Vinícius Barth: referências e corredores

Câmpus Centro | Doutorando em Desenvolvimento Rural conta da falta que sente das conversas e do espaço de referência acadêmica

*Foto de capa: Flávio Dutra/JU

O espaço de referência acadêmica da UFRGS levou Vinicius Barth a escolher o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) para fazer mestrado e doutorado. Natural de Chapada, no norte do Rio Grande do Sul, ele fez a graduação em Engenharia Florestal na Universidade Federal de Santa Maria. 

Vinicius iniciou o doutorado em 2020 e, portanto, só teve uma semana de aula presencial. “A gente sabe que a pós-graduação em si é um processo muito singular, muito pessoal pro pesquisador e, quando a gente tá privado de socializar com os colegas presencialmente e com os professores no período de disciplina, isso faz parecer que nosso processo de doutoramento fica totalmente isolado”, comenta.

As conversas de corredor no prédio do PGDR – que fica ao lado da Casa do Estudante, na João Pessoa – é do que o doutorando mais sente falta. Além de ser uma área de lazer e convivência, ele sempre interpretou o espaço como um lugar para trocas acadêmicas e articulações entre colegas, professores e técnicos. 

“Essa rede de contatos que a gente tem no dia a dia é essencial para que a gente consiga produzir uma pesquisa mais qualificada; ela facilita nossos estudos. Inclusive tem grandes ensaios acadêmicos nessas conversas que, aparentemente, seriam papos de corredor e que hoje a gente avalia o quão importante foram” 

Vinícius Jean Barth

O estudante ressalta que essa dinâmica ocorria pelo fato de o prédio que sedia o PGDR ser inteiramente focado na pós-graduação. “Eram interações que enriqueciam muito o ambiente acadêmico. Para além, é claro, das amizades, do afeto, da coletividade, aspectos bastante únicos que esse momento da pós-graduação proporciona. Eu lembro com muito carinho de como foi minha etapa de disciplinas lá no mestrado, em 2016-17, quando essas interações aconteciam. Então é esse o paralelo que faço e do qual eu sinto falta agora.”

Uma das suas últimas lembranças no câmpus foi quando retornou ao Restaurante Universitário (RU). “O RU sempre teve um vínculo muito estreito comigo, porque ele fazia parte da minha rotina e, ao ingressar no doutorado, quando eu tive o meu acesso novamente ao RU, foi aí que me dei conta: ‘Nossa, tô no doutorado’”, conta Vinícius. Ele salienta a falta que o RU está fazendo nesse momento de pandemia com o aumento do custo de vida e alimentação. 

Descobertas

Vinícius conta que, quando entrou na graduação, foi a primeira vez que conviveu com outras pessoas LGBT no seu dia a dia. O doutorando recorda que foi um choque muito bom para sua transformação pessoal e para seu processo de aceitação esse espaço de diversidade dentro da universidade.

Quando chegou à UFRGS já estava bastante seguro sobre essas questões. Ele conta que em seu programa de pós-graduação há muitas pessoas LGBT e que devido à expressividade no número de pessoas fizeram até um grupo. “A gente vê que os LGBTs também estão ocupando os espaços de estudo do rural, o que até um tempo atrás não era tão comum”, recorda.

O reconhecimento da homofobia como crime foi algo muito importante para respaldar a comunidade LGBT. Segundo Vinicius, até uns anos atrás essas violências simbólicas ocorriam dentro do meio acadêmico e passavam batidas. 

“Acho que hoje a gente não pode deixar isso passar, ainda mais num ambiente acadêmico, onde a elite intelectual, entre muitas aspas, do país deveria estar frequentando. Não tem mais espaço pra homofobia, transfobia, racismo, machismo… A gente tem que desconstruir e mudar a sociedade” 

Vinícius Jean Barth

A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: