Busca por inovar | Edição 222

Vivemos o mais desafiador dos tempos. Não foi à toa que o filósofo Tzvetan Todorov, aqui na UFRGS, em 2012, disse à comunidade acadêmica: “Habitantes do século XXI, somos confrontados a dificuldades que a humanidade não teve que resolver no passado, somos levados a caminhar fora das trilhas já demarcadas. Não surpreende que, com frequência, venhamos a errar; nossa busca é legítima”. Mal começamos a assimilar o reinado do “pós” e a resposta mais contundente a ele veio numa única palavra que envolve uma rede de concepções e de contextos: inovação. Não há como, neste final do segundo decênio, pensarmos a sociedade, a economia, a política, a instituição, o estar na vida, enfim, sem inovação. Gosto muito da dimensão que lhe dá Jean Queyranne, quando caracteriza a inovação como um continuum.

Aplicando essa ideia à Universidade, esse continuum começa com a formação do estudante até levá-lo ao mercado de trabalho, abarcando a pesquisa, a criatividade, a interação com a sociedade e a renovação/recriação de valores éticos (ou não teria sentido!). A inovação tem de trabalhar pelos valores humanos, não apenas pelo mercado, até porque, se assim fosse, passaria ao largo da missão e dos objetivos da Universidade.

Nesse sentido, a inovação pode ser percebida como uma espécie de capacidade coletiva que nos diferencia e que nos leva a nos reinventar. Os ingleses falam, com muita propriedade, em inovação social, uma inovação não puramente tecnológica, mas com o envolvimento das ciências humanas e sociais. É no que acreditamos. E é como nós fizemos a melhor universidade federal do Brasil pelo sétimo ano consecutivo.

Se inovação exige conhecimento, técnica, visão de presente e de futuro, exige condições de contexto e produção, e a UFRGS, através das Unidades, dos órgãos, dos professores pesquisadores, técnicos e discentes tem trabalhado fortemente nesse sentido. Exemplos seriam muitos, desde o Parque Zenit às startups, às empresas juniores, aos laboratórios de ponta, etc. Neste outono, dois ambientes de inovação, a TUAUFRGS e as Salas de Aula Invertidas, foram inauguradas.

TUAUFRGS surge, baseada na transparência, universalidade e agilidade, para oferecer aos alunos da graduação e da pós-graduação o acesso rápido aos serviços, sobretudo àqueles relacionados à vida acadêmica. Trata-se de uma estrutura de atendimento multicanal: os alunos podem acessar os serviços por meio de um catálogo online, em uma plataforma própria, didática e intuitiva, e de redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e Whatsapp). Também estão à disposição dos discentes uma linha de atendimento telefônico e três unidades presenciais nos Câmpus Centro, Vale e Litoral Norte. O projeto teve a participação dos alunos desde a sua concepção até a entrega da Central. O espírito é deles, a linguagem é deles, a cara é deles.

As duas Salas de Aula Invertidas (flipped classroom), projeto que a UFRGS coloca à disposição da comunidade, trazem consigo a proposta de uma nova didática, em que o aluno é o protagonista e aprende de forma mais autônoma com o apoio de tecnologias, em conformidade com Paulo Freire, que afirmou em 1996, sobre a educação: é preciso “mudá-la completamente até que nasça dela um novo ser tão atual quanto a tecnologia”.

A verdade é que trazemos conosco, repletos de orgulho, nosso passado de 85 anos, e construímo-nos, no presente, como uma UFRGS plural e inovadora, com a responsabilidade do entendimento de que, se queremos uma sociedade mais justa, igualitária e sustentável, ela passa por nós. Nossa busca é legítima.

Jane Fraga Tutikian

Vice-reitora e Pró-reitora acadêmica