“A ideia era fazer um jornalismo que não fosse simplesmente a divulgação da Universidade, mas que cumpriria o papel que ela precisa cumprir: mostrar coisas novas, interferir, opinar.” Assim sintetizou a criação do JU a professora do departamento de Comunicação Maria Helena Weber em entrevista concedida para a edição de setembro de 2017.

Durante sua gestão à frente da Coordenadoria de Comunicação (1997-98) houve um intenso debate, na comissão que gestou o JU, acerca do nome a ser escolhido. A tônica do projeto de comunicação da Universidade, naquele momento, era de valorização da UFRGS como uma universidade de qualidade. “Isso conduziu à ideia de que não era qualquer universidade, era “a” universidade, ou seja, é como se houvesse apenas uma; esse foi o conceito que segurou o nome. Não era um jornal de universidade, mas a ideia de que ele fosse da grande universidade”, relata.

A valorização do debate e a consolidação de uma comunicação pública erigida a partir da Universidade marcam a trajetória do JU, que pode ser acompanhada na LINHA DO TEMPO a seguir.

Setembro de 1997

Desde a sua primeira edição, em setembro de 1997, o JU apostou em um gênero irreverente e crítico: a CHARGE. A primeira edição já estampava em sua capa uma ilustração de Edgar Vasquez, sobre os riscos que corria a universidade pública; ao abrir o jornal, a página dois trazia uma charge de Ricardo Machado, e a matéria de cultura era ilustrada por uma grande charge do icônico Santiago. A influência do gênero no jornal vem de Aníbal Bendati, chargista e também diagramador. Membro da GRAFAR (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul), Bendati consolidou o espaço da segunda página para as charges – a partir de novembro de 1998. Até outubro de 2001, esse espaço foi exclusivo do diagramador. A partir de então, chargistas como Kayser, Juska, Moa e Santiago também passaram a contribuir. Apesar de estabelecidas na página dois, muitas reportagens se utilizavam das charges para ilustração, como a grande reportagem sobre os males do cigarro (novembro/1997), ilustrada por Bendati; além das pautas relacionadas aos chargistas – ensaio em homenagem a Sampaulo (julho/1998) com renomados chargistas – e à própria arte (“30 anos de humor e denúncia”, outubro/2002).

As diferentes MANIFESTAÇÕES CULTURAIS E ARTÍSTICAS sempre ocuparam as páginas do JU. Na edição de novembro de 1999, circulou um encarte especial do concurso literário de poemas, crônicas e romances Os Doutos Anônimos na Causa do Saber, em que venceu o conto A echarpe de lã, da servidora Rosangela de Mello. Com a presença do jornalista e crítico musical Juarez Fonseca, a editoria de cultura reservou, desde o início, ao menos duas páginas para discutir dramaturgia, artes visuais, literatura e música, tanto no ambiente da UFRGS como no restante do Brasil e do mundo. Até o ano de sua saída do periódico, em 2005, observa-se grande destaque para entrevistas com personalidades do cenário cultural do estado. Há a presença de Luiz Carlos Barbosa Lessa (novembro/1999), que comenta sobre a sobrevivência da memória e da cultura do gaúcho. É significativo o espaço que o JU concedeu para a discussão do tradicionalismo, como se nota nas edições de outubro de 2005 e agosto de 2015, em que foram debatidas as raízes dos conflitos entre os gaúchos e a identidade desse povo. O JU também contribuiu para promover artistas locais, como o regente Antônio Carlos Borges-Cunha, professor de composição do Instituto de Artes, que lançou, em 2000, o seu primeiro CD pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS. Eventos como a Bienal do Mercosul e a Feira do Livro foram amplamente divulgados. A partir de 2005, passa-se a dar mais ênfase a eventos culturais que se formam na Universidade ou que tenham alguma ligação com ela. A programação cultural do Unimúsica e resenhas sobre os lançamentos da Editora da UFRGS passam a predominar nessa seção, que retrata as contribuições da Universidade para o polo cultural e artístico de Porto alegre. É comum encontrar reportagens que mostrem as atividades desenvolvidas na instituição. A literatura também é bastante presente, de forma que se ressaltam personalidades importantes, como Machado de Assis e Simões Lopes Neto. A cultura divulgada na música aproxima-se mais do erudito que do popular, realidade que sofre mudança: em abril de 2006, há a matéria sobre o público que consome rock; em 2015, reportagens que tratam sobre o samba e o carnaval refletem a pluralidade do país. A ligação entre cultura e resistência entra em vigor e perdura no JU, como se pode ver na edição de julho de 2015, que analisa a questão do turbante e a valorização da identidade negra. Ademais, o Jornal relatou problemas enfrentados pelo setor cultural. A perda de acervos nacionais foi debatida na edição de maio de 2007. Em 2008, a escassez de textos de crítica cultural na academia e na mídia também mereceu problematização.

Novembro de 1999
Janeiro/Fevereiro de 2000

Chegou devagar, meio sem querer, mas conquistou seu lugar até hoje nas páginas do JU. Segundo o jornalista Ademar Vargas de Freitas, precursor da ideia, o PERFIL não estava previsto inicialmente como uma editoria, mas acabou se consolidando aos poucos. Na primeira edição, encontrava-se na última página uma matéria sobre a professora emérita Maria Marques. Entre idas e vindas, esse modelo seguiu até abril de 1998, quando apareceu pela primeira vez a palavra Perfil no topo da página; entretanto, só se tornou uma editoria fixa a partir de agosto do mesmo ano. Uma característica da seção nos seus primórdios foi o destaque a servidores negros da UFRGS. Em março de 1998, foi contada a história de Maria Conceição Fontoura, então diretora do Departamento de Serviço Social e Atendimento ao Estudante. Na sequência, figuraram no Perfil Dona Marina, do Departamento de Histologia do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (agosto/1999) e Antonio Carlos Amaral dos Santos, famoso no prédio da Reitoria como “Casquinha” (julho/2001). Entre professores, alunos e servidores da Universidade, surgem também figuras de destaque, como a artista visual Alice Soares (março/2002), o cartunista Santiago (junho/1999) e o jornalista Anibal Bendati (jan-fev/2000), personagem importante na história do JU, responsável pelo planejamento gráfico e pela diagramação. Em abril de 2008, já com o novo projeto visual consolidado, o Perfil ganha a companhia do Meu Lugar – uma parceria com a UFRGS TV que busca mapear alunos, servidores, técnicos ou professores com fortes ligações com algum lugar dentro da Universidade. A inovação gerou grande interesse na comunidade, que passou a enviar sugestões e, dessa forma, tornou possível que a editoria contasse histórias significativas.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, marcado por políticas neoliberais, foram onipresentes nas páginas do JU a questão da DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA – incluindo aí a manutenção da gratuidade –, bem como o debate sobre o MODELO DE AUTONOMIA a ser regulamentado. Tais temáticas eram ventiladas em artigos de opinião, notícias e reportagens. Títulos como Exterminando o futuro e A Universidade resiste estampavam as páginas 3, 4 e 5 do JU na edição de abril de 1998, retratando os desafios que a instituição enfrentava. Além disso, grande parte das entrevistas eram feitas com figuras importantes, capazes de discutir esses tópicos, o que caracteriza o peso que estes tinham para o Jornal – e para a Universidade – na época. Uma entrevista a se destacar ocorreu em dezembro de 1998 com Jorge Brovetto, então reitor da Universidad de La República (Uruguai) e personagem relevante na defesa das universidades públicas. Assim constituiu-se a identidade do JU nos seus primeiros cinco anos, processo coroado com a grande cobertura dada à III Cumbre – Reunião de Reitores de Universidades Públicas Ibero-americanas, inclusive com uma edição especial, em abril de 2002.

Abril de 2002
Julho de 2002

A HISTÓRIA DA UFRGS também foi tema de reportagens do JU que destacavam o resgate do patrimônio e de momentos inesquecíveis vivenciados por professores, servidores e estudantes. Exemplo disso é a reportagem publicada na edição de novembro/dezembro de 2009 sobre a primeira turma de Jornalismo formada na instituição após a obrigatoriedade do diploma (1968). O curso cresceu e inclusive mudou de localização. Funcionava, na época, no câmpus central junto à Filosofia e foi transferido, em 1970, para a rua Ramiro Barcelos. O contexto era de engajamento político, mas parte dos estudantes preocupava-se, principalmente, em trabalhar. Relatos de alunos dessa turma trazem reflexões, como o de Maria da Graça Fusquine: “Nossas trajetórias nos fizeram pessoas diferentes do que éramos naquela época”. Personalidades como Juarez Fonseca e Carlos Urbim compuseram aquele conjunto de jornalistas recém-formados. Outro espaço consagrado ao resgate histórico foi a seção Memória da UFRGS – veiculada de janeiro de 2006 até dezembro de 2009, na página 2 –, que retrata, por meio de fotografias, episódios que marcaram a instituição e que descrevem a estrutura e o funcionamento da UFRGS no passado, como a localização de antigos prédios e a passeata dos calouros que incluía frases críticas ao sistema de ensino brasileiro nos anos 1960. Em julho de 2002, realizou-se uma edição especial sobre a recuperação de três prédios históricos que estavam sendo entregues à comunidade, quase três anos após o lançamento da campanha de restauração: a Rádio da Universidade, o Observatório Astronômico e o Curtumes e Tanantes, onde se instalaria o Museu da Universidade. A reportagem enfatiza sua importância para a comunidade, já que os prédios têm a função de preservar a memória social e cultural da cidade.

O JU realizou, em maio de 2003, uma EDIÇÃO TEMÁTICA dedicada à paz. Trazia estampado na capa trecho de uma carta de Freud a Einstein, em 1932: “Não há maneira de eliminar totalmente os impulsos agressivos do homem; pode-se tentar desviá-los num grau tal que não necessitem encontrar expressão na guerra”. A publicação veio à tona em um contexto de desdobramentos dos atentados de 11 de setembro de 2001, culminando na invasão do Iraque em março de 2003 – o que daria início a uma nova guerra. A edição procurou retratar, nas diferentes editorias, ações e pessoas que se dedicavam a buscar a paz. A charge escolhida, característica da página dois, foi a ilustração de Santiago que ganhou o primeiro lugar no concurso pacifista Guerra à Guerra, da Sofia Press (Bulgária). Já nas páginas 10 e 11, a entrevista deu lugar a depoimentos de 119 alunos e servidores que responderam à pergunta: “O que é paz?”. Os artigos e reportagens abordavam desde a função acadêmica no combate à violência até a relação das religiões com a paz; uma página inteira foi dedicada a ilustrações de cartunistas com mensagens contra a guerra; por fim, o Perfil
trazia a história de Diza Gonzaga, que, após a morte do filho, criou a fundação Thiago de Moraes Gonzaga (Vida Urgente), trabalhando para diminuir as mortes no trânsito.

Maio de 2003
Março de 2005

O tema CIÊNCIA, hoje tão presente no JU, foi conquistando seu espaço em meio a um periódico predominantemente político. Antes de mais nada, o viés científico se faz presente por todo o Jornal, já que na seleção das fontes, privilegia-se a escolha de pesquisadores e professores da UFRGS. Como editoria, a amplitude de temas e assuntos pungentes se dá graças à característica da Universidade de desenvolver pesquisas inovadoras nos mais variados campos. Questões sobre a arqueologia, como uma matéria sobre a Pré-história do Rio Grande do Sul (janeiro-fevereiro/2002), pesquisas na agropecuária (março/2016) e etnomusicologia (dezembro/2016) refletem a diversidade que constitui a própria Universidade. Em 1999, a edição de julho já abordava a polêmica discussão sobre os transgênicos; em janeiro-fevereiro de 2004, foi a vez de falar sobre as preocupantes mudanças climáticas – temática que reaparece em 2010. Outro assunto recorrente são as células-tronco, pauta de março de 2005, após a aprovação do projeto da Lei de Biossegurança, que reflete sobre as expectativas do tratamento de doenças como Alzheimer, Parkinson e diabetes. Com os avanços dos estudos no Brasil, a discussão reaparece em outubro de 2010. O JU sempre buscou também esclarecer assuntos pulsantes e atuais, como a construção da usina nuclear de Angra 3 – uma análise com pesquisadores da UFRGS (julho/2007) – e as divergências sobre as causas do aquecimento global (junho/2008). a ciência como temática não se restringe só à editoria específica, percorrendo também outros espaços da publicação. Em diferentes ocasiões, a seção Especial trouxe conteúdos como: explicações sobre uma infestação de erva-de-passarinho nas árvores de Porto alegre (outubro/2005); o legado deixado por Darwin (abril/2008). A extinta seção Debates trouxe discussão sobre o real benefício do uso de biocombustíveis (junho/2007). Imagens da coleta de esponjas para uma pesquisa desenvolvida pela UFRGS em parceria com a Fundação Zoobotânica do RS foi o tema do Ensaio em janeiro-fevereiro de 2008. Por fim, o Caderno JU de agosto de 2014 retrata a conquista de espaço da energia eólica.

Desde os primórdios, o JU abre espaços relevantes para a realização de DEBATES e para o tratamento de TEMAS POLÊMICOS. A primeira reportagem especial, Estado investe na indústria da morte, de Valéria Ochôa, em novembro de 1997, teve como tema central o tabaco – e acabou sendo premiada. As quatro páginas evidenciam os investimentos do RS na indústria do cigarro, assim como dados revelando os malefícios do tabaco, manifestando a urgência de políticas públicas – que só viriam no ano seguinte, com o controle do tabagismo. Contudo, talvez uma das discussões mais inusitadas da história do Jornal se iniciou no mês seguinte. A mudança no título de um texto enviado pelo professor do Instituto de Letras Paulo Guedes por parte do então editor de cultura, Juarez Fonseca, fez com que aquele enviasse uma carta reclamando do ocorrido. As réplicas e tréplicas acabaram por ser publicadas e só se encerraram em abril de 1998. Juarez diz não se ressentir: “Nós nunca tivemos pruridos de debater. O debate sempre foi uma coisa útil para discutir ideias. Era um professor da Universidade que estava se manifestando”. Após o resultado das eleições para governador de 1998, a redação organizou uma mesa-redonda com professores da UFRGS para analisar tanto os motivos da vitória de Olívio Dutra sobre Britto quanto aspectos sobre as campanhas eleitorais, a dinâmica das alianças e também as perspectivas para o futuro do estado. O debate rendeu três páginas de opiniões na edição de novembro daquele ano. Já em 2005, pensando em como falar sobre os mais diferentes temas que causam discórdia na sociedade, o JU iniciou a seção Debates. Ali, eram expressas, em forma de artigos, as opiniões de dois especialistas sobre assuntos importantes para a cidadania. O primeiro tópico escolhido foi a corrupção (julho/2005) – temática que reaparece no Jornal também em setembro do mesmo ano, em forma de entrevista seguida de debate com docentes de diferentes áreas. No mês de agosto, após os atentados ocorridos na Inglaterra e no Egito, um cientista político e um psicólogo fizeram suas considerações acerca do tema terrorismo. Ainda passaram por ali assuntos como reforma política, desarmamento e cotas. Com a proposta de mudança na maioridade penal, o Caderno JU de maio de 2015 trouxe um painel com especialistas no tema. Diferentes argumentos e opiniões apontavam os riscos da falta de informação.

Julho de 2005
Julho de 2007

Em julho de 2007, o JU completava 100 edições. A publicação comemorativa foi a última em preto e branco, e anunciava na capa outra comemoração: a aprovação das COTAS RACIAIS. A partir do vestibular de 2008, 30% das vagas em todos os cursos de graduação seriam reservados para alunos vindos de escolas públicas e afrodescendentes. A matéria trazia a avaliação da comunidade acadêmica sobre as consequências da aprovação do projeto, além de disponibilizar todos os artigos presentes na resolução. O assunto foi acompanhado pelo Jornal desde junho de 2004, quando foi aberta a discussão sobre cotas. Em novembro de 2005, a seção Debates tratou do tema, abordando para que e para quem serviam as cotas raciais. Naquele momento, o projeto de estabelecimento de cotas para minorias étnico-raciais nas universidades públicas federais brasileiras já havia sido anunciado pelo Ministério da Educação, porém, até então, nenhuma ação havia sido tomada. No ano seguinte, em setembro, o JU também deu espaço para a cobertura do seminário sobre as ações afirmativas. O desfecho veio na 100.ª edição em forma de uma matéria especial sobre a aprovação das novas formas de ingresso. As discussões acerca do assunto, no entanto, não cessaram, assim como sua cobertura. Após a aprovação, o Jornal analisou os desdobramentos do Programa de Ações Afirmativas em uma matéria especial (setembro/2010). A publicação apontava o aumento em três vezes do índice de aprovação de autodeclarados negros. Dois anos depois, a capa estampava Por mais inclusões, anunciando a renovação do programa por mais 10 anos. Ao contrário de 2007, o apoio à política de cotas já era maior e as reuniões do Consun eram acompanhadas por ocupações, por parte dos estudantes, do prédio da Reitoria.

Na edição 78, de julho de 2005, inaugura-se o novo PROJETO GRÁFICO do JU, criação do jornalista Juliano Bruni. Para a equipe que assumia o JU naquele momento, era preciso atualizar a imagem do veículo. O projeto original, de Anibal Bendati, ainda que bonito e bem acabado, na avaliação da equipe da época, tinha um visual que remetia aos anos 1970. A pretensão era que a diagramação se tornasse mais arejada: foi isso que guiou o rumo das alterações propostas. Na capa, o Jornal adquire um visual mais retilíneo, menos arredondado em relação à aparência anterior, seja pela ausência da borda, seja pelo nome no cabeçalho em apenas uma linha. As editorias ganham uma vinheta; novas seções são criadas – outras são reacomodadas, como o perfil, que deixou o lugar consagrado até ali, a contracapa, e foi para a parte interna. Outra razão para a necessidade de um novo projeto gráfico dizia respeito às mudanças na estrutura de produção do JU. Até aquele momento, as edições eram finalizadas fora da redação: o processamento final era feito pela CORAG, o que gerava gastos muito elevados. De fato, a readequação dos custos era uma demanda premente da nova gestão na Reitoria. Para isso, foi feito um investimento na Gráfica da UFRGS, que adquiriu uma máquina capaz de realizar a impressão. O tamanho do papel para esse novo maquinário era menor – ainda que o formato standard fosse mantido com toda a convicção. Assim, os textos que antes tinham até 12 mil caracteres não podiam passar de 8 mil (posteriormente, houve uma nova redução para evitar desperdício de papel, o que tirou mais mil caracteres das reportagens). O desenvolvimento do novo projeto gráfico chega ao ápice quando o JU passa a ter capa e contracapa coloridas. Num lance de sorte, isso ocorre na edição 101, de agosto e setembro de 2007, que apresentava fotografias marcantes da pauta em destaque sobre o aquecimento global. Neste ponto, segundo Juliano, o projeto e todas as novas dinâmicas que ele exige se acomodam. Chega-se à sintonia necessária entre o diagramador e o restante da equipe, construída com a convivência e a negociação que se desenrolam na redação.

Agosto-Setembro de 2007
Junho de 2011

A presença das ARTES VISUAIS no JU é constante e significativa. Ao longo dos anos, o Jornal sempre teve uma preocupação em dar visibilidade tanto a produções artísticas criadas na Universidade quanto a artistas gaúchos. A Bienal do Mercosul é um dos acontecimentos que marcaram presença diversas vezes, sendo, inclusive, tema do Especial de novembro de 2009, com uma cobertura completa do evento. Além disso, a Fundação Iberê Camargo, assim como o próprio artista, foram pautas recorrentes. O JU acompanhou o início da construção do museu, às margens do Guaíba (julho-agosto/2003), falou sobre a catalogação de gravuras de Iberê, feita pela professora de artes visuais Mônica Zielinsky (março/2007), chegando até 2008, com uma reportagem sobre a inauguração do museu e os benefícios para a capital. Em dezembro de 2002, o JU produziu uma reportagem em homenagem ao artista porto-alegrense João Fahrion, ressaltando a sua temática favorita: a figura feminina. O artista também foi professor do Instituto de Artes (IA) – quando ainda se chamava Instituto de Bellas Artes. Sua importância para a Universidade é tão marcante que no prédio da Reitoria há uma sala – com afrescos seus na parede – que leva seu nome. Fahrion apareceu outras vezes nas páginas do Jornal, inclusive na matéria intitulada Arte dos mestres (junho/2011), que enaltece o legado de artistas que passaram pelo IA. Ainda no campo das artes visuais, a reportagem especial de junho de 2006 retratou um projeto de extensão que reunia grafiteiros e arquitetos, buscando a humanização do espaço público. Em março de 2013, o Caderno JU destaca as gravuras de artistas gaúchos reconhecidos nacionalmente, bem como suas biografias. Artistas do Grupo de Bagé, Pedro Weingärtner, Vera Chaves Barcellos e, novamente, Fahrion e Iberê Camargo foram alguns dos nomes presentes na matéria.

Nos idos de 2012, tornou-se crescente a demanda por mais reportagens de ciência. Ao chegar à redação, a solicitação tomou novo rumo e foi desenvolvido o formato do CADERNO JU. Em vez de uma ênfase em pautas de ciência, foi consenso na elaboração do projeto a preferência pela variação de temas a cada edição. A ideia era que o espaço de quatro páginas coloridas acrescidas ao Jornal – que passa a ter 20 páginas no total – desse força para um aprofundamento ainda maior em relação às reportagens especiais que circulavam nas páginas centrais até então. O acréscimo só foi possível por conta do maior número de bolsistas que passou a integrar a redação. Com projeto gráfico de Kleiton Semensatto da Costa, diagramador do JU de janeiro de 2012 a julho de 2016, o caderno JU passa a ser publicado a partir da edição 152, de setembro de 2012, com o título O lugar dos grandes mestres. Com a temática da educação, o especial enaltece o professor como fundamental na formação profissional e humanística, através das histórias de grandes mestres da UFRGS – Graciema Pacheco (1910-1999), Ernani Maria Fiori (1914-1985), Gerd Alberto Bornheim (1929-2002) e Leônidas Xausa (1932-1998). Na edição de dezembro de 2012, o caderno JU foi elaborado, pela primeira vez, pela equipe de bolsistas. A reportagem discutiu o principal paradoxo que cerca a Aids: ao mesmo tempo em que é mundial e sem cura, é também a doença dos outros, a doença de poucos. Ressaltaram-se o desafio de se construírem novas abordagens e os esforços para conscientização e desmistificação acerca da Aids – com destaque para a presença de grupos de apoio como o GAPA. Mesmo com as dificuldades enfrentadas pelos jornalistas iniciantes – afinal, era a primeira vez que faziam uma grande reportagem com uma abordagem jornalística aprofundada – a publicação cumpriu sua função.

Setembro de 2012
Maio de 2013

As problemáticas envolvendo POPULAÇÕES TRADICIONAIS E DO CAMPO seguidamente foram retratadas pelo Jornal da Universidade. As reportagens contam a história de vida dos entrevistados de uma forma sensível, expressando aquilo que havia de mais humano nas personagens: desde os percalços e desafios enfrentados até as maiores conquistas. Na edição de outubro de 2012, a reportagem especial Expectativa na aldeia trouxe a representatividade da mulher na cultura indígena, com a figura de Francisca, mãe que criou sozinha as filhas e as incentivou a estudarem. Denise, sua neta, foi a primeira aluna indígena a se formar na UFRGS, no curso de Enfermagem. Os valores da cultura Kaingang e a falta de estrutura nos postos de saúde na Terra indígena Guarita mostram a necessidade de haver um melhor atendimento, que comporte mais médicos de origem indígena. Em maio de 2013, o Caderno JU Questão da terra deu espaço para que agricultores orgânicos e familiares que compõem o MST pudessem expressar seu modo de trabalho e as limitações desse método produtivo, que não ganha visibilidade suficiente na mídia. Figuras como Boca, produtor rural, contaram suas vivências e a importância desse tipo de agricultura, que é livre de pesticidas prejudiciais ao organismo. Ressaltou-se o papel do corpo docente e discente da UFRGS na elaboração de projetos de pesquisa para melhorar a produção dos assentados. No mês de setembro de 2014, o Caderno JU retratou a educação no campo, desmistificando as concepções predominantes nos meios hegemônicos de que é na cidade onde se concentram as pessoas letradas e de que, no campo, é o estereótipo de Jeca Tatu que existe. O JU pontuou aspectos positivos dessa educação, como a pedagogia mais integradora. Ainda, ressaltaram-se as políticas governamentais nesse espaço e as demandas da população. O Jornal mostrou, em suas reportagens, a resistência e o orgulho que existe nessa área e enfatizou que o campo não é atrasado, como o senso comum tende a associar – ao contrário, engloba uma riqueza e diversidade únicas da região.

Ao longo dos anos, a Universidade recebeu VISITAS MARCANTES de pessoas das mais diferentes áreas do conhecimento que lotaram o Salão de Atos. Nas páginas do JU, estão registrados esses acontecimentos, seja com reportagens, seja com entrevistas exclusivas. Muitas dessas passagens ocorreram por conta da parceria da Universidade com o ciclo de debates Fronteiras do Pensamento. Em maio de 2010, o médico e cientista Miguel Nicolelis conversou com o JU sobre novas formas de pesquisa e o avanço da neurociência. No mês seguinte, foi a vez de Denis Mukwege, ginecologista do Congo que ajudou 30 mil mulheres vítimas de violência sexual durante a guerra civil do país. Nomes como Mia Couto (dezembro/2012) e Pierre Lévy (agosto/2016) integram a lista de palestrantes trazidos pelo evento e entrevistados pelo JU. As Aulas Magnas proferidas por convidados ilustres também marcaram profundamente a Universidade. Assim como Saramago em 1999, Sebastião Salgado lotou o câmpus centro em 2014, e concedeu entrevista exclusiva ao Jornal, falando sobre seu trabalho com a fotografia (março/2014). Outro evento que sempre costuma atrair personagens reconhecidos é o Unimúsica. Em 2016, Maria Bethânia subiu ao palco do Salão de Atos e falou ao JU sobre sua carreira (junho/2016). Em seu aniversário de 80 anos, entre outras presenças ilustres, a Universidade recebeu Gilberto Gil, que deu uma aula-espetáculo e concedeu uma entrevista ao JU (maio/2014). Já a edição de outubro de 2014, teve a presença do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica e do cientista social Boaventura de Souza Santos.

Outubro de 2014
Agosto de 2016

As diferenças não tornam as pessoas desiguais, mas ressaltam a DIVERSIDADE que constitui o ser humano. O Jornal da Universidade, sensível à relevância que o debate em torno deste tema vem tomando nos últimos anos, discutiu sobre a naturalização das relações de poder e dos processos de dominação, abordando o preconceito étnico, religioso e de gênero em suas páginas. Na edição de agosto de 2016, o Caderno JU abordava a violência a estudantes indígenas, cotistas e mulheres na UFRGS, e o posicionamento da instituição perante esses acontecimentos. O Jornal problematizou esses comportamentos, enfatizando a importância da pluralidade. Em maio de 2017, o CadernoJU refletiu sobre a hierarquização do conhecimento acadêmico, em que predomina um histórico de hegemonia do conhecimento nas universidades. Foi apresentada a disciplina Encontro de Saberes, que promove a diversidade cultural e a escuta sensível. Na reportagem, o Jornal deu enfoque ao papel de negros e indígenas como protagonistas, ressaltando a necessidade da interculturalidade no ensino superior. A nova realidade que se configurou com as cotas é esmiuçada pelo JU e, por meio das fontes entrevistadas, sustenta-se o desenvolvimento de uma universidade que não ignore as diversas formas de conhecimento e de realidade do mundo. Na edição de dezembro de 2016, a reportagem sobre religiosidade na Universidade rompeu com a ideia de que fé e razão são inconciliáveis. Nessa mesma edição, outra reportagem analisou os preconceitos em relação a práticas musicais distintas. O Jornal mostrou como o funk influenciou a comunidade do Morro da Tuca: as canções trouxeram novas representações sobre a população, de modo que a música passou a ser uma formadora de consciência crítica na região.

Na Feira do Livro de Porto Alegre de 2018, o JU realizou um sarau sobre as LEITURAS OBRIGATÓRIAS DO VESTIBULAR e fez circular durante o evento uma edição especial sobre o tema. O sarau reuniu atores e pesquisadores de Literatura para leituras dramáticas e discussões sobre duas das obras incluídas na lista. O evento se repetiu também em 2019 e, a partir daí se tornou permanente e ganhou um espaço próprio com uma página especial no site do JU. Além disso, desde então, circula uma edição especial impressa durante o Portas Abertas, evento que abre a UFRGS para estudantes de ensino médio conhecerem a Universidade.
Ainda no mês de novembro de 2018, o JU fez circular uma edição especial em diálogo com eventos do Novembro Negro organizados por inúmeras unidades acadêmicas para celebrar o Dia da Consciência Negra, circulando principalmente no dia em que se realizou a foto coletiva em frente ao Salão de Atos, o que gerou repercussão significativa.

Novembro de 2018
Dezembro de 2018

A reportagem Barreiras Transponíveis, publicada na edição de junho de 2018, de autoria do jornalista Felipe Ewald, recebeu o prêmio Rui Bianchi da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão ligado ao governo de São Paulo.
A matéria, que ficou em 2º lugar na categoria impresso, aborda a realidade de alunos com deficiência na UFRGS, sobretudo depois que a Universidade passou a reservar 25% de suas vagas a esse público.

Os conteúdos da edição impressa passam a ser reproduzidos no SITE desenvolvido pela programadora visual Carolina Konrath, que foi sendo redesenhado até a versão atual. Desde o início, além dos textos do impresso, também produzimos material exclusivamente para o ambiente digital aproveitando as suas possibilidades multimídia. Nesse sentido, esse conteúdo seguiu a lógica mensal, ainda que com redirecionamentos sempre que necessários. A dinamização do conteúdo, a circulação em si, passa a ter diferentes temporalidades: mensal na capa da edição impressa; semanal na capa do site do JU, no site institucional da UFRGS; e diária nas redes sociais por meio de postagens no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Março de 2019
Setembro de 2019

Em setembro de 2019, o JU lançou, em parceria com o Instituto Latino-americano de Estudos Avançados (ILEA), o projeto ESQUINAS, ciclo de debates que reúne, a cada edição, pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e uma plateia diversa para que, com a mediação de um jornalista da equipe do JU, discutam um tema da atualidade. O projeto busca, desse modo, reforçar o papel da Universidade como lugar de confronto de ideias ao abrir espaço para que todos os presentes possam falar, perguntar e provocar. O primeiro evento da série reuniu um público de 160 pessoas no Centro Cultural da UFRGS para debates sobre o tema Mudanças Climáticas com os pesquisadores Jefferson Cardia Simões, dos programas de pós-graduação em Geociências e Geografia, Lorena Fleury, do programa de pós-graduação em Sociologia, e Edson Talamini, da Faculdade de Ciências Econômicas e dos programas de pós-graduação em Agronegócios e Desenvolvimento Rural. Em outubro, o segundo debate integrou a programação do Encontro Nacional de Estudantes Indígenas (ENEI) e trouxe o tema Demarcação de Terras Indígenas. Os convidados foram Telma Taurepang, coordenadora geral da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira, Ana Patté, indígena do povo xokleng de Santa Catarina,  o professor do Departamento de Antropologia da Universidade José Otávio Catafesto e o procurador do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF-RS) Paulo Leivas. A terceira edição promoveu uma discussão ao redor do tema Censura e Liberdade de Expressão com a participação de Domingos Savio Dresch da Silveira, procurador regional da República no Ministério Público Federal e professor da Faculdade de Direito, Iana Gomes de Lima, professora da Faculdade de Educação, e Luis Augusto Fischer, professor de Literatura Brasileira da UFRGS.

Com a chegada da pandemia do coronavírus, as edições impressas precisaram ser temporariamente interrompidas. O JU buscou uma reorganização de caráter extraordinário para seguir produzindo e lançou edições exclusivamente online. A distribuição passou a ser feita por meio da NEWSLETTER que chega semanalmente à caixa de entrada de cerca de 8.300 pessoas da comunidade universitária.

Abril de 2020