Carta aos leitores | 26.05.22 | Especial Semana da África

Entre as mudanças mais profundas na educação brasileira dos últimos tempos está um processo instalado por uma legislação vigente desde 2003: a inclusão, no ensino básico, de estudos sobre a África, a diáspora, a negritude e a sua relação com o Brasil. Consiste, pois, em uma ruptura com a lógica eurocêntrica sobre a qual nossa cultura — e consequentemente a escola — tem estado assentada. A UFRGS entra nesse movimento de muitas formas, sendo a mais emblemática delas a Semana da África. O evento chega, neste ano, a sua décima edição e por isso trazemos uma matéria que recupera esse percurso. Ainda, uma reportagem apresenta a primeira disciplina que trata de questões ligadas ao continente africano e seus povos a se tornar obrigatória num currículo de graduação na Universidade.

Na seção de artigos, autoras e autores africanos apresentam e discutem temas relevantes de seus lugares natais: questões sanitárias em Moçambique; adoecimento mental relacionado ao trabalho de docentes moçambicanos; a incidência de câncer na África subsaariana; e o sistema educacional do Togo. No Perfil, a história de uma pesquisadora nigeriana que está no Brasil para realizar seu doutoramento em Biologia Molecular. Completam a edição, na divulgação científica, uma pesquisa na área de Letras que trata de personagens femininas em obras de Paulina Chiziane, escritora moçambicana, e, por fim, os destaques da programação cultural da Semana da África.

Para ilustrar esta edição especial, imagens produzidas por Vic Macedo, que abordam a insubmissão e a resistência dos escravizados traficados para o Brasil. Que o mar vermelho de sangue que ela nos faz encarar por meio de potentes fotografias sirva para termos viva a memória desse tempo tão triste da nossa história. Oxalá sigamos nesse movimento que, se tudo der certo, nos levará a ser o país plural e justo que imaginamos, livre de toda e qualquer forma de racismo ou discriminação xenofóbica. Como cantou Dona Conceição no Som no Salão em sua Saudação a Exu: “Luta é movimento de viver/ Luta é movimento pra viver”.

Boa leitura!


“As manifestações expressas neste veículo não representam obrigatoriamente o posicionamento da UFRGS como um todo.”