Danielle Finamor: capacidade de se reinventar

Câmpus Centro | Técnica administrativa do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural conta como começou a trabalhar em projetos que buscam falar sobre soberania e segurança alimentar

*Foto: Flávio Dutra/JU

Depois de uma reviravolta digna de um roteiro de cinema, Danielle Finamor precisou se reinventar. Sua história na UFRGS começa em 1994, quando a técnica administrativa começou a trabalhar na creche da Universidade, exercendo sua formação em Pedagogia. Em 2008, devido a um grave acidente de carro, ela descobriu que não poderia mais estar em sala de aula por recomendação médica. Foi graças ao contato que tinha com vários setores da UFRGS que a pedagoga recebeu um convite: ser redistribuída para o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural, onde trabalha até hoje. 

A mudança de setor trouxe novos horizontes para a vida de Danielle. Hoje, além do trabalho no PGDR, ela se divide em mais duas áreas de atuação dentro do programa: o Centro Interdisciplinar em Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (Cisade) e o Círculo de Referência em Agroecologia, Sociobiodiversidade, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (AsSsAN-CR). Em cada uma dessas frentes, a pedagoga atua de formas diferentes: na coordenação, na organização e na direção, e desempenha um trabalho fundamental para que todas as ações dentro de cada um desses projetos possam funcionar. “O Círculo trabalha junto com o PGDR e tem como objetivo promover atividades de ensino, pesquisa e extensão sobre as temáticas de agroecologia, soberania e segurança alimentar e nutricional”, explica. A ideia é falar do desenvolvimento rural sem esquecer de falar da natureza e das pessoas. 

Os meus trabalhos com as crianças sempre foram muito nesse nicho de trabalhar a questão da alimentação, da gente conversar um pouco mais sobre a natureza, buscar muito a essência da criança e do ser – esse saber que a gente muitas vezes deixa de lado e que está bem latente na criança

– Danielle Finamor

Quando fala de seus colegas, Danielle possui um brilho nos olhos e gosta de destacar a importância de cada um para que tudo funcione. O Círculo, onde a técnica administrativa atua como vice-diretora, precisou investir em novas alternativas de manter o contato com o público durante a pandemia. O trabalho do grupo é baseado na troca, na conversa, no debate e na articulação de ideias entre todos, algo que é extremamente difícil de ser realizado a distância. Felizmente, não é somente a técnica que possui uma grande capacidade de reinvenção – os projetos em que ela se envolve também. Hoje o projeto conta com podcast, websérie e um site que usa uma linguagem acessível para falar de alimentação de uma forma política e cultural, destacando a importância de se ter uma alimentação saudável e que respeite o meio ambiente. 

Esses projetos contam com o apoio ativo da técnica administrativa, que, apesar de se considerar uma pessoa de “trás das câmeras”, é um dos pilares que mantém todas essas ações funcionando. Danielle não gosta de aparecer ou falar para as câmeras, mas, quando começa a conversar sobre as ações do PGDR e sobre as pessoas que trabalham com ela, o sorriso ocupa seu rosto e ela se empolga ao relatar cada um dos processos para que as propostas saiam do papel. A pedagoga não esquece de reforçar a coletividade de todas as pessoas envolvidas, buscando incluir todos os que se esforçaram ativamente na construção das ideias inovadoras do AsSsAN-CR. 

Eu costumo falar que o meu público cresceu. Lá na creche eu trabalhava com as crianças e hoje eu tenho muito contato com os alunos. A minha trajetória na Universidade me proporcionou que eu pudesse aos poucos ir conhecendo mais e ir me transformando para hoje ter a possibilidade de trabalhar com um público de jovens e adultos e ter esse contato com um tema que sempre me encantou.

– Danielle Finamor

Depois de um acidente de carro e da necessidade de buscar um novo caminho para seguir, Danielle encontrou um rumo completamente diferente para sua carreira. Além disso, o PGDR ganhou alguém extremamente dedicado em construir projetos que valorizam uma ideia e que incluam todos na busca por uma alimentação e um desenvolvimento sustentável. Atualmente, em tudo que a técnica administrativa está envolvida na Universidade, ela é indispensável. 


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: