Carta aos leitores | Edição 222

Passaram-se três meses desde a posse do novo governo federal, e o noticiário tem nos mostrado uma administração sem um rumo claro ou um projeto de nação. Como veículo jornalístico editado por e para uma universidade pública, o JU tem estado atento a essas movimentações. Neste momento, é a transição do corpo de servidores públicos da ativa para a aposentadoria que merece uma visada mais demorada: não só pela proposta de mudanças nas regras enviada ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo, mas também por uma preocupação da Universidade de preparar aqueles que projetam suas aposentadorias para essa mudança na forma de viver. Ainda que a UFRGS busque um olhar mais humanizado sobre a velhice, as perspectivas que se desenham com as mudanças na Previdência não são muito animadoras.

Para pensar sobre essa questão, trazemos uma reportagem com um levantamento do que o governo propõe. Além disso, um artigo aponta o quanto o discurso sobre as mudanças na Previdência Social pública são construídos a fim de favorecer sobretudo empresários, bancos e investidores. O que se prevê, no cenário apontado por ambos os textos, é um futuro pouco promissor para os trabalhadores-contribuintes, que terão benefícios mais limitados.

Mas, afinal, o que muda na vida quando um indivíduo chega à velhice? Para refletir sobre isso, trazemos artigo com um conjunto de dados que mostra uma mudança significativa na composição etária da população brasileira e o impacto disso nas necessidades dos idosos e mesmo nas relações entre os diferentes grupos. Para completar esse debate, uma reportagem com minucioso apanhado do custo da vida que, pelo avançado da idade, faz com que as pessoas precisem de assistência de diversas ordens, o que torna a vida bastante mais cara.

Pensando ainda sobre temáticas da atualidade, nos voltamos para as artes visuais: a pintura hoje é uma prática artística que se renova e que — mesmo com uma retomada da importância dada à técnica — permite experimentações de diversos tipos. Ainda, essa reflexão se estende pelo Ensaio: a fotógrafa Rochele Zandavalli se deparou com um conjunto impressionante de pinturas feitas pelos internos da Fase e se sentiu provocada a pensar sobre os processos de inclusão e exclusão no campo artístico.

Também, um artigo discute o quanto o enredo apresentado pela Mangueira no carnaval deste ano possibilita uma reflexão sobre o próprio fazer histórico. Uma reportagem traz elementos sobre o Brexit como um exemplo bastante claro de um processo de esfacelamento dos acordos transnacionais e de uma crise no chamado multilateralismo. Complementam a edição dois acontecimentos institucionais importantes: o Fundo Centenário e o programa de formação de gestores. Na seção Entre nós, o professor de Botânica Sérgio Leite e a distante e isolada antena de transmissão da Rádio da Universidade em Eldorado do Sul pelo olhar de Osvaldo Arboit.

Boa leitura!

Everton Cardoso

Editor-chefe