Um lugar de destaque permanente | Edição 221

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul abre 2019 comemorando seus 85 anos, mas pode ser considerada uma instituição centenária, pois as escolas de Farmácia e Química e as faculdades de Engenharia, Medicina e Direito têm sua origem no século XIX, quando foram criadas como unidades isoladas.

Diferentemente da América espanhola, em que as instituições de ensino superior estão presentes há mais de 300 anos, no Brasil elas são recentes. No cenário brasileiro, as universidades federais do Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul estão entre as mais antigas, mesmo assim são muito jovens, se considerarmos universidades europeias com mais de 800 anos de existência.

A consolidação e a longevidade dessas instituições, possivelmente, estejam baseadas na sua autonomia como espaço de reflexão crítica; na sua centralidade na busca do conhecimento artístico, cultural e científico; e na formação de quadros profissionais de alta qualidade. Na América Latina, em particular no Brasil, as universidades públicas são identificadas também pela extensão, parte essencial do tripé que caracteriza a interação entre academia e sociedade.

Nesse contexto, é animadora a percepção do quanto o ensino superior público no país tem um lugar de destaque permanente, seja em sistemas de rankings, seja nos processos avaliativos do próprio Ministério da Educação. Esse é o caso do Índice Geral de Cursos (IGC), em que os dez primeiros lugares são ocupados por universidades públicas, sendo nove delas federais. O IGC avalia todo o sistema federal de ensino superior, englobando mais de 1.600 universidades, centros universitários e faculdades públicas e privadas. Ele analisa dados oferecidos pelas próprias instituições quanto ao ensino de graduação, pós-graduação, infraestrutura e pessoal. É, portanto, uma apreciação objetiva e auditável, o que a faz ainda mais relevante.

Pelo sétimo ano consecutivo, a UFRGS se coloca como a melhor federal do país. Esse resultado vem a despeito das limitações orçamentárias impostas pela lei do teto para os gastos públicos e responde ao desafio de tornar nossa administração mais eficiente com a redução de custos e a otimização de serviços.

Ser a melhor federal do país nos seus 85 anos tem tudo a ver com a história da UFRGS, construída com a participação da sua comunidade na definição de políticas de desenvolvimento institucional que privilegiam o fazer acadêmico com qualidade, a pesquisa de altíssimo nível em todas as áreas do conhecimento, a educação voltada para o futuro e a extensão universitária que promova o desenvolvimento sustentável de nossa sociedade. Nesse sentido, 2018 foi um ano marcado por conquistas: obtivemos o reconhecimento institucional do CNPq pela promoção da pesquisa e da iniciação científica, comemoramos os 30 anos da Iniciação Científica na UFRGS, inauguramos o Centro Cultural – que é uma referência de espaço público para a nossa cidade – e instituímos a Aliança para a Inovação, celebrada entre UFRGS, PUCRS e UNISINOS. Este projeto representa um passo importante, concebido em conjunto com essas grandes instituições para promover um ambiente inovador e, assim, atrair iniciativas de desenvolvimento sustentável para Porto Alegre.

O desafio da expansão é permanente, e novas possibilidades precisam ser buscadas. A inclusão promovida nos últimos anos e as políticas sociais são iniciativas de extrema relevância, pois elas são capazes de desfazer o passado de exclusão socioeconômica, étnica e cultural que tanto caracterizou as universidades no passado.