Gislaine Thompson: encontro com as pessoas

Câmpus Saúde | Servidora e estudante de Políticas Públicas conta sua vivência iniciada em 1993 na Universidade e fala de seus projetos envolvendo vacinação e saúde de servidores

*Foto de capa: Gislaine Thompson, sugerida por Flávio Dutra

Enfermeira formada pela UFRGS, depois voltou à Universidade como servidora, atuando na promoção à saúde, e onde hoje também é aluna, graduanda em Políticas Públicas: assim, a partir dessa relação sólida e de longa data, é possível dimensionar o envolvimento de Gislaine Thompson com a instituição na qual tem trilhado seus caminhos. “Antes da pandemia, trabalhava pela manhã e à tarde, e à noite fazia graduação, tudo no Câmpus do Vale”, o que ilustra a sua intensa vivência profissional e acadêmica.

Ela começou seu contato com a Universidade em 1993, quando ingressou na graduação. Depois fez especializações e, em 2009, aprovada em concurso público, entrou para trabalhar diretamente na Divisão de Promoção da Saúde (DPS) do Departamento de Atenção à Saúde (DAS). “Tenho um apego, um apreço muito grande pela Universidade”, resume.

Desde a sua formação como enfermeira, sempre teve preferência por trabalhar com saúde pública e gestão nessa área. Sua entrada no corpo técnico da UFRGS, então, foi a possibilidade de atuar na saúde em sua vinculação com a educação. “Sempre gostei disso mais macro, mais amplo. Queria fazer mestrado; descobri que tinha em Políticas Públicas. Pra aprender mais sobre a área para a seleção, ingressei como aluna especial no curso de graduação. Gostei tanto que decidi cursar.”

Pandemia

Para Gislaine, o impacto do isolamento social imposto pela pandemia não foi diferente do que aquele sentido pela maioria dos integrantes da comunidade universitária: ela sente falta principalmente do cotidiano de encontro com as pessoas – além de várias coisas que a servidora diz que nem percebia antes mas que, hoje, considera importantes.

Ela trabalha com mais quatro colegas no local que antes abrigava o ambulatório do Câmpus do Vale e que atualmente funciona como uma sala de vacinação em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre. Ainda que cada um dos integrantes da equipe tenha seu ambiente individual de trabalho, a enfermeira conta que há momentos de conversa coletiva e de convivência, como aquele café em conjunto no horário de chegada ao trabalho.

“O Câmpus do Vale é muito arborizado, muito bom”, comenta sobre o local onde passava a maior parte de seus dias. Além do contato com a natureza, ela diz que os corredores cheios de cartazes de cursos a fazem se sentir num ambiente no qual fervilha conhecimento. “Eu gosto de estudar”, arremata.

“Temos um trabalho que pode ser feito remotamente, no sentido de proporcionar à comunidade universitária conhecimento, educação em saúde. Mas também tínhamos o atendimento presencial antes da pandemia com uma sala de vacinas. Fazíamos vacinação de servidores e alunos. Isso não é possível ser feito agora no trabalho remoto”, explica sobre o seu dia a dia. Nesse novo cenário, diante do qual Gislaine e seus colegas se viram desde o ano passado, iniciaram dois projetos que, de alguma forma, estão conectados e que ela deseja que sigam adiante.

O primeiro deles é um projeto de acompanhamento da situação vacinal dos servidores da Universidade. “Estamos numa fase-piloto com o Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS), acompanhando a situação dos servidores de lá. Pedimos que enviem fotos das carteiras de vacinas, as registramos no sistema e orientamos”, relata sobre um processo que inclui incentivar os colegas a fazerem suas vacinas e que ganhou força na vacinação contra a covid-19.

Recentemente, Gislaine participou do drive thru de vacinação dos servidores da Universidade, realizado na Escola de Enfermagem. E isso em dupla condição: como enfermeira do quadro técnico-administrativo e também por seu vínculo com a graduação. “Passei um dia todo lá e fiquei envolvida. Fui como servidora, mas também sou monitora dos alunos de Políticas Públicas num projeto de extensão que os leva a trabalhar nos registros e na orientação da população durante a campanha de vacinação contra covid-19”, conta sobre a experiência, que também inclui alunos de Enfermagem e Medicina.

“A proposta é que se possa continuar acompanhando e dando essa cobertura, essa proteção, esse conhecimento da proteção aos trabalhadores”, afirma. Adicionalmente, a profissional enfatiza que, além do foco nas vacinações, sua atuação também se alastra por outras iniciativas da divisão à qual está vinculada. “Temos tentado criar outras estratégias para a promoção à saúde, como um podcast e também um censo para planejar ações”, conta.

Universidade em construção

Na fita que usa para pendurar o seu cartão UFRGS, Gislaine carrega sempre três bottons. Um deles traz uma frase do dramaturgo alemão Bertold Brecht: “Nada deve parecer impossível de mudar”. Ela conta que faz tempo que esse objeto a acompanha e que tem um sentido motivacional. “Sou funcionária pública desde que me formei. Fui trabalhar em uma prefeitura e depois vim pra UFRGS. Existe uma ideia de rigidez com relação ao serviço público, de que não muda, de que não pode inovar. Essa frase tem a ver com o espírito de não desistir de tentar. Como gosto muito de aprender, é retroalimentação. Tem que pelo menos tentar”, diz.

“A vinda para trabalhar na Universidade ampliou muito a visão e a percepção desse espaço para além daquele vínculo que tinha como estudante. Poder fazer parte, construir, fortalecer uma Universidade que é reconhecida por ter excelência é muito gratificante e importante pra mim”

Gislaine Thompson

Para a enfermeira e estudante, seu trabalho ganha muita relevância por contribuir para o papel da Universidade com relação aos cidadãos e à sociedade, sobretudo porque a instituição produz conhecimento a partir da pesquisa ao mesmo tempo que desenvolve atividades de extensão e participa da formação das pessoas . “A UFRGS tem um papel representativo e condutor de políticas de educação de nível superior. Ela tem um protagonismo, é uma organização reconhecida pela população, e isso é muito importante”, afirma.

Para a agora novamente estudante, um ciclo importante se forma: o filho Lucas Machado passou no vestibular no ano passado também para Políticas Públicas. Ele, bixo, e ela, veterana, já fizeram uma cadeira juntos, trocam ideias, estudam e fazem parte do mesmo projeto de extensão. “Ele cresceu vendo esse espírito da UFRGS e agora faz parte”, orgulha-se.


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: