Meu Lugar na UFRGS: Paulo da Silva Eckard

Centro de Processamento de Dados |
Foto: Flávio Dutra/JU

“Se quiser anotar, tá aqui, ó. Início: 1.º de junho de 1973. Fecha 46 anos”, conta Paulo da Silva Eckard orgulhoso, apontando para um pedaço de papel no qual está registrada a sua data de ingresso no Centro de Processamento de Dados da UFRGS, o CPD. Aos 68 anos, o almoxarife é um guardião da história desse lugar que ele mesmo ajudou a construir. Segundo Paulo, o atual salão de festas, que fica nos fundos do prédio, é fruto de uma ideia que teve com alguns colegas. “A proposta inicial era fazer só uma churrasqueira, colocar uma muretinha, um toldinho… Mas aí como ia ser em dia de chuva? Então fecha aqui, fecha ali… em resumo: faz 40 anos que [o salão] tá aí, e até hoje o pessoal usa. Tem freezer, churrasqueira, fogão, pia. Tem tudo.”

O CPD foi criado em 1968 nas dependências da Escola de Engenharia com o objetivo de fornecer à Universidade serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação. Em 1970, ganhou nova sede, no antigo estacionamento próximo ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde permanece até hoje. Paulo diz que, nessa época, era muito diferente. “No início, só tinha a sala do sistema, os banheiros e algumas salas. Parecia obra sem acabamento, sabe?” Segundo ele, na área em volta, onde hoje existem a Creche do hospital e o Restaurante Universitário do Câmpus Saúde, havia apenas mato.

Foto: Flávio Dutra/JU

Hoje, Paulo é almoxarife, compondo a equipe da gerência administrativa e tendo sob sua responsabilidade o Setor de Manutenção e Segurança do prédio. Quando ingressou na UFRGS, no entanto, operava computadores. Entre outras coisas, seu trabalho era lidar com as máquinas que faziam a leitura dos cartões perfurados. Considerados precursores da memória dos computadores modernos, esses cartões continham informação codificada por meio da presença ou ausência de perfurações em posições pré-definidas e eram utilizados para o processamento e o armazenamento de dados. Paulo conta que o serviço era prestado principalmente a alunos do curso de Engenharia Eletrônica, mas que o CPD também atendia empresas.

Por conta dos equipamentos e materiais de escritório que se faziam necessários, o almoxarifado, naquela época, era muito maior. Hoje, quase tudo é feito nos próprios computadores, de modo que, nas prateleiras do novo almoxarifado, o que mais se vê são canetas, CDs, DVDs e produtos de limpeza. Ainda que tenha diminuído em tamanho, ele não deixou de ter importância: com o tempo, as demandas foram crescendo, e surgiu a necessidade de se encontrar alguém para assumi-lo. “Na época, a direção me fez a proposta, porque era algo com que tinha de ter muito cuidado; tinha coisas muito caras, tinha certa responsabilidade, e eu era uma das pessoas mais antigas daqui”, explica. O fato de ser um veterano, contudo, não o impede de seguir evoluindo. Para ele, o convívio com os colegas lhe ensinou muito, e segue ensinando.

“O pessoal que a gente vê entrando tem ideias, pensamentos um pouco diferentes dos que nós tínhamos, mas não vou dizer que já sei tudo. Não sei. Cada dia surge uma novidade, e eu tenho que evoluir, não posso ficar pensando só no meu tempo.”

Paulo da Silva Eckard

Depois de 46 anos, Paulo nutre um carinho especial pelo CPD. Ao pensar na aposentadoria, à qual já tem direito, sorri: “Eu sempre falava pra uma colega: ‘Quando fechar meu tempo de serviço, no dia seguinte tô indo embora.’ Sempre dizia isso, mas não é bem assim. Com 68 anos, sigo aqui, trabalhando, e gosto de vir pra cá. Me sinto bem e, por isso, não tenho vontade de parar. O CPD é uma parte da minha vida”.


Natalia Henkin

Estudante de Jornalismo da UFRGS