Carta aos leitores | Edição 226

*Publicado na Edição 228 do JU

As universidades federais seguem sob artilharia: se antes era centrada nas questões mais ligadas à pesquisa e sua validade, ou vinha na forma de frases de efeito que procuravam desconstruir o lugar simbólico dessas instituições, agora o tom mudou, e esse questionamento se tornou mais concreto.

Ainda que o tema das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) pareça se repetir em diferentes nuanças e com diversas conotações, o JU, por seu lugar e por seus princípios editoriais, se vê obrigado a retomá-lo e aprofundá-lo. O que agora se apresenta a partir do Poder Executivo é o Future-se, como já abordado no Espaço da Reitoria da edição passada. A proposta visa estabelecer novos modos de gestão para as universidades. Mas, afinal, do que se trata? Quais suas implicações?

Para contribuir com essa reflexão, trazemos um artigo que trata do quanto, no fundo, o Future-se mexe com a própria missão do Estado em sua essência como provedor da educação e promotor do desenvolvimento nacional. Em grande medida, isso se dá pelo papel que se pretende designar a organizações sociais privadas (OS), já que viriam a ser gestoras de diversos processos do ensino, da pesquisa e da extensão nas Ifes. Em complemento a esse tema, publicamos em nosso site um levantamento dos posicionamentos de outras universidades federais diante do projeto e uma análise da consulta pública proposta pelo Ministério da Educação (MEC).

Na contramão do questionamento com relação à relevância do sistema universitário, trazemos uma reportagem sobre o impacto do Câmpus Litoral Norte da UFRGS na região de Tramandaí, onde está instalado. Isso porque começa a estabelecer as primeiras relações com o mercado de trabalho local a partir dos primeiros egressos. Percebe-se o quanto há espaços a serem ocupados por profissionais de nível superior que possam aprimorar os processos e contribuir para o desenvolvimento da região. Ainda, sob uma ótica mais ligada ao cotidiano acadêmico, trazemos matéria sobre o quanto a UFRGS é um espaço para a circulação espontânea de diversas formas culturais por iniciativas da comunidade acadêmica.

Nessa mesma linha, um artigo reafirma o quanto o serviço público é uma esfera social essencial para a vida em coletividade. O texto discute a relação entre as competências do Estado e a capacidade de ação com investimentos sociais, além de tratar dos critérios de aferição do desempenho dos servidores e da eficiência do ente público. Não à toa escolhemos para as seções Perfil e Meu Lugar dois servidores – Maria Noeci Nunes Moreira, aposentada, e Luis Carlos Mendes Gouveis, ativo – cujas atuações como porteiros explicitam o quanto a Universidade integra trajetórias de pessoas que a ela dedicam uma parte significativa de suas vidas e que imprimem à instituição uma marca de eficiência que não pode ser mensurada por dados estatísticos, mas por afetos.

Integram, ainda, esta edição, um artigo sobre a saúde mental da comunidade acadêmica – uma questão delicada, mas sobre a qual ainda há muito que se discutir – e uma reportagem sobre as mudanças na legislação sobre posse e porte de armas.

No Ensaio, o trabalho da estudante Amanda Misturini, que dispara uma reflexão correlata a um novo projeto que iniciamos neste mês, o Esquinas – Ciclo de debates. O evento, realizado em parceira com o Instituto Latino-americano de Estudos Avançados (ILEA), pretende reunir especialistas e plateia para debater temas da atualidade. Confira a programação em www.ufrgs.br/jornal.

Boa leitura!