Iniciativas de estudantes estão entre as 589 patentes já depositadas pela UFRGS

Ciência | Inovações surgidas na Universidade incluem processo de purificação de água e sensores para auxiliar pessoas com deficiência visual

Por: Vinicius Alves
Foto de capa: Flávio Dutra/JU

“A UFRGS tem um papel muito relevante no desenvolvimento de pesquisa e conhecimento. É importante tentarmos levar isso para a sociedade de alguma forma”, ressalta Therrése Torres, bacharela em Ciências Biológicas com ênfase em Biologia Marinha e Costeira e mestranda do Programa de Pós-graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH). Em seu TCC, no ano de 2018, ela desenvolveu uma pesquisa que utilizou biomassa de briófitas – grupo de plantas que inclui musgos, por exemplo – como agente de purificação de águas contaminadas por metais, processo conhecido por fitorremediação. A descoberta poderá ser usada para a criação de filtros residenciais e industriais, além de também servir para o tratamento da água.

Durante o período de testes, foram usadas três espécies de briófitas em águas contaminadas por ferro e cromo. Segundo Therrése, a escolha dos dois metais se justifica pelos problemas que causam: “O ferro é uma problemática no tratamento da água, e o cromo tem registros no pescado das lagoas, surgindo a possibilidade de os peixes absorverem esse metal”. Além dos metais, as briófitas também absorvem nutrientes como fósforo e nitrogênio, que também causam problemas nos corpos hídricos por conta do processo de eutrofização. “Os resultados foram superótimos e animadores”, completa a bióloga, que seguirá trabalhando com isso durante o mestrado no IPH e fará testes com outros contaminantes numa escala maior, longe do ambiente ideal dos laboratórios.

A motivação por estudar a questão da água vem desde o começo da graduação, período no qual ela esteve envolvida em projetos na área. A mestranda ressalta a importância de sua participação no Projeto Taramandahy, que faz a gestão integrada dos recursos hídricos da Bacia do Rio Tramandaí. No projeto ela desenvolveu um trabalho sobre metais no pescado que acabou sendo determinante para a escolha da sua área de pesquisa.

“Ver que estou produzindo algo que pode ser útil para melhorar a qualidade de vida das pessoas, e o meio ambiente é muito gratificante”

Therrése Torres

A descoberta da bióloga se tornou histórica por ter sido a primeira do Câmpus Litoral Norte da UFRGS a adquirir um registro de patente. A Universidade conta, até o momento, com um total de 589 depósitos de patente, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico (Sedetec).

Outra invenção que também recebeu registro foi a do engenheiro da computação Ricardo Sabedra. Durante as férias de verão em 2016, ele teve a ideia de criar um cinto com sensores que detectam obstáculos e avisam o usuário por meio de vibrações, podendo ser principalmente usado para auxiliar na locomoção de pessoas com deficiência visual. A distância dos objetos é mapeada em níveis de vibração, ou seja, quando um obstáculo está mais próximo, a vibração é maior e, quando está mais longe, é menor. “O intuito é deixar o sentido da audição do deficiente visual o mais limpo possível, tirando a responsabilidade única depositada sobre a audição. Por isso, usamos a vibração, um sentido que geralmente não é usado para auxiliar na locomoção”, explica.

Diagrama do projeto

A inspiração para o projeto veio da série de televisão Demolidor, cujo personagem principal é deficiente visual e combate o crime na cidade. “Diferente do filme, a série não mostra muito os equipamentos que ele usa para conseguir se locomover. Eu queria ter visto isso na série, foi então que me veio um ‘clique’ e pensei em criar alguma coisa parecida”, lembra. Na ocasião, ele tinha o objetivo de participar da Imagine Cup – competição anual patrocinada e hospedada pela Microsoft que reúne estudantes desenvolvedores de todo o mundo e visa transformar projetos acadêmicos em Startups.

Contando com a mentoria do professor do Instituto de Informática Antonio Carlos Schneider, o dispositivo ganhou melhorias e chegou à sua última versão ainda em 2016, quando foi criado um aplicativo com GPS que se comunica diretamente com o cinto. O GPS possibilita ao deficiente encontrar a melhor rota para determinado destino, dando estimativas precisas de tempo de locomoção.

O cinto produzido pela equipe de Ricardo Sabedra (foto de capa) possui sensores que indicam ao usuário obstáculos de maneira similar a um sonar. Utilizado conjuntamente com uma bengala, para a percepção de acidentes no solo, visa facilitar o deslocamento de pessoas com dificuldade de visão (Foto: Flávio Dutra/JU)
Ação busca dar mais visibilidade às inovações da UFRGS

Da parceria entre a Sedetec e o Núcleo de Produção Multimídia para a Educação (NAPEAD) surgiu a ação de comunicação Tecnologias UFRGS, que visa divulgar os resultados de pesquisas científicas e suas respectivas inovações tecnológicas desenvolvidas na Universidade.

Utilizando uma linguagem coloquial, leve e descontraída, a ação procura aproximar o público jovem da pesquisa e da propriedade intelectual. Para isso, foram criados cards especiais que remetem a super-heróis e representam algumas das invenções já patenteadas pela UFRGS. Inicialmente foram publicados 5 cards, e os trabalhos de Therrése e Ricardo estão entre as inovações representadas.