Meu lugar na UFRGS: Geni de Sales Dornelles

*Publicado na Edição 225 do JU

Centro de Estudos e Pesquisas em Administração (CEPA) | Uma trajetória pioneira
Foto: Flávio Dutra/JU

“Pode entrar, é no final do corredor.” Assim Geni de Sales Dornelles nos convida para conhecer o Centro de Estudos e Pesquisas em Administração (CEPA). No terceiro andar da Escola de Administração, chegamos a um corredor comprido com diversas salas, o que pode até confundir quem ali chega pela primeira vez, mas que Geni demonstra conhecer muito bem. Mesmo aposentada, a professora revela que não abandonou o CEPA e está sempre disposta a atender ex-alunos e ex-colegas, com quem mantém uma boa relação – inclusive segue participando das tradicionais festas de Natal do setor.

Quem transita pela Escola de Administração entre as salas de aula e a biblioteca pode não notar a sucessão de portas no terceiro andar, onde está o Centro, que se divide em diferentes repartições: a direção, a secretaria e, bem ao fundo, a sala de reuniões, com mapas de algumas cidades do estado nas paredes, logo acima dos computadores. É o lugar com que Geni se mostra familiarizada e no qual conta sobre os projetos realizados.

Durante seis anos foi diretora de toda a Escola e, por isso, relembra a rotina de coordenar pesquisas em diversos setores – públicos e privados. Ela afirma que o CEPA, que completou 60 anos em julho, é uma espécie de “célula mater, o lugar onde começou a Administração”, pois o curso foi criado em 1962 e, no Rio Grande do Sul, houve a participação direta do órgão na sua criação. Em questão de pioneirismo, Geni revela uma lista de trabalhos realizados pelo Centro: ela foi a primeira pessoa que coordenou uma pesquisa de opinião eleitoral no estado e também realizou pesquisa por telefone, já que o órgão foi contratado pela então Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).

Naquela época, o CEPA se localizava na Faculdade de Ciências Econômicas, no Câmpus Centro. Sorri ao lembrar que faziam muitas coisas em um pequeno espaço no quarto andar do prédio. Quando a Escola de Administração mudou-se para sede própria, no final dos anos 1990, Geni já tinha se aposentado à época da mudança, mas, como ela mesma conta: “Eu não consigo parar de trabalhar, nunca me desliguei totalmente daqui”.

Foto: Flávio Dutra/JU

Natural de Bento Gonçalves, Geni conta que a UFRGS era sua única chance de ingressar em uma universidade. Passou no vestibular em 1969 e em setembro daquele mesmo ano entrou para o Centro de Estudos e Pesquisa em Administração como entrevistadora. “Apareceu a oportunidade de fazer um estágio no CEPA, e um colega me avisou. Fiz a entrevista e passei em primeiro lugar. O Centro foi o espaço de trabalho que me acolheu quando eu cheguei em Porto Alegre”, lembra.

Confessa que somente quando entrou no CEPA é que foi aprender sobre metodologia da pesquisa científica, e por isso defende a academia e os centros de pesquisa. Segundo ela, é nesses espaços que está a ponta do pensamento. “As pessoas que passam por aqui andam pelas melhores universidades do mundo.”

“Minha vida no CEPA foi sempre o trabalho com projetos e pesquisas. Os projetos passavam, as pesquisas eram concluídas, equipes novas eram montadas. Muita gente passou por aqui”, recorda com um sorriso de orgulho. Quando perguntada sobre sua relação com o órgão, responde de pronto: “Minha trajetória na UFRGS foi quase toda no CEPA”. Geni também revela que se realizou profissionalmente dentro da academia e ressalta a importância dos espaços de pesquisa, de se aproximar o conhecimento acadêmico da comunidade: “Acho que todas as pessoas deveriam passar pela universidade”, enfatiza.

Karoline Costa

Estudante de Jornalismo na UFRGS