Jeferson Faleiro: passeio pela história e a arte de educar

Câmpus Centro | Professor conta sobre a sua relação com o Museu da UFRGS e sua relevância para uma educação mais interessante aos alunos de ensino básico

Muito além da falta que sente dos dias em que trocava ideias com os museólogos e viajava pelo tempo ao apreciar as exposições, para o historiador Jeferson Faleiro, o Museu da UFRGS, no Câmpus Central, representa outra saudade, também intimamente ligada ao local: a das salas de aula.

É que Jeferson trabalhou por dois anos, de 2018 ao final de 2019, em contrato emergencial, como professor do município de Arroio dos Ratos, na região metropolitana. Foi com os alunos das séries finais do ensino fundamental da Escola Municipal Miguel Couto que ele propôs atividades que mudaram a relação dos estudantes com a história. “Comecei a levar os alunos ao Museu da UFRGS para que eles tivessem outro tipo de contato com os assuntos estudados, para que não ficassem apenas com os livros. Tornamos a disciplina mais interessante, porque é um desafio manter o aluno focado nas aulas de história.”  

Formado em licenciatura pela UNIASSELVI, Jeferson começou a frequentar o Museu com os estudantes a partir de um estudo aprofundado sobre as culturas indígenas do estado. “Tinha uma exposição sobre os Kaingang na época. Depois dessa visita, mantive contato com o coordenador Zeca Flores, mas antes nem sabia que tinha um museu ali”, explica. Para ele, apesar dos limites da estrutura, ao entrar no Museu e se deparar com o mural de exposições, era possível esquecer até dos problemas pessoais. “Eu gostava porque as exibições não eram permanentes. Sempre tinha alguma novidade!”, relembra. A sensação de novidade também abraçou os estudantes, segundo o professor, pois muitos não conheciam sequer a Universidade.

Foi diferente para eles, porque, geralmente, eles são levados para o Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS, que é ótimo também, mas na UFRGS eles se soltavam, questionavam durante as mediações. Estar em uma cidade como Porto Alegre é outra realidade para eles; ficaram felizes!

Jeferson Faleiro

Além das visitas, os alunos tiveram contato com as caixas educativas do Museu – em especial com a de arqueologia – em que puderam trabalhar com artefatos indígenas e estudar sobre a culinária típica, por exemplo, para que os conteúdos fossem apresentados na feira de ciências municipal. Inspirados nesse material, as turmas criaram as suas próprias caixas para aplicarem no evento. “Nosso projeto era em homenagem à arqueóloga Niède Guidon. Em um caixa de madeira com terra, os participantes tinham que escavar, encontrar objetos e catalogá-los”, relembra.

Conforme as trocas foram avançando, o Museu da UFRGS também colaborou com projetos locais da cidade. “Criamos o Culturas 18, uma iniciativa para debater cultura e educação. O pessoal do Museu foi até Arroio dos Ratos para dar uma palestra sobre educação patrimonial.” O professor, que está há quase dois anos afastado das salas de aula, sente saudades. “Sinto falta do Museu porque sinto falta das salas de aula. O Museu fez parte da minha trajetória com os estudantes”, afirma. 

Jeferson ressalta ainda que a movimentação foi importante para a formação cidadã dos alunos. “Na nossa cidade, temos apenas o Museu do Carvão, essencial para a nossa memória. As pessoas precisam estar nesses espaços para preservá-los, para se conhecerem enquanto humanidade”, reflete. A parceria foi tão boa que ele não descarta futuras interações com a Universidade. “Minha ideia é que possamos levar futuramente à UFRGS e ao Museu um pouco da história da nossa região carbonífera”, conclui.


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto JU-UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: