Ações de internacionalização promovem a diversidade cultural da UFRGS

*Publicado na Edição 227 do JU

Internacional | Projetos para desenvolver a inserção mundial da instituição integram ensino, pesquisa e extensão
Katarina, Santiago e Julia, intercambistas da Alemanha e Argentina

“Um semestre vai ser bem pouquinho. Queria ficar mais”, revela o intercambista argentino Santiago Rivero Stocco. Em apenas um mês de Porto Alegre, já começou a prever o saudosismo que sentirá em dezembro, quando retornar ao país vizinho. Estudante de Engenharia de Produção da Universidad Nacional de La Pampa (UNLPam), na cidade de General Pico, veio para a UFRGS por meio de um convênio entre as instituições e relata estar em casa. Toma mate, come churrasco e até achou um time para jogar futebol.

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Ele é um dos cerca de 300 estudantes que a UFRGS recebe anualmente por meio dos programas de mobilidade acadêmica, uma das ações da proposta de internacionalização da Universidade. Além de ter como parte importante do trabalho acolher estrangeiros e facilitar a ida de alunos brasileiros para outros países, a Secretaria de Relações Internacionais (Relinter) tem uma visão bem mais abrangente sobre o que é e como tornar a entidade mais internacional. “O conceito envolve trabalhar com a dimensão mundial e multicultural em toda a Universidade, abrangendo ensino, pesquisa e extensão e atendendo alunos, professores e técnicos. É ampliar as experiências que oferecemos para as pessoas”, explica o secretário de Relações Internacionais, Nicolas Bruno Maillard.

Nesse sentido, a Relinter coloca a internacionalização como um meio para aumentar a diversidade na academia.

“Ao ampliar as opções para expor nossos pesquisadores e nossos alunos a um número maior de culturas, providenciamos experiências mais ricas a todos. Isso possibilita renovar ideias, capacitar melhor nossos alunos, preparar nossa comunidade para o convívio em um mundo mais integrado do que no passado e produzir conhecimento mais amplamente qualificado”

Plano Institucional de Internacionalização

Entre os exemplos de ações realizadas, estão capacitações em idiomas, presença de professores de diferentes origens, disciplinas e cursos em línguas estrangeiras e projetos de pesquisa internacionais.

Estrangeiros

Foi por causa da capacitação em língua portuguesa que recebeu na Universidade de Bochum, na Alemanha, que a estudante de Física Katarina-Sophie Flashar decidiu vir ao Brasil. Sem conhecer o país, pesquisou cidades e universidades na internet e escolheu Porto Alegre por causa do tamanho e da qualificação do ensino de Física da UFRGS. “Não queria uma localidade muito grande, porque minha cidade, Bochum, não é muito grande (tem cerca de 400 mil habitantes). Gostei de Porto Alegre porque tem muitas opções culturais, muitas coisas acontecendo, e a UFRGS tem um acordo bilateral com a minha universidade, o que facilitou muito”, explica a alemã que chegou em fevereiro deste ano.

Katarina comenta com alegria que pode aproveitar disciplinas oferecidas por outros cursos, como Geologia, além da Física. “Na Alemanha, tenho apenas sete ou oito opções de cadeiras eletivas que posso escolher para contar como créditos para a minha formação. Aqui na UFRGS, a oferta é enorme”, relata Katarina, que neste semestre se matriculou em aulas de Libras.

O ensino também chamou a atenção da argentina Julia Antenucci, que chegou em agosto para estudar Licenciatura em Matemática. “Estou gostando muito das cadeiras de Educação em Matemática.
Na minha universidade, temos apenas seis disciplinas de diferença entre a licenciatura e o bacharelado, é muito similar. Aqui, tem mais aulas de Pedagogia. Isso vai ser muito importante para a minha carreira como professora”, conta a estudante da Universidad Nacional de Mar del Plata, na cidade de Mar del Plata.

Atualmente, a UFRGS possui acordos com 270 instituições internacionais de 35 países. França, Espanha e Alemanha são os três locais com maior número de universidades parceiras: 50, 35 e 31, respectivamente.

Laços multilaterais

Para promover cada vez mais ações internacionais, a UFRGS aposta em estratégias para estreitar laços bilaterais e multilaterais com outras instituições, países e blocos regionais, como a União Europeia e o BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul).

No Plano Institucional de Internacionalização, a universidade pontua que possui relações históricas com todos os países do oeste europeu e da América do Norte, que possuem forte impacto científico. Entre os resultados dessas parcerias estão artigos publicados em coautoria, projetos conjuntos de pesquisa, coorganização de eventos científicos e a captação conjunta de recursos através de programas bilaterais, como Erasmus+ CBHE e Jean Monnet e Horizon2020, e unilaterais, como com a Suécia e a Noruega.

A Relinter também comemora o fato de outras universidades procurarem a UFRGS para parcerias sobre temas específicos. “Dois exemplos em duas áreas distintas são o recém-criado Centro de Estudos Europeus e Alemães, com fomento do DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst, organização alemã de intercâmbio acadêmico), o único dos 21 no mundo que está localizado no hemisfério sul, com vocação para tratar de ciências humanas e linguística, e o Laboratoire International Associé CNRS LICIA, em computação, com fomento francês da Université de Grenoble Alpes”, informa o Plano Institucional de Internacionalização.

A Universidade também tem trabalhado para avançar nos contatos com a China e com a Rússia. A instalação do Instituto Confúcio na UFRGS em 2011 – instituição sem fins lucrativos, dedicada ao ensino da língua e da cultura chinesas, presente em outras nove universidades brasileiras – contribuiu para estreitar a relação com os asiáticos. Atualmente, a China é o segundo país que mais envia intercambistas para a universidade, atrás apenas da Colômbia. Com a Rússia, a aproximação da instituição começou em 2014, possibilitando pesquisas e parcerias nas áreas de microeletrônica, cibersegurança e políticas públicas.


Fernanda da Costa

Repórter