Luísa Kornowski: empreendedorismo e colaboração

Câmpus do Vale | Estudante de Engenharia Ambiental conta sobre a rotina de quatro anos de envolvimento com empresas juniores na Universidade

*Foto: Arquivo pessoal

Fala-se sobre estudar Engenharia e logo se pensa: cálculos, laboratório, ciências exatas, números. Sim, esses são alguns dos elementos presentes. Mas e se estudar Engenharia fosse também comunicação, escrita e gestão? Para Luísa Kornowski, graduanda de Engenharia Ambiental do sexto semestre, a experiência do curso na Universidade tem unido todas essas coisas.

Em 2017, ano em que entrou na UFRGS, ela já iniciou um percurso que atravessaria praticamente toda a graduação até aqui. Inscreveu-se para a Mandala, empresa júnior de Engenharia Ambiental, começando como trainee. Permaneceu na EJ – forma como, carinhosamente, os integrantes se referem a ela – por três anos e passou por todos os setores da empresa. “Passei desde a área de trainee, consultora, que é quando tu começa a se ambientar. Depois de um tempo, quando senti que já estava com uma experiência boa, me candidatei à diretoria de projetos da empresa. E, no primeiro semestre do ano passado, me candidatei à presidência”, conta.

Quando pensa na rotina antes da pandemia, Luísa lembra do dinamismo. Estava sempre para lá e para cá no Instituto de Pesquisas Hidráulicas, no Câmpus do Vale, onde ficam sediados o curso de Engenharia Ambiental e o espaço físico da Mandala. Era, para ela, um lugar de encontro do qual sente saudades.

“Sinto muita falta da rotina do dia a dia, de estar com as pessoas. Na época da EJ, a gente estava sempre passando na nossa sala, almoçando, trocando ideia em relação a diferentes assuntos – não só em relação ao trabalho. Era uma troca muito legal que acontecia”

Luísa Kornowski

Durante os três anos na Mandala, foram vários os projetos realizados. Em 2018, a EJ de Engenharia Ambiental, junto a EJ de Engenharia de Produção, havia recebido um desafio: propor um projeto para melhoria da educação pública no Brasil. Encabeçado pelo movimento Todos Juntos Pela Educação, o desafio era nacional e reuniu empreendedores jovens de todo país. A Mandala foi a equipe vencedora. “Naquele momento, a gente ganhou uma visibilidade nacional, então foi um projeto bem marcante em toda minha trajetória”, lembra. 

Desafio Todos Juntos pela Educação – SP 2018 (Foto: Arquivo pessoal)
Novos desafios 

No segundo semestre do ano passado, Luísa entrou para o Núcleo de Empresas Juniores de Porto Alegre (NEJ-POA). O grupo assessora e orienta EJs da cidade. Apesar do desafio de ingressar em uma equipe de forma remota e, ainda assim, continuar promovendo encontros como os que aconteciam antes da pandemia, Luísa conta que eles têm conseguido se adaptar. “Conseguimos fazer a formação de time no ano passado e tivemos resultados muito positivos. A gente formou um time muito unido, muito forte.” Ela, conta, porém, que a sensação é diferente de conhecer pessoalmente os colegas. 

Uma das características do trabalho com empresas juniores é a colaboração, o trabalho em rede. A estudante recorda que, antes da pandemia, eram frequentes os encontros entre os integrantes para o chamado benchmarking: uma espécie de reunião informal para que um membro possa ajudar o outro com algum problema. “Essa facilitação acontece também no virtual, mas era ainda maior no presencial.”

Por enquanto, Luisa pensa que a solução é encontrar maneiras de reunirem-se online. Ela e o time do NEJ-POA têm procurado fazer momentos de coworking para manter o contato e nutrir os vínculos.

“Todo muito faz tanta coisa, e acho que tu passar por esses momentos com pessoas do teu lado, que estão ali para descontração também, torna a rotina muito mais leve. Agora as demandas ficaram muito maiores e muito mais pesadas, porque a gente está realmente sozinha. A gente marca reuniões, mas não tem o contato diário, aquela conversinha no corredor, o café.”

Luísa Kornowski

Outra característica das EJs eram as imersões, em que toda rede municipal, estadual ou nacional se reunia para discutir e compartilhar vivências sobre o empreendedorismo jovem. “Eu acredito que a gente da rede no NEJ esteja realmente sentindo falta desses eventos, porque, mesmo fazendo os encontros online de forma bem abrangente e diversa, esses momentos presenciais fazem falta pela conexão e pelo contato entre os estudantes.”

Encontro Nacional das Empresas Juniores – Gramado 2019 (Foto: Arquivo pessoal)
Aplicação do projeto de educação ambiental para alunos do EJA – 2019 (Foto: Arquivo Pessoal)
Transformação pessoal e social 

Luísa não imagina como teriam sido seus quatro anos de Universidade sem a experiência das EJs. “Realmente acho que eu não seria a profissional que vou sair se eu não tivesse passado pelo Movimento Empresa Júnior. Acho que foi, para mim, a experiência mais importante”, conta. Segundo ela, a vivência não foi apenas complementar, pois pôde aprender, inclusive, conhecimentos técnicos da Engenharia Ambiental – além de habilidades como a comunicação, a escrita e a conversa com clientes. 

Pertencente ao eixo da extensão da UFRGS, o Movimento é responsável por um engajamento social importante. Todos os projetos realizados têm algum impacto social, o que, segundo Luísa, deve ser sempre uma responsabilidade. No caso da Mandala, por exemplo, uma das iniciativas voluntárias é a de educação ambiental para escolas e empresas. Já o NEJ tem seu planejamento estratégico alinhado com os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. 

“Acredito que nós, como estudantes, precisamos ter muita ciência e responsabilidade de que estamos em uma universidade em que a gente recebe tudo, em que a gente tem acesso a muito conhecimento. Acredito que temos responsabilidade de passar [esse conhecimento] para a população, para a sociedade, e por isso penso que o lugar da extensão é muito importante.”

Luísa Kornowski

A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto JU-UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: