Recursos para a geração de conhecimento | Edição 224

Desde a fundação das primeiras universidades, essas instituições são consideradas não apenas lugares de ensino, mas especialmente as principais entidades criadoras de ciência, contribuindo para a geração de tecnologias e o desenvolvimento. Em todos os países desenvolvidos, o financiamento da pesquisa realizada nas universidades provém majoritariamente do setor público. Encontramos tecnologias surgidas a partir da ciência apoiada por verbas públicas, por exemplo, na maior parte dos medicamentos em uso na medicina e nos componentes de nossos smartphones.

No cenário brasileiro, as universidades públicas são as principais instituições criadoras de ciência inédita, respondendo por mais de 90% das publicações do país, bem como pela maior parte dos pedidos de patentes. Os resultados das pesquisas estão presentes em nosso sistema de saúde, na produtividade do setor agropecuário, no desempenho de empresas nacionais, na formulação de políticas públicas e no avanço das metodologias da educação básica.

A UFRGS ocupa posição de liderança no cenário científico nacional. Respondendo por cerca de metade da produção de pesquisa no estado do Rio Grande do Sul, é a quinta instituição que mais gera ciência no Brasil, com um número aproximado de 13 mil publicações na base de dados internacional Web of Science. No recentemente divulgado CWTS Ranking 2019, a UFRGS é posicionada como a primeira universidade federal brasileira em pesquisa científica. Essa geração de conhecimento impulsiona também a criação de tecnologias e empreendimentos. A UFRGS é a oitava instituição brasileira em pedidos de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial e conta hoje com dezenas de empresas nascentes de base tecnológica incubadas em seus ambientes de inovação. Com um amplo Programa de Iniciação Científica, a Universidade tem atualmente mais de 1.600 alunos de graduação bolsistas e atendeu desde 2015 mais de 8.100 graduandos com bolsas de pesquisa. As oportunidades de iniciação científica contribuem de forma crucial não apenas para a geração do conhecimento na instituição, mas também para a formação científica e profissional dos alunos.

A manutenção e o avanço da atividade científica da UFRGS dependem tanto de recursos orçamentários próprios como da captação de investimentos por parte de agências públicas. Por exemplo, os recursos para instalação e manutenção de infraestruturas institucionais que atendem a múltiplos pesquisadores são principalmente oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), enquanto grande parte das bolsas de iniciação científica é disponibilizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgãos vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Os recentes anúncios de reduções orçamentárias e a atual insegurança quanto ao futuro próximo da própria viabilidade de agências como essas representam um risco real para as atividades de formação científica e produção de conhecimento, tecnologia e inovação no país. A UFRGS está comprometida com a defesa do sistema científico brasileiro e seu orçamento, com o caminho para a prosperidade educacional, econômica e social do país.

Rafael Roesler

Pró-reitor de Pesquisa