Exposição virtual explora possibilidades da arte digital para refletir sobre a atualidade

Cultura | “Os dias em que as corujas caíram do céu” está presente na Plataforma Verter, espaço on-line vinculado ao Laboratório de Imagem e Tecnologia da UFRGS, e na bienal internacional de arte “The Wrong”

Foto: “A noite azul de Funes”, de Michel Zózimo (Foto: Plataforma Verter/Reprodução)

“Os dias em que as corujas caíram do céu” é a nova exposição virtual da Plataforma Verter, em exibição até 1.º de março de 2022 neste link. Com curadoria das professoras do Departamento de Artes Visuais (DAV/UFRGS) Elaine Tedesco e Marina Polidoro e participação de onze artistas, a ação reúne trabalhos que refletem sobre temas urgentes na atualidade, como a interação humana com a internet, a partir da exploração das potencialidades de ferramentas digitais. Além de estar disponível na “Verter”, a iniciativa ainda integra a 5.ª edição da bienal internacional de arte digital “The Wrong“, com versões em vídeo das obras.

O principal intuito da exibição é ponderar criticamente sobre questões atuais efervescentes, congregando trabalhos em arte digital produzidos especialmente para a mostra ou adaptados para a internet. São responsáveis pelas obras os e as artistas Cesar Baio, Clarissa Daneluz, Eduardo Montelli, Flavya Mutran, Joana Burd, Juliana Angeli, Leo Caobelli, Letícia Bertagna, Lívia Auler, Michel Zózimo e Raquel Stolf. Entre as produções, está “We are making art”, vídeo de Eduardo Montelli que relaciona técnicas de inteligência artificial com a produção artística atual. Também presente na exposição está “Apepê”, vídeo de Juliana Angeli cujo foco está na experimentação entre tecnologia e cultura pop.

“We are making art”, de Eduardo Montelli (Foto: Plataforma Verter/Reprodução)

A visão crítica da contemporaneidade proposta pela iniciativa tem relação com diversos temas. É o que dizem as curadoras da exposição Elaine Tedesco e Marina Polidoro, que ainda revelam que a inquietação com tais assuntos teve origem em momento anterior à pandemia. “São as questões da pandemia, da política, da sociedade, da arte, as questões ecológicas – que para nós são bem importantes. E também como a nossa comunicação e interação via plataformas virtuais precisa ser vista criticamente”, afirma Elaine. “São questões que já nos preocupavam antes da pandemia e que já preocupavam vários autores, artistas, enfim, pensadores da atualidade, e que talvez a pandemia tenha dado uma exacerbada”, explica Marina.

“É uma visão crítica geral. É um pensamento sobre a atualidade, que extrapola a situação da pandemia ou a situação do país”

Elaine Tedesco

A exposição está presente em dois meios virtuais diferentes, em formatos também distintos. O primeiro “lar” da mostra é a Plataforma Verter, espaço on-line para exposição de trabalhos artísticos realizados para a internet criado pelo Laboratório de Imagem e Tecnologia (LIT/UFRGS). Na plataforma, chama atenção a possibilidade de o público poder interagir com algumas das obras, por meio do sensor tátil – touchpad e touchscreen – de computadores e celulares. Já na “The Wrong”, outro local da iniciativa, todas as obras estão em formato audiovisual, sendo exibidas via transmissão de áudio e vídeo. O destaque da parceria entre a exposição e a bienal é a possibilidade de conhecer a exibição a partir de uma narrativa linear, uma vez que a reprodução dos vídeos é automática e em sequência.

“A equipe toda – artistas, estudantes e nós – se esforçou para que a exposição funcionasse nos dois formatos. Foi um esforço para utilizar a internet pelas suas características, pelas suas potencialidades, e não apenas como espaço de divulgação”

Marina Polidoro
“Apepê”, de Juliana Angeli (Foto: Plataforma Verter/Reprodução)

O Laboratório de Imagem e Tecnologia

O LIT é um programa de extensão transdisciplinar vinculado ao DAV e cujas iniciativas englobam as áreas de arte, design e tecnologia. O projeto, criado em 2013, reúne diferentes ações em extensão, pesquisa e ensino, tendo como objetivos a construção de novos saberes, o desenvolvimento mútuo, a sistematização das informações coletadas, a transferência de tecnologias e a difusão democrática de conhecimento.

Segundo Elaine, o projeto é “uma vontade de fazer coisas em grupo”. “É uma vontade de extrapolar as pesquisas e os projetos individuais e as disciplinas que são ministradas individualmente”, diz a professora. “O contexto atual da arte não está mais ancorado em individualidades. Ainda existem artistas que trabalham com a sua composição para uma galeria, mas isso não é mais a única forma.”

“Como professoras de artes, queremos proporcionar situações de coletividade aos estudantes para que eles experienciem ações coletivas e a sua força”

Elaine Tedesco

Para mais informações sobre o Laboratório e acerca da exposição, contate o LIT por meio do e-mail lit@ufrgs.br ou acompanhe o projeto no Instagram e no Twitter.