Mostra Ars Sexualis exibe obras de diferentes artistas em exposição online

Artes Visuais | Apresentação que integra o Seminário de Artes: Discursos e Dispositivos para Pensar as Sexualidades traz questionamentos sobre diversidade sexual na produção artística

*Foto de capa: Reprodução Ars Sexualis

Trazer à superfície temáticas que são vistas com marginalidade ao longo da história da arte: nesse propósito está ancorada a Mostra digital Ars Sexualis, em que estão expostas obras com temas como pós-pornografia, contrassexualidade, nudez e gênero. Com exibição até 25 de outubro, a exposição promovida pelo Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS é permeada de reflexões sobre a pluralidade dos corpos e suas ambiguidades visuais.

Com participação de 10 artistas de diferentes lugares do país, a Mostra reúne produções de várias linguagens, como fotografia e videoarte, sempre indagando o grande leque que é a sexualidade humana. Segundo Suellen Gonçalves, estudante de História da Arte e uma das curadoras do evento, as obras são apenas algumas perspectivas do que seria a Ars Sexualis. “A gente pôde ver que todas essas obras trouxeram muito o pessoal de cada artista, o modo como eles lidam com as suas sexualidades. Eles nos davam obras que achavam que os representavam dentro da Mostra. Todos tiveram essa liberdade”, explica.

A mostra tem a intenção de misturar o que é polido e higienizado com o que é explícito e berrante. A ideia é mostrar que os dois tipos de obras podem ocupar um espaço de museu, por exemplo, pois tratam do mesmo assunto: sexualidades dissidentes na arte. 

“Um dos principais questionamentos do Seminário que respinga na Mostra é: por que a palavra pornografia não é aceita e o erotismo é? É isso que a gente quer questionar. A gente quer ver as respostas dos outros e começar a discutir sobre isso; não queremos fechar em uma resposta, e sim debater”

Suellen Gonçalves
Sem título (2008), de Ali do Espírito Santo (Ars Sexualis/Reprodução)

Apesar de o Seminário e a Mostra Ars Sexualis terem alcançado um circuito artístico grande, dentro e fora do âmbito acadêmico, essa temática ainda é vista como um tabu. Segundo Suellen, quando o evento foi pensado, houve certa resistência da academia em função das temáticas serem pouco discutidas, principalmente no Rio Grande do Sul. “A sexualidade é um dispositivo de arte e um dispositivo social. A partir do momento em que se começa a falar disso, é como jogar uma bomba, um gatilho na sociedade e nas instituições para que se comece a discutir tais temas.” 

Por isso a graduanda aponta a importância de grupos de pesquisa que questionem a intersecção entre arte e sexualidade. Assim, aos poucos, as referências sobre esse tema e o acolhimento dos estudantes que queiram se aventurar em pesquisar sobre prazer e corpos dissidentes serão cada vez maiores. 

“Na maioria das vezes é a partir do gênero que se chega à sexualidade, mas a gente não reflete sobre saúde sexual, por exemplo, ou sobre a prática sexual, o prazer. Por que a gente é tão julgado por falar dos nossos prazeres e por querer prazeres diferentes?”

Suellen Gonçalves

Embora o caráter digital da exposição possibilite uma maior adesão do público e uma expansão de olhares para as obras, Suellen aponta a vontade de levar a Mostra para o espaço físico. “Alguns artistas trabalham na internet e no Instagram, que é censurado – as obras são repetidamente censuradas. Inclusive a própria plataforma da exposição censurou alguns trabalhos, então, quem sabe um dia a gente consiga transformar esse virtual em físico.”

A Mostra Ars Sexualis acontece pelo canal digital Artsteps, um espaço que ultrapassa os limites físicos do cenário artístico, ao mesmo tempo que permite uma interação e uma comunicação maior com o público que busca esse tipo de cultura online.  

Sulcos – Série em branco (2020), de Ana Hoffman (Ars Sexualis/Reprodução)