Mostra discente fará parte da programação que celebra os 40 anos do Unimúsica

Cultura | Festival é um dos projetos culturais mais longevos do Brasil e conta, neste ano, com apresentações de artistas locais, nacionais e internacionais e também de estudantes da UFRGS

*Foto de capa: Andrew Sykes/DDC-Divulgação

O Unimúsica, festival cultural organizado anualmente pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS (DDC), completa em 2021 quatro décadas de existência. Por essa razão, a edição deste ano, com a temática ‘música da presença’, será especialmente celebrada e incluirá em sua programação também uma mostra discente, algo que não ocorre no projeto desde 2008.

A ideia inicial de incluir trabalhos dos alunos no festival deste ano é celebrar o aniversário do Unimúsica também com a comunidade estudantil da Universidade, como ressalta Lígia Petrucci, curadora principal do projeto.

“A gente terá artistas locais, nacionais, internacionais, e também os estudantes, então terá toda uma geografia de artistas contemplada. São os 40 anos do Unimúsica, é uma data emblemática, nada mais pertinente do que também celebrar com os estudantes da Universidade”

Lígia Petrucci

Além de comemorar a data especial com os alunos, a inclusão dos seus trabalhos na programação do Unimúsica visa também estimular os estudantes a criarem trabalhos colaborativos entre si. Como explica Ana Laura Freitas, coordenadora de projetos do DDC, o edital da mostra, que foi aberto na última terça-feira, dia 25, é uma oportunidade para alunos de diferentes cursos interagirem profissionalmente.

“O chamamento é para estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação em Música, Teatro, Dança e Artes Visuais, sendo convidados a criarem trabalhos colaborativos e transdisciplinares. A ideia é colocar também estudantes de cursos diferentes para trabalharem juntos, com diferentes linguagens artísticas, para que esses estudantes dialoguem e produzam esses trabalhos juntos.”

Para facilitar intercâmbios entre alunos de cursos diferentes, criou-se o Mural de Encontros, um espaço especial no site do evento com o intuito de fomentar o surgimento de parcerias em tempos de ensino remoto emergencial, destaca Ana Laura.

“É como se fosse um Linkedin dos alunos da UFRGS, um espaço para os estudantes se conhecerem melhor e terem contato com as informações profissionais de outros colegas. Eles têm até o dia 3 de setembro para participar do festival, com vídeos curtos, com duração de 5 ou 7 minutos, produzidos dentro do distanciamento social recomendado. Então a ideia é ter trabalhos audiovisuais transdisciplinares, inéditos, produzidos por alunos da UFRGS, e para facilitar esse encontro a gente criou o mural.”

Pandemia mudou o formato do festival pela primeira vez

Realizado desde 1981, o Unimúsica tem na relação próxima entre artistas e público uma de suas principais marcas. Em razão da pandemia, no ano passado, o festival teve a sua primeira edição virtual.

“Pela primeira vez em toda a sua história, o Unimúsica não teve shows presenciais no palco do Salão de Atos da UFRGS e se transformou em um festival online. Realizamos o Forrobodó, que reuniu 25 mulheres instrumentistas em cinco noites, e foi todo um aprendizado de como fazer o projeto nessa forma, transformar o formato para virtual, se relacionar com o público, e ficamos bem felizes com o resultado”, conta Ana Laura.

Com a produção do Unimúsica de 2020 toda a distância, incluindo a sua realização, um dos maiores desafios foi achar uma maneira de substituir um dos principais fatores de sucesso do festival, que é o encontro.

“Mudamos radicalmente a forma de realização, pois era um projeto essencialmente da cena do presente, do encontro entre artistas e espectadores, que tem muito forte essa atmosfera do encontro, e já conta com um público fidelizado muito grande, atmosfera essa muito própria do festival. Na passagem para o online, isso tudo fica um pouco comprometido, e a gente teve que aprender a produzir um espetáculo virtual em pouquíssimo tempo, e sempre buscando fazer o festival o mais perto dessa atmosfera possível. Com a difusão do festival pelas plataformas digitais, de certa forma nós até ampliamos o nosso público”

Lígia Petrucci

Completando quatro décadas de existência, o Unimúsica é um dos projetos culturais mais longevos do país e tem como mérito o fato de usar o espaço de uma universidade federal para reafirmar a importância da música popular brasileira.

“Um aspecto importante da permanência desse projeto ao longo de tantos anos, com as características que tem, é oferecer uma programação musical de alta qualidade em um espaço de uma universidade pública, com uma curadoria regida não por interesses comerciais, mas por um olhar sempre muito sensível para a cena da música brasileira, e oferecida de forma gratuita para toda a população, não só para a comunidade acadêmica”, avalia Ana Laura.

Ao longo de todos os seus anos de realização, o festival se tornou marcante para a cena cultural de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, e também ajudou a consolidar a carreira de diversos artistas locais, como Nei Lisboa, Vitor Ramil e muitos outros que passaram pelo palco do Unimúsica. Além disso, outra característica memorável do projeto são também os shows dos artistas de fora do estado. Envolvida com a realização do Unimúsica há praticamente vinte anos, Lígia Petrucci já presenciou muitos desses momentos inesquecíveis.  

“Escolher o momento preferido é como escolher o filho preferido, é muito difícil. Posso falar da Elza Soares em 2016, que mobilizou muito a plateia, teve uma intensidade de emoção muito forte. Foram tantos encontros bonitos, Tom Zé, o Luiz Melodia, que fez o seu último show em Porto Alegre no Unimúsica; teve o show da Bethânia, o da dona Ivone Lara, o da velha guarda da Portela em 2006, teve muita coisa bonita, todos tocam à memória por motivos diferentes”, rememora.