O ensino superior tem sido posto à prova por alguns segmentos no debate público – sobretudo na atuação de supostos intelectuais das redes sociais: acusam as universidades de degenerarem jovens. Para além do marco legal que garante autonomia universitária e liberdade de cátedra, é fundamental olhar para o impacto amplo que ensino, pesquisa e extensão têm na sociedade brasileira. O JU – entendendo seu papel institucional e seu lugar no serviço público – direciona seu olhar para a compreensão da UFRGS como agente social e pretende, assim, contribuir para o debate público a partir da oferta de um ponto de vista dissonante.

Nesse sentido – e também considerando que esta é a edição de abertura do ano letivo e, por isso, a primeira lida por muitos dos calouros –, buscamos trazer um elemento adicional sobre o papel das universidades como serviço público numa dimensão que, de tão ampla e intrincada, pode se tornar de difícil compreensão. Para angular o conjunto de reportagens que tratam de temáticas inseridas nesse mote, uma contextualização da atual conjuntura do mercado laboral no Brasil: mesmo que o acesso à tecnologia seja facilitado por celulares e outros aparatos domésticos, ainda há uma massa de trabalhadores com pouca qualificação nessa área; há, pois, um problema de empregabilidade.

Para entender a posição da UFRGS como espaço de iniciação ao trabalho, apresentamos serviços-escola do Instituto de Psicologia: consistem em espaço pedagógico no qual estudantes e profissionais se qualificam e adquirem experiência reflexiva; ao mesmo tempo, oferecem um serviço às comunidades interna e externa que complementa a atuação do SUS. De modo a ampliar esse debate, outra reportagem trata de um dilema que está presente na própria concepção da universidade e que interfere na decisão dos jovens que a cada ano participam de processos seletivos: o ideal de uma formação mais ampla em contraposição à premência de uma formação profissional como garantia de trabalho. Ainda, três trabalhadores da Universidade contam como se constituem como indivíduos não somente a partir de suas escolhas profissionais, mas também de suas paixões mais pessoais.

Complementam a edição duas reflexões que integraram o conjunto de painéis realizado no final do ano passado no Centro Cultural da UFRGS. Abordam o liberalismo conservador que impera historicamente no Brasil e que agora, mais uma vez, chega ao poder – adaptado ao contemporâneo – e os desafios para se gerenciar os processos de pesquisa em uma era em que avanços tecnológicos possibilitam novos modos de armazenamento, tratamento, troca e uso de dados. Uma matéria sobre o vazamento de imagens íntimas põe em debate uma questão cada vez mais presente nas dinâmicas de relacionamentos amorosos e sexuais.

Para fechar a edição, um ensaio comemorativo aos 85 anos da Universidade no qual a atuação dos estudantes em diferentes épocas nos mostra um pouco da memória institucional. Essa série, feita em parceria com o Museu da UFRGS, terá continuidade neste ano no instagram do JU:
@jornaldaufrgs.

Ainda, para nos inserirmos nessas comemorações, lançamos uma versão experimental do JU em ambiente digital. Buscamos, assim, amplificar nosso alcance com a publicação do conteúdo da edição impressa e também com matérias exclusivas para o site.

Boa leitura e nos acompanhem em ufrgs.br/jornal!