Quarentena motiva onda de atividades culturais online promovidas por artistas e instituições

Coronavírus | Isolamento social provoca nova forma de oferecer e consumir arte no Estado, no país e no mundo 

A ampla recomendação de isolamento social difundida pelos órgãos de saúde durante o período de pandemia do coronavírus tem provocado uma nova dinâmica na oferta e no consumo de arte no Estado, no país e no mundo. Muitas vezes com a renda diretamente relacionada a eventos presenciais como espetáculos, shows e exposições, artistas e instituições culturais enfrentam uma grave crise econômica e têm usado a internet para entreter e fidelizar o público. 

A cada novo dia de quarentena, mais profissionais se somam à onda de artistas que criaram atrações culturais digitais por causa da pandemia. Majoritariamente gratuitas, essas iniciativas favorecem tanto quem vive de arte e precisa divulgar seu trabalho quanto quem está em casa sem usufruir de atrações presenciais.

Confira algumas dicas: 

– Cinema: A Casa de Cinema de Porto Alegre liberou de forma gratuita mais de 40 filmes e curta-metragens produzidos pela instituição durante mais de 30 anos de história. Uma das obras que está disponível é o curta premiado Ilhas da Flores (1989), do cineasta e escritor gaúcho Jorge Furtado. A obra retrata a realidade dos moradores da Ilha das Flores, local de descarte de lixo. 

Outra plataforma que disponibilizou filmes de forma gratuita é a Petra Belas Artes à La Carte, de São Paulo. Até o dia 15 de abril, vários títulos podem ser vistos pelo serviço, entre eles o clássico de terror nacional “A meia noite levarei sua alma”, do ator brasileiro José Mojica Marins, o Zé do Caixão. O longa foi vencedor dos prêmios L’Ecran Fantastique, Tiers Monde e do Festival de Cine Fantástico de Terror de Sitges. 

– Dança: A CIA de Dança da coreógrafa e dançarina brasileira Deborah Colker disponibilizou em seu canal do Youtube cinco dos maiores espetáculos produzidos. Entre eles está Cão sem Plumas (2017), que ganhou o Prix Benois de la Danse na categoria de melhor coreografia em 2018, premiação considerada como o “Oscar da dança”.

Cão sem Plumas é baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Publicado em 1950, o texto acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco, mostrando a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites e a vida no mangue. 

– Literatura: A Companhia das Letras liberou gratuitamente até o dia 24 de abril 12 obras em formato e-book. Uma delas é “Amor como revolução”, publicada em 2019 pelo pastor Henrique Vieira. A obra retrata o poder do amor na construção de uma sociedade mais justa e livre de preconceitos.

– Artes visuais: A prefeitura de Porto Alegre, em parceria com as pinacotecas Aldo Locatelli e Ruben Berta, lançou um site onde é possível ver as obras que estão expostas nesses espaços, atualmente fechados para o público por causa do coronavírus.Já a Fundação Iberê Camargo lançou o projeto Residência Artística de Si, iniciativa que propõe uma imersão no local em que estamos e em nós mesmos junto a uma rede de compartilhamento e convívio virtual com outras pessoas. Para isso, serão realizadas discussões sobre fotografia, vídeo, som e texto entre os dias 13 de abril e 1º de maio, sempre das 14h às 15h, por videoconferência. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 10 de abril.

Música: A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre publicou em seu canal do Youtube alguns dos concertos feitos entre o ano passado e março deste ano.

Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) disponibilizou concertos na internet para o público assistir durante a quarentena (Foto: Isabella Cortez/ Divulgação OSPA)