Exposição traz obras inéditas de Teresa Poester

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Artes visuais | A mostra Até que meus dedos sangrem faz parte do projeto Percurso do Artista

Está aberta para visitação na  Sala Fahrion, no 2.º andar do prédio da Reitoria, a exposição Até que meus dedos sangrem, de  Teresa Poester. A mostra faz parte do projeto Percurso do Artista, do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, que traz exposições de artistas professores do Instituto de Artes da UFRGS e realiza a publicação de um livro sobre o profissional selecionado. Poester é a primeira mulher convidada pelo projeto, que já teve cinco edições.

No dia 11 de novembro, às 16h, haverá uma visita guiada à Sala Fahrion com Teresa Poester e o curador da exposição, Eduardo Veras. 

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Para Veras, a curadoria sobre o trabalho de um artista vivo é muito mais um diálogo do que uma curadoria tradicional. Ele destaca as motivações de montar uma exposição apenas com trabalhos inéditos: “Como ela é uma artista com atividade constante, e não só constante mas muito renovada, nesses trabalhos a gente percebe uma continuidade, um desdobramento daquilo que ela já vinha fazendo, mas ao mesmo tempo é muito diferente”. 

As obras de Poester são executadas com materiais cotidianos, como canetas, lápis de cor e grafite. A desenhista também integra outras linguagens à sua obra, como impressão, manipulação digital, fotografia e vídeo. Essa é a primeira exposição da artista que mostra animações. Na mostra, o destaque das obras é a cor vermelha, que, para a artista, representa o país. “A origem do nome ‘Brasil’ vem do pau-brasil, do vermelho, [que] é a primeira cor brasileira, vamos dizer assim. E a terra do Brasil é uma terra muito vermelha, o sol do Brasil é um sol vermelho”, ressalta a artista. 

“Eu acho que as pessoas se apropriam da bandeira do Brasil, e a nossa bandeira é, também, vermelha.”

Teresa Poester

A busca por coisas novas também ajuda a fugir dos processos já conhecidos. “Eu tenho um gesto um pouco automático, e eu quero sair disso. Então, pra sair disso muitas vezes eu uso outros instrumentos ou materiais diferentes”, comenta. Para Teresa, experimentar novos métodos é uma forma de descobrir novas formas de criar.

Performance que produziu a obra-título da exposição Até que meus dedos sangrem

Elementos como o gesto livre e a composição através das linhas são elementos recorrentes em outros períodos do trabalho da artista. Para Veras, os desenhos de Poester formam texturas que aproximam seu trabalho da pintura. 

Teresa explica que a exposição reflete também uma nova fase de sua vida, já que passou a viver em uma região campestre da França. Para ela, a mudança representa uma aproximação com paisagens comuns da infância em Bagé e permite outra perspectiva para o Brasil devido à distância. “Uma condição pra apreciar melhor a paisagem é se afastar dela”, pontua.

A exposição pode ser visitada até maio de 2020, às terças e quintas-feiras das 10h às 17h e às quartas e sextas-feiras das 12h às 17h.

Obra “1 segundo 24 frames” (Foto cedida por Teresa Poester)

Júlia Provenzi

Estudante de Jornalismo da UFRGS