Meu lugar na UFRGS: Ana Cristina Araújo

(Foto: Rochele Zandavalli/Secom)
Coleção Ornitológica da UFRGS | Dedicação que marca

Quem vê o primeiro prédio de tijolos à vista à direita, na Faculdade de Veterinária (Favet) da UFRGS, não imagina o que tem ali. Logo na entrada principal, ao lado das catracas, há um esqueleto de avestruz, indicando o que vai se encontrar mais adiante. É o Prédio 36 da Favet, onde a professora de Anatomia Animal e coordenadora da Coleção Ornitológica da UFRGS, Ana Cristina Araújo, trabalha há seis anos. “Sempre estudei aqui, da graduação ao doutorado”, comenta sobre o vínculo de 19 anos que tem com o câmpus. Como professora da Favet, coordenou o projeto de restauração da Coleção Ornitológica da UFRGS, inaugurada em agosto do ano passado. Primeira do gênero no Estado, a exposição está no Prédio de salas de aulas da Faculdade, perto de seu gabinete de trabalho.

E isso também é significativo para Ana, que conheceu a coleção na graduação, ao entrar na faculdade. “Quando ia para as aulas de Anatomia, via essas peças no corredor deixadas de lado. E isso me incomodava muito”, relata. Quem diria que, anos mais tarde, seria ela quem encabeçaria a restauração de tudo aquilo.

A partir de um projeto de extensão, salvaram-se 62 dos 644 exemplares. Alunos, professores e técnicos da Faculdade de Veterinária e do Instituto de Biociências participaram da atividade. “Agora, a coleção está em um espaço maior e mais visível”, analisa positivamente.

Na Universidade, Ana Cristina trabalha com morfologia de animais domésticos. Os exemplares disponibilizados pela faculdade incluem cavalos, ovelhas, porcos, cães, gatos e galinhas. Dentro do prédio em que leciona, há laboratórios c om esqueletos vultosos e diversos órgãos mergulhados em formol dentro de caixas. Ana se orgulha: “são salas organizadas e bem equipadas,” além de mostrar o trabalho minucioso de montagem do material coletado.

A diversidade de espécies também surpreende quem entra no prédio. Muito disso vem da necessidade que os professores têm de possuir conhecimento diversificado. “Temos que explicar no mínimo cinco espécies para os alunos, e elas são muito diferentes entre si”, pontua.

Ana já começou a dar aulas durante o seu doutorado como professora substituta, após o falecimento de Tânia, docente da mesma área. “Depois dessa experiência, pensei: ‘Acho que isso é algo que consigo fazer por uns 35 anos’”, relembra. Após um ano lecionando na Universidade Federal de Pelotas, foi chamada para ser professora no Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS. “Mas o que eu realmente queria era ficar na Anatomia”, revela.

Com a criação do curso de Zootecnia, em 2012, o MEC liberou uma vaga para o departamento de Agronomia, que disponibilizou para a Morfologia. “E desde 2013, sou professora de Anatomia pela UFRGS”, registra sorridente.

Hoje, no prédio, ela ministra a disciplina para os cursos de Medicina Veterinária, Agronomia, Zootecnia e, a partir deste ano, como eletiva para Ciências Biológicas. “A nossa rotina é bem puxada, temos um volume muito grande de turmas e de alunos”, comenta. A estimativa é de que, até agora, quase duas mil pessoas já passaram pelas suas aulas.

E, apesar da matéria pesada, Ana faz parecer mais agradável.“Durante o período letivo, muitos alunos vêm aqui para tirar dúvidas ou até mesmo para conversar, tomar um café”, conta. Além dos laboratórios, também há escritórios e outras salas dentro do prédio que é o seu local de trabalho.

Fotos: Rochele Zandavalli/ Secom

Ana, que sempre quis fazer o curso de Veterinária, é reconhecida pela sua dedicação e comenta a sua identificação com o Câmpus: “Me sinto muito bem nesse lugar. Até brinco com a minha filha que, quando morrer, quero que me cremem e joguem minhas cinzas onde estão as ovelhas (atrás do prédio onde trabalha), para que eu permaneça aqui”.

| Esta coluna é uma parceria entre o JU e a UFRGS TV. Os programas serão exibidos no Canal 15 da NET diariamente às 20h e às 23h. |

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Olhar de repórter

Como a ideia dessa matéria é relacionar alguma pessoa vinculada à UFRGS ao seu local de trabalho ou ao espaço que mais frequenta, a principal dificuldade em relação ao texto foi torná-lo mais descritivo, ao mesmo tempo que literário e jornalístico. A minha ideia foi tentar apresentar a Coleção Ornitológica da Faculdade de Veterinária ao leitor que nunca visitou o local, dando pistas e descrevendo o espaço para instigar sua imaginação. Durante a redação, tive de ligar algumas vezes para a professora a fim de confirmar dados.

Carolina Pastl

Estudante de Jornalismo da UFRGS