentes”, destaca. “É maravilhoso poder devolver à Universidade meu conhecimento e o meu estudo. É uma forma de agradecimento.”

“Consigo ver todas as contribuições da Universidade para mim e as minhas contribuições para a Universidade”

Ana Gabriela Clipes Ferreira

A pandemia de covid-19 levou a bibliotecária e reaprender suas práticas e aprender a conciliar a rotina doméstica com o trabalho. Ela avalia que todo o investimento feito ao longo dos anos em recursos eletrônicos ajudou as bibliotecas no trabalho remoto. “Eu não sou limitada à biblioteca, hoje temos muitos recursos, informações eletrônicas que são muito importantes”, diz. Dentre as atividades que tem exercido, destaca a criação e a divulgação de novos produtos, a elaboração de conteúdo e o atendimento ao público. “Um e-mail [solicitando atendimento] é tão importante quanto atender presencialmente ou por telefone, ele precisa ser resolvido o quanto antes”, acrescenta. Ela afirma ter se adaptado bem ao trabalho remoto, mas destaca a importância da disciplina “tanto para não acumular trabalho quanto para não trabalhar demais”.

Ao longo desses 21 anos na Universidade – mudando de atividades, de papéis e de setores – Ana Gabriela acompanhou muitas transformações na instituição. “Eu vi a Universidade subir e depois descer. Quando entrei na Escola Técnica, era tudo muito precário e aos poucos foi melhorando. Quando entrei como servidora, estávamos crescendo, havia investimentos, existia o Reuni, foram implantadas mais políticas de permanência. Agora há um declínio novamente”, lamenta.

Ana Gabriela não esconde o sorriso quando conta qual a sua maior saudade da UFRGS: o que ela chama de “convivência extracurricular”. “Os colegas, os eventos, as capacitações, caminhar pelo câmpus, até as festas”, enumera. “Porque a gente faz ensino, pesquisa e extensão, mas também se diverte”, conclui.


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo:

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