Espetáculo para crianças “Invenção Amalucada” questiona convenções sobre gênero

Teatro | Em exibição durante o mês de outubro pela Mostra TPE, atração versa sobre temas relevantes para a sociedade, como protagonismo e potência intelectual das mulheres

Foto: Aziza, interpretada por Vivian Azevedo (Foto: Renata Lorenzi/Divulgação)

Em outubro, mês em que é celebrado no Brasil o Dia das Crianças, a 19.ª Mostra Anual Universitária de Teatro, do Projeto Teatro, Pesquisa e Extensão (TPE/UFRGS), exibe Invenção Amalucada, atração para pequenos e pequenas de todas as idades. De maneira completamente virtual, a peça permanece em cartaz durante todo o mês, com sessões ao vivo às quartas-feiras, às 12h30 e às 19h30, no Youtube. Os ingressos para acessar as apresentações são gratuitos e estão disponíveis na plataforma Sympla.

Em Invenção Amalucada, o público conhecerá Mari, Lili e Aziza, três amigas muito curiosas e cheias de sonhos que decidem embarcar em uma fantástica aventura para dentro do corpo humano. Ao inventar uma fórmula capaz de encolher pessoas e entrar no organismo da mãe de Mari, o trio procura descobrir se há evidências científicas que comprovariam uma suposta desigualdade intelectual entre meninos e meninas. Com a ajuda do público e a partir da ciência e da imaginação, as personagens trilham caminhos em que farão diversas descobertas.

Intérprete de Mari e codramaturga da peça, a estudante de Teatro na UFRGS Lali Garrido conta que o espetáculo é produto de uma antiga vontade sua de trabalhar com teatro para crianças. Segundo a atriz, o interesse em fazer teatro voltado às infâncias existe desde o seu ingresso na graduação, no Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes. “Eu decidi querer esse contato porque eu gosto muito de crianças”, afirma Lali. “Na faculdade, a gente não teve qualquer cadeira sobre isso.”

Mari, personagem interpretada por Lali Garrido (Foto: Renata Lorenzi/Divulgação)

A peça é também homenagem a Marilene Porawski, mãe de Lali e docente no Departamento de Ciências Básicas da Saúde, na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Além do nome da personagem da filha, a matriarca inspira “Mari” como um todo: uma pequena mulher que deseja ser uma grande cientista. “Nós decidimos que seria uma coisa legal falar sobre o corpo humano, e falar sobre isso para crianças, principalmente aquelas que estão começando a estudar sobre isso”, diz a atriz. “Mas a peça veio a partir dessa homenagem que eu quis fazer para a minha mãe.”

“Eu não fui para essa área [Ciência] porque o teatro é a minha vida. Mas uma parte de mim sempre amou muito a ciência. Então é juntar uma coisa com a outra”

Lali Garrido

Com inspiração em jogos de RPG (role-playing game), a peça brinca com a utilização de dados para interagir com o público. Em uma das ocasiões, as personagens estão confusas sobre qual caminho seguir dentro do organismo e pedem auxílio à plateia. A partir da rolagem de um dado virtual pela audiência, as jovens seguem diferentes destinos, como pulmão e estômago. “São obstáculos que elas vão enfrentando até chegar ao cérebro”, afirma Guadalupe Casal, diretora e codramaturga da obra. “Como nós queríamos contemplar lugares diferentes no corpo, elas vão para o ouvido, o pulmão, o estômago, o coração, o fígado.”

Lili, interpretada por Renata Lorenzi (Foto: Vivian Azevedo/Divulgação)

A partir da ciência e da imaginação, as personagens embarcam em uma busca pelo reconhecimento da potência intelectual das mulheres, por vezes desprezada por costumes sexistas. Segundo Lali, a discussão sobre machismo na sociedade e suas repercussões em mulheres surgiu das lembranças de juventude do grupo. “Nos ensaios, começamos a trazer coisas que todas nós sentimos quando a gente era jovem, que é essa coisa de se sentir menos ou que a gente não poderia conseguir as coisas”, revela a atriz. “E a partir dessas construções, a gente acabou trazendo esse tema bem legal, que são essas meninas querendo provar que nós, mulheres, somos capazes. E capazes em um sentido intelectual.”

Para Guadalupe, todas as crianças podem fazer qualquer coisa, independentemente de convenções sociais. A diretora e codramaturga da peça avalia Invenção Amalucada como uma oportunidade de contar uma história para crianças desconstruindo totalmente estereótipos de gênero. “O teatro pensado para crianças é um teatro para todos os públicos. Tem que ser. É um lúdico que não é vazio. É um lúdico que vai trazer o que a gente pensa que é legal de as crianças vivenciarem. Relações de gênero são coisas que se aprendem. Dizer que menina tem que vestir rosa e menino tem que vestir azul é uma coisa que nós, por meio do teatro, podemos desconstruir.”

Serviço
19.ª Mostra Anual Universitária de Teatro – Espetáculo Invenção Amalucada
Quartas de outubro, às 12h30 e às 19h30, no Youtube
Ingressos disponíveis na plataforma Sympla (acesse aqui)
Classificação Indicativa – Livre (recomendada principalmente para crianças de 6 a 11 anos)
60 minutos

Ficha Técnica
Elenco – Lali Garrido, Renata Lorenzi e Vivian Azevedo
Direção – Guadalupe Casal
Dramaturgia – Guadalupe Casal e Lali Guarrido
Produção – Grupo
Contrarregragem – Mariana Fernandes
Orientação – Ana Cecília Reckziegel