Carta aos leitores | Edição 228

*Publicado na Edição 228 do JU

Para a UFRGS, novembro é sempre um mês emblemático pela comemoração e pela reflexão que promove. Na ocasião de seu aniversário, é inevitável – e, sem dúvida, desejável – fazer um balanço de quais têm sido os feitos da instituição. Mais relevante ainda se torna esse movimento quando de uma data como os 85 anos comemorados agora e num momento de contestação do papel das instituições federais de ensino superior pelo governo e mesmo pela opinião pública.

Num cenário como o deste 2019, que nos colocou em alerta tantas vezes por conta de ameaças de estrangulamento orçamentário, entendemos que seria relevante mapear algumas das principais iniciativas científicas surgidas na UFRGS que tiveram impacto social profundo e significativo. Assim, estaria implícita tanto no processo de reportagem quanto no que dela resultasse como material jornalístico uma questão de fundo: qual, afinal, é o papel de uma universidade pública no Brasil? Muito perceptíveis são os papeis do ensino – e este, sem dúvida é fundante e fundamental do sistema universitário no país – e da extensão – muitas vezes percebida de modo restritivo como oferta de serviços, mas ainda assim mais fácil de se aferir.

Mas e a produção de conhecimento? De onde viria o conhecimento para que os ideais de ensino e de relação com a comunidade se concretizassem?
E mais: de onde poderia vir o desenvolvimento social, cultural e econômico do Brasil se não da pesquisa desenvolvida em suas universidades públicas? Aveia, teste do pezinho, buracos negros e outros elementos mais ou menos presentes na nossa vida cotidiana atestam que a incidência do que se produz dentro da UFRGS vai transformar nossos modos de existir neste mundo. A posição da Universidade em diversos rankings de desempenho é uma posição de referência que se objetiva em projetos e resultados que nesta edição apresentamos em forma de linha do tempo.

Para complementar essa autoanálise, o professor Hélgio Trindade, cientista político e ex-reitor da UFRGS, faz uma recapitulação da história da instituição e de como as mudanças foram se dando diante dos contextos históricos. A partir disso, ele aponta o que seriam nossos desafios – como UFRGS que todos somos – para 2034, ano do centenário que já nem parece estar tão distante. O depoimento de Alfredo Gui Ferreira, na seção Perfil, nos oferece um outro lado dessa história: a sua face mais humana e mais viva.

Ainda nesse sentido de análise histórica, Maria Conceição Lopes Fontoura, servidora do corpo técnico-administrativo da Universidade, recupera a contribuição de intelectuais negros nos 85 anos da UFRGS: gradativamente têm ocupado espaços novos no ambiente acadêmico não só como estudantes, a partir da política de cotas, como também na pesquisa, na docência e em outras atividades intelectualizadas da instituição.
Também uma matéria sobre o projeto LEIA aponta para questões de inclusão e de aprofundamento da diversidade e da representatividade. A iniciativa busca oferecer alternativas a pessoas com deficiência e promover inclusão social.

Completam o conjunto de matérias uma análise do legado de iniciativas de participação popular – notadamente o Orçamento Participativo, do qual Porto Alegre foi pioneira – e um debate sobre o quanto a posição social das mulheres é fragilizada em muitas dimensões – neste caso especificamente a obstetrícia.

Esta é uma edição que circula por dois meses – novembro e dezembro. O que nos leva a excepcionalmente mudar a periodicidade do JU nesta ocasião é a necessidade de trabalharmos mais intensivamente na sedimentação de ações que já iniciamos neste ano e também na concretização de projetos ainda por iniciar. Em breve, o JU será completamente novo, mais moderno e mais presente.

Boa leitura!