Os dois lados de uma experiência

Juliana Jobim, docente da Faculdade de Odontologia (Foto: Isabel Linck Gomes)
Câmpus | Ex-petiana assume o Programa de Educação Tutorial (PET) da Faculdade de Odontologia

Dentre todas as vivências que diferenciam a experiência entre ser aluno e ser professor, Juliana Jobim, docente da Faculdade de Odontologia, compartilha algo comum às duas fases de sua vida: ser integrante do Programa de Educação Tutorial (PET). Graduada em Odontologia pela UFRGS, Juliana ingressou no PET quando estava no segundo semestre do curso, em 1997.  Na época, o programa tinha um formato diferente do que tem hoje: sua proposta era preparar os alunos para a pós-graduação por meio de uma formação em pesquisa que se baseava na realização de seminários, na análise de artigos, em visitas técnicas e discussões científicas. “Era para formar um aluno com um espírito crítico e com um potencial multiplicador dentro da Universidade; espírito de amor pela ciência mesmo”, relembra.

Juliana permaneceu no programa até o término da graduação, no ano de 2000, deixando a Universidade com o desejo de retornar como professora e pesquisadora. Segundo ela, o PET foi um elemento essencial desse desejo, visto que foram as atividades desempenhadas no programa que despertaram nela o interesse pela carreira acadêmica, a qual Juliana perseguiu por meio do mestrado e do doutorado em Cardiologia Dentística, ambos pela UFRGS. Entrelaçando, inicialmente, a pós-graduação com a função de professora substituta, em 2010, último ano do seu doutorado, ela deu início à carreira de docente da Faculdade de Odontologia da UFRGS.  

A oportunidade de ingressar no PET Odontologia, dessa vez na posição de docente para tutorar os petianos, surgiu por meio de um convite dos alunos que compunham o grupo em 2016, quando a tutora da época, Suzana Werner Samuel – a qual foi, inclusive, responsável pelo grupo quando Juliana estava na graduação –, estava deixando a função. O retorno, entretanto, precisou ser adiado quando Juliana descobriu que estava grávida. Foi apenas em outubro de 2018 que ela finalmente se tornou tutora do PET Odontologia.   

Sem ter certeza se conseguiria arcar com as tarefas requeridas pela função, Juliana buscou primeiramente entender o formato que o programa tem hoje – não visa mais ao estímulo à pós-graduação e, sim, ao fortalecimento da formação acadêmica por meio da tríade de ensino, pesquisa e extensão.

“Eu achei interessante a proposta de outra forma de inserção dentro da Universidade. Uma função bem maior de apoio à graduação e com uma formação mais abrangente, não tão voltada para a pesquisa como na minha época. […] Mas, ao mesmo tempo, percebi que o espírito crítico e o espírito de ser petiano continuam os mesmos”

Juliana Jobim

Hoje, embora poucos meses tenham se passado desde que Juliana tornou-se tutora do PET Odontologia, ela já comenta, com uma segurança que se traduz pela felicidade na sua fala, sobre o quão benéfica pode ser a experiência. “Os meus dias mais felizes são os nos quais eu tenho os encontros com o grupo. Eu sempre digo para os meus colegas que todo professor da graduação deveria aproveitar [o PET], porque é uma chance única que a gente tem na faculdade de viver o ensino de outra forma”, afirma.

A docente ressalta, ainda, a essência desafiadora de ser tutora do programa. “Tenho que pensar em atividades novas, reinventar as atividades que já existem, investindo na formação dos alunos e sempre pensando: ‘Qual a vantagem de ter um grupo PET em uma unidade acadêmica e o que isso pode trazer de transformador para graduação?’ […] É um desafio bom, instigante. O PET foi bem importante na minha graduação; fez com que eu fizesse minha pós-graduação e que eu quisesse ser professora e, agora, é um estímulo à minha carreira”, conclui.             

Isabel Linck Gomes

Estudante de Jornalismo da UFRGS