Karen Espíndola: a presença e os espaços da Universidade

Planetário | Professora e vice-diretora da rede estadual relata que visitar a academia com estudantes contribui para democratizar o conhecimento

*Foto de capa: Flávio Dutra/JU

As idas ao Planetário não têm feito parte do ano letivo como costumavam fazer antes. Os sorrisos dos alunos, ao observar os diversos planetas, agora só podem ser vistos pela tela do computador quando há sessões de transmissões ao vivo. Ainda assim, não há como não sentir falta da animação, vozes e conversas.

Essa é a atual realidade da professora Karen Espíndola, que leciona e ocupa o cargo de vice-diretora no Colégio Estadual Odila Gay da Fonseca, no bairro Ipanema, em Porto Alegre. Formada em Licenciatura em Física, além de ter sido da primeira turma do mestrado profissionalizante na área na UFRGS, ela tem uma ligação bastante forte com a Universidade. Por isso, costuma levar seus alunos para visitar e utilizar espaços da instituição em suas aulas.

No Planetário, realizam diversas atividades e saem da rotina da sala de aula. “Sempre procurei levar meus alunos a lugares de aprendizagem diferentes dos da escola, por que eu acredito que às vezes aprendemos mais nesses espaços do que no quadradinho da sala de aula”, ressalta.

Durante a pandemia, no entanto, o Planetário vem realizando sessões online, com filmagens e transmissões ao vivo, além de conversas e explicações sobre Astronomia. Isso, porém, não substitui o presencial, quando a professora mostrava o espaço da Universidade dedicado ao aprendizado da Astronomia e propunha exercícios teóricos e dinâmicas. Era, pra ela, uma importante forma de os estudantes de educação básica ocuparem o ambiente acadêmico.

Karen, que frequentou escola pública, confessa que gostaria de ter tido a oportunidade que seus alunos estão tendo de visualizar as inúmeras opções e fazer suas escolhas, sabendo que ingressar numa universidade federal é uma possibilidade para eles. Proporcionar acesso ao ambiente acadêmico é, portanto, uma forma de mostrar aos estudantes de ensino médio da rede pública que aquele espaço também pertence a eles. Como vice-diretora, incentiva seus colegas docentes a fazerem o mesmo.

 “Temos que fazer a universidade estar dentro da escola, e a escola, dentro da universidade. Porque não adianta a universidade produzir conhecimento e isso ficar preso lá dentro. Esse conhecimento tem que ir para dentro da escola.”

Karen Espíndola
A saudade da presença

Durante o isolamento social, entretanto, houve a interdição ao uso de espaços físicos, tanto na escola quanto na universidade. Karen sente falta dos alunos, da sala de aula cheia, dos passeios, da correria do dia a dia na escola e da simples presença. “Toda vez que eu chego na escola, vejo aquele vazio. Corredores, quadras. Tudo vazio. Dá um aperto”, entristece-se.

Mas com a definição do retorno às aulas por meio da internet a tarefa de adaptação ao ensino a distância teve de ser enfrentada. A professora de Física reflete sobre a dificuldade  de cativar os alunos para que participem das aulas e liguem suas câmeras, traçando um contraste com o presencial, quando há um ambiente efusivo e cheio de energia.  

A vice-diretora pontua que os docentes tiveram de se reinventar para esse novo desafio, afinal, apesar de terem recebido formação do estado, Karen lamenta: “Muitos professores na minha escola não têm internet boa, não têm computador, moram em um lugar onde o sinal é ruim”.

Karen Espíndola pondera, também, que há um lado positivo no processo do ensino remoto, pois apesar das dificuldades a professora considera que o avanço tecnológico na educação deve acrescentar novas ferramentas no processo de aprendizagem. Ressalta, contudo, que o presencial é indispensável e que, antes de pensarmos no ano letivo de 2021, devemos lembrar dos alunos que não conseguiram concluir o atual. 

Vida estudantil

Karen ingressou no curso de Física da UFRGS em 1995, quando ainda não havia distinções entre o bacharelado e licenciatura nos primeiros semestres. Ela, porém, já tinha decidido sua paixão por ser professora: “No início convivíamos com colegas de todas áreas de formação da Física. As pessoas ainda não sabiam exatamente o que queriam, mas eu já tinha definido na minha cabeça”.

Ela concluiu a graduação quatro anos depois e relembra dessa época com carinho, principalmente em razão das vivências de estudo na biblioteca do Instituto de Física e das filas do Restaurante Universitário e do Bar do Antônio, no Câmpus do Vale. 

Karen conta que desenvolveu amizades com professores e, principalmente, com colegas da faculdade, mantendo contato até hoje. “Íamos superando as dificuldades do curso de Física com a amizade, com o estudo”, conta.

“Eu tinha colegas que vinham de fora e moravam na Casa do Estudante. Como eu sou de Porto Alegre, vinham para minha casa no fim de semana para estudar.”

Karen Espíndola

As inúmeras memórias do tempo de graduanda deixaram uma visão carinhosa da UFRGS por parte de Karen, que conta que na época passava muito tempo nos espaços da Universidade, especialmente no Câmpus do Vale, onde gostava muito de caminhar. “A minha vida era dentro da Universidade”, relembra.

Foto: Flávio Dutra/JU

A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto do JU e da UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: