Grupo da UFRGS participa de performance de dança mundial sobre a água

Cultura | Projeto de extensão transmite coreografia que busca expressão corporal aliada à conscientização sobre questões ambientais

*Foto de capa: Liz Guerra

Você já parou pra pensar sobre o quanto nós, humanos, somos água? Essa é uma das perguntas que norteia a participação do grupo vinculado ao projeto de extensão Dança, Educação Somática e Criação (Desc) no Global Water Dances. O evento bianual acontece há 10 anos e aborda questões ligadas à água acessível e potável por meio de festividades e diferentes ações que conectam mais de 200 cidades de todo o mundo.

O coletivo vinculado à UFRGS, que já tem vídeos publicados na mostra que integra o projeto, transmite às 11h de amanhã, dia 11, por meio de seu perfil no Instagram, os bastidores da gravação de sua participação. Os 13 bailarinos vão apresentar e registrar uma coreografia elaborada por eles e que, depois, vai integrar um conjunto de vídeos a ser veiculado pelo projeto internacional.

Cibele Sastre, professora de Dança na UFRGS, explica que o ponto de partida para a montagem é a dança somática, que busca aliar elementos de funcionalidade corporal com a expressividade. O grupo, assim, foi construindo a dança a partir das percepções oriundas de “serenidades somáticas”, ou seja, estados de corpo acessados por meio dessa prática e cuja exploração vai dando origem a uma coreografia quase de improviso. “Fazemos um processo experimental para chegar aos movimentos. É uma pesquisa de movimento e em movimento”, sintetiza a docente, que também participa da montagem.

“Somos compostos por 70% de água. Esses estados perceptivos operam muito com uma ideia de fluxo. Seja como uma imagem externa do corpo, seja como a percepção dos nossos líquidos internos, vamos relacionando isso. Como se movem os líquidos internos? Como me movo quando estou dentro d’água? E na chuva? São imagens a partir disso”

Cibele Sastre

No domingo, 13, o grupo também participa da gravação de uma coreografia que será executada por bailarinos oriundos das duas centenas de localidades participantes. Para Cibele, um evento como este, que trata da temática da água em escala mundial, é importante para um momento como o que vivemos. “Em todo o mundo, onde restam grandes reservas, as águas estão sendo postas à venda. Nós aqui temos o aquífero Guarani, prestes a ser vendido. E o que nos fortalece é essa rede global. Não somos só nós falando e dançando sobre essas questões. São cidades de todo o mundo ampliando essa voz”, justifica.

Sobre o fato de a dança ocorrer em formato remoto e em plataformas online em razão do isolamento social imposto pela pandemia, ela diz estar sendo este um momento de grande aprendizado: “Temos atingido uma noção de conjunto. Tem muita gente que não conheço presencialmente, mas já nos sentimos muito próximos, dançando juntos. Isso é surpreendente”.

A iniciativa do projeto de extensão Dança, Educação Somática e Criação conta com a parceria da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e inclui produção de materiais pedagógicos sobre o tema da água.