Espetáculo “Tempo de Solidão – Missa do Orfanato” é disponibilizado online

Teatro | Apresentado na quinta edição do projeto Ópera na UFRGS, “Tempo de Solidão – Missa do Orfanato” pode ser assistido agora pelo YouTube

*Imagem de capa: Youtube/IA-UFRGS

Olhar para um espetáculo criado dentro da Universidade como um projeto de extensão há quase cinco anos e ver o quanto havia nessa iniciativa um significado que se renova no cenário dramático de pandemia a que chegamos é sinal de o quanto a arte produzida na UFRGS é necessária. Lucia Carpena, que assinou a direção geral de “Tempo de Solidão – Missa do Orfanato”, afirma que a montagem realizada juntando o esforço de mais de 80 alunos e professores do Instituto de Artes se mantém tão relevante quanto antes. Daí a importância de seu registro e disponibilização em formato de vídeo online.

“Vivemos tempos de solidão, solidão dentro de um coletivo. Estaremos sozinhos no coletivo ou sozinhos conosco? Somos órfãos? Órfãos de que? De quem? Com este espetáculo, elevamos nossos olhos e nossos corações em busca de uma resposta. Nossa prece é, como não poderia deixar de ser, uma prece artística na qual gesto, palavra, som e luz traduzem a nossa busca. Uma prece individual multiplicada nas preces do coletivo e na força desse coletivo que resulte na saída para a nossa solidão, para a nossa orfandade. Quem sabe não somos nós que nos salvaremos uns aos outros?”

Lucia Carpena

Em junho de 2016, no Theatro São Pedro, o espetáculo cênico “Tempo de Solidão – Missa do Orfanato”, montado a partir de uma composição de Wolfgang Amadeus Mozart feita em 1768, estreava em um encontro com uma plateia efervescente, que respondia com palmas calorosas. A iniciativa fez parte do projeto Ópera na UFRGS, idealizado por Alfredo Nicolaiewsky e Paulo Gomes, quando eram diretor e vice-diretor, respectivamente, do Instituto de Artes da UFRGS.

Lucia Carpena considera que o processo de construção do espetáculo foi bastante desafiador e, ao olhar para trás, tem a sensação de dever cumprido. “Foi bem difícil, mas ao mesmo tempo muito prazeroso. Ver a casa lotada, as filas dobrando a esquina. A gente teve falsificação de ingresso. Imagina, um espetáculo que era gratuito”, brinca.  Para a docente, é importante tornar acessível a produção artística da Universidade para a população, pois dessa forma se amplia o leque de possibilidades de acesso à cultura.

Carla Knijnik, graduada em Licenciatura em Música pela UFRGS e solista do espetáculo, ressalta a importância do compartilhamento do que é produzido na Universidade: “Nesse momento que a gente tá vivendo, mais do que nunca, de desmanche da universidade, desmanche das instituições públicas, de descaso para com a educação, a importância é a gente mostrar para o mundo. Olhem, vejam o que a universidade faz”.

Ator de “Tempo de Solidão – Missa do Orfanato” e estudante do oitavo semestre de Bacharelado em Interpretação Teatral na UFRGS, Pedro Bertoldi destaca a relevância do espetáculo à época, sobretudo, na abordagem de críticas sociais naquele contexto político. “Muitas vezes a gente estava em um ato ou manifestação e depois ia pro ensaio, então a gente estava com esse movimento das ruas”, acrescenta o ator.

Abaixo, confira a íntegra do espetáculo “Tempo de Solidão – Missa do Orfanato”: