Programa de extensão Histórias e Práticas Artísticas oferece série de cursos online

Artes Visuais | Desenhos da Natureza: construção do olhar abre a segunda edição da iniciativa voltada à difusão e ao ensino da arte; as atividades de cunho teórico e prático iniciam a partir de 25 de agosto

*Foto de capa: Claudia Hamerski/Arquivo pessoal

Criar oportunidade para que o público interaja nas plataformas digitais, produzindo atividades na sua própria casa. Esse é o grande intuito do programa de extensão Histórias e Práticas Artísticas, promovido pelo Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS, que irá realizar uma série de cursos virtuais destinados a um público amplo, seja de dentro ou fora do âmbito acadêmico. As atividades são voltadas à difusão e ao ensino da arte e serão feitas em cursos práticos e teóricos, pagos e gratuitos, a partir da próxima quarta-feira.

O curso que abre o ciclo é Desenhos da Natureza: construção do olhar, ministrado pela doutoranda em Artes Visuais Claudia Hamerski e coordenado pela professora Lilian Maus. Ao longo de quatro encontros virtuais, com duração de duas horas cada, a atividade pretende, segundo Lilian, trazer essa questão da natureza, já que na pandemia foi um tema muito presente, devido ao fato de as pessoas não poderem sair e se sentirem solitárias em casa. “A gente começou a sentir falta mesmo da natureza por não conseguir ir pra rua. Então o curso traz esses elementos que são passíveis de se fazer em casa com plantas e que foca nessa natureza que a gente não tá podendo vivenciar diretamente”, explica.

Além disso, a proposta do desenho de observação funciona como uma espécie de meditação, em função de a abordagem trabalhar o foco e a atenção do aluno, o que assegura um bem-estar ao longo dos exercícios e das práticas do curso. As plantas e a natureza também contribuem para essa sensação prazerosa, ao mesmo tempo que possibilitam a expressividade e o gesto ao desenhar.

A escolha do curso de desenho para abrir a iniciativa se dá pelo fato de se tratar de uma linguagem mais acessível para um público maior – inclusive leigos -, além da possibilidade de ser feito em casa com materiais mais simples, como aquarela e grafite, o que proporciona também uma melhor adequação para o formato online. Essa ideia de reestruturação do programa para o formato virtual aconteceu pelos diversos pedidos de alunos do Instituto de Artes, já que a pandemia também contribuiu para uma saturação das escutas passivas, das palestras e dos cursos teóricos.

“O virtual dispersa muito, parece que tudo funciona mais raso e mais redundante, pelo excesso de informação e pelo cansaço. As pessoas veem as coisas pela metade porque elas veem sempre cansadas”

Lilian Maus
Foto: Claudia Hamerski/Arquivo pessoal

Apesar da explosão do uso das plataformas digitais na pandemia, apenas a internet foi capaz de possibilitar que um número maior de pessoas participasse de atividades que a Universidade oferece. Segundo Lilian, quando o programa de extensão foi pensado e montado, não havia a pretensão de acontecer nada online e, com a adaptação, foi possível perceber uma grande procura de pessoas fora da comunidade acadêmica. “A gente jamais teria tido tantos alunos como a gente teve nas ações se não fosse nesse modelo online, que conseguiu abarcar a comunidade fora de Porto Alegre. Porque eu acho que a difusão da Universidade é muito restrita ao seu próprio ambiente acadêmico e falta um trabalho de conseguir chegar em outras comunidades que não seja só esse circuito que a gente frequenta”, acrescenta.

Por isso, a docente aponta para a importância do contato com artistas de diferentes regiões do país, em razão de o circuito artístico ser muito amplo e ir além do que a Universidade consegue abarcar. Assim, a única maneira possível de trazer e acolher esses artistas dentro da Universidade é via extensão.

“Tem muitos artistas que não estão nesse circuito e são excelentes, além de possuírem um saber muito aprofundado da sua área de especialidade. Então por que a Universidade não pode se abrir para receber esse saber e aprender com ele, autorizando também todos esses outros saberes não acadêmicos?”

Lilian Maus

Lilian destaca que o modelo híbrido – presencial e online – veio para ficar, principalmente por possibilitar uma maior adesão do público e, também, por propor uma divulgação do que é produzido no Instituto. “Assim que der, a nossa ideia é usar os ateliês do IA para abrir cursos no fim de semana, onde poderíamos ter um horário fixo de uso das salas. Além de realmente estender ao grande público o que a gente produz de pesquisa, de expressividade dentro do Instituto”, completa a docente.

O programa conta com parceiros como o Jardim Botânico, a Fundação Cultural e Assistencial Ecarta, o Museu de Arte Contemporânea do RS e o Atelier Livre Xico Stockinger da Prefeitura de Porto Alegre, que ajudam a levar os cursos para lugares diferentes, além de trazer pessoas de outros estados para ministrar as atividades. Por outro lado, a ação de extensão permite que os alunos de pós-graduação tenham uma prática docente, já que o distanciamento social privou esse contato mais direto com o universo da docência.  

Por hora, Histórias e Práticas Artísticas oferece sete atividades com inscrições abertas, todas certificadas pela UFRGS, abrangendo áreas como fotografia, pintura, desenho, moda e arte digital. A programação conta com cursos teóricos e práticos, e tem como público crianças, adultos e idosos com ou sem iniciação na arte.