Para continuar se surpreendendo

Evento de início das atividades de 2019 da Universidade Aberta para Pessoas Idosas (Unapi), realizado em 13 de março, no Salão de Atos da UFRGS. (Foto: Gustavo Diehl/ Secom)
Envelhecimento | Idosos participam de atividades socioculturais ofertadas pela UFRGS

Foi num encontro do grupo chamado Longevidade Criativa, subprojeto do antigo programa Universidade para a Terceira Idade (UNITI), idealizado pela professora Odair Perugini de Castro, da UFRGS, hoje denominado Universidade Aberta para Idosos (UNAPI), que Beatriz Ely se deparou com uma tarefa diferente de tudo o que ela havia feito ao longo da vida: produzir poemas. “Fui professora, tive que escrever na minha atividade, mas poemas? Quando a proposta surgiu, muitos integrantes do grupo acharam que não iriam conseguir. Os resultados foram surpreendentes”, conta. A partir dessa experiência foi editado o livro Poetizando a Vida.

Aos 65 anos, é com a intenção de continuar se surpreendendo, de se manter ativa e saudável que Beatriz participa do programa há sete anos a convite de uma amiga, Elena Schneider. As duas estão muito empolgadas porque este ano terão o cartão da UFRGS, o que possibilitará o acesso a espaços da Universidade, como as bibliotecas.

“Me sinto aluna; essa é uma experiência muito intensa na nossa idade.”

Elena Schneider

A UNAPI, que em 2019 passa por reformas, é voltada para o público que não quer ficar pensando em doença ou solidão. O estereótipo de idoso que fica em casa somente tricotando ou cuidando dos netos não condiz mais com a realidade dessas pessoas, em sua maioria mulheres.

Com diversas oficinas, subprojetos, exercícios em grupo e cinedebates, elas se reúnem para construir conhecimento e fazer amizades. “Saímos daqui e vamos fazer happy hour com as amigas, até já viajamos juntas para um congresso!”, se diverte Beatriz. Para ela, o mais interessante são as oficinas de teatro. “Adoro uma encenação!”

Novo formato

Adriane Teixeira, professora do curso de Fonoaudiologia e coordenadora atual do programa, afirma que a meta este ano em que a UNAPI passou a responder diretamente à Pró-reitoria de Extensão é tornar a ação mais acessível e engajar a comunidade acadêmica. “Antes era preciso pagar uma taxa para participar, então geralmente tínhamos idosos de classes mais altas. Com a gratuidade, queremos diversificar esse público”, projeta. “Outro objetivo é que pessoas da comunidade acadêmica que possam oferecer alguma oficina demonstrem interesse. Queremos interatividade entre jovens e idosos”, explica Adriane.

Tanto Beatriz quanto Elena estão matriculadas neste semestre no mesmo curso. “Vamos aprender a fazer um blog em que poderemos publicar conteúdos sobre envelhecimento”, se anima Beatriz. Outras colegas estão matriculadas, inclusive, em disciplinas junto com estudantes regulares da graduação de jornalismo, educação física e fonoaudiologia. Aliás, segundo Adriane, depois de ingressarem na UNAPI, muitas idosas começaram a pensar em fazer a primeira ou segunda graduação. “Temos duas cursando História”, informa.

A coordenadora acredita que essa é uma forma de a UFRGS oferecer um retorno à sociedade. “A inclusão dos estudantes no programa contribui para a formação deles. E os idosos são uma parcela considerável da nossa população, precisamos pensar nesse público.”

Para as duas amigas, é preciso viver o agora, e a UNAPI faz parte desse desejo. “Já fiz muita coisa que não queria na vida, agora só faço o que gosto, e gosto de estar aqui, evoluindo e aproveitando cada oportunidade. Tenho 71 anos, mas me sinto com a cabeça de 30”, afirma Elena.

Bárbara Lima

Estudante de Jornalismo da UFRGS