Filipe Catto é a convidada do mês para o bate-papo online do Núcleo de Estudos da Canção

Cultura | No mês do Orgulho LGBTQIA+, o Núcleo de Estudos da Canção, da UFRGS, conversa com Filipe Catto sobre carreira e cena musical queer

*Foto de capa: Lucas Silvestre

Promovendo debates interdisciplinares sobre a música popular, o Núcleo de Estudos da Canção, iniciativa conjunta do Departamento de Difusão Cultural (DDC), do Instituto de Letras e do Instituto de Artes da UFRGS, recebe a cantora e compositora Filipe Catto. A conversa acontecerá no canal do DDC no YouTube no dia 29 de junho, às 19 horas, e será mediada pela jornalista Ana Laura Freitas e pela professora Caroline Abreu, do Instituto de Artes. Os 10 anos de carreira de Filipe Catto e a cena queer na música brasileira são alguns dos assuntos que serão debatidos. 

Filipe Catto é conhecida por seus trabalhos de mpb, samba, jazz, rock, bolero e tango moderno – suas músicas integraram a trilha sonora de diversas novelas. Além disso, a cantora já dividiu o palco com grandes nomes da música nacional, como Ney Matogrosso, Daniela Mercury e Chico Buarque. 

Trazer o diálogo sobre a questão LGBTQIA+ e a música popular para dentro da Universidade é algo de extrema importância, pontua Filipe, que cita o ataque cultural constantemente sofrido pela comunidade. “A gente precisa fazer com que a Universidade abrace essas ideias de uma forma que, no futuro, as ideias que saírem desse lugar, que é o que baliza o progresso, vão revolucionar o pensamento e trazer progresso para a sociedade”, acrescenta. 

A cantora ainda comenta que a afirmação da comunidade queer na cena musical está cada vez mais presente, sobretudo no Brasil, apesar dos conservadorismos. “Tem toda uma efervescência musical e também uma grande revolução sexual que está acontecendo aqui, dentro de um país completamente colonizado, supercatólico e evangélico”, comenta, lembrando também a importância de uma representatividade LGBTQIA+ que abra discussões libertadoras. Filipe, como artista, inspira demais jovens que nela se veem representados, assim como também se sentia representada pela cantora Cássia Eller. 

“Eu cresci vendo a Cássia Eller. Era uma pessoa que me inspirava muito. Hoje eu entendo, porque eu via a Cássia Eller como uma pessoa não binária. E eu, como sou não binária também, já via que era normal eu ser assim, era normal eu não querer ser nem homem, nem mulher, era normal eu querer ser uma pessoa que está nesse lugar do híbrido, que é um lugar”

Filipe Catto

Ao relembrar sua carreira, Filipe escolhe a realização de seu programa de karaokê “Love Catto Live” como o momento mais significativo. Em meio à pandemia, a cantora abria a câmera e cantava com as pessoas em uma transmissão ao vivo. Para Filipe foi uma experiência de redescobrimento: “Um momento em que eu consegui quebrar, eu acho, todas as minhas barreiras de recebimento de amor. Porque a gente não fica só embarreirado pra dar, a gente fica embarreirado pra receber também, né? E ali foi o momento em que eu percebi que, depois de dez anos de carreira, eu podia contar absolutamente com o meu público”.