{"id":100108,"date":"2024-12-12T07:50:00","date_gmt":"2024-12-12T10:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=100108"},"modified":"2025-10-14T09:50:38","modified_gmt":"2025-10-14T12:50:38","slug":"exercicio-fisico-em-diferentes-intensidades-e-modalidades-traz-beneficios-significativos-para-o-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/exercicio-fisico-em-diferentes-intensidades-e-modalidades-traz-beneficios-significativos-para-o-cerebro\/","title":{"rendered":"Exerc\u00edcio f\u00edsico em diferentes intensidades e modalidades traz benef\u00edcios significativos para o c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade | Aumento dos casos de doen\u00e7as neurodegenerativas refor\u00e7a a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo ao exerc\u00edcio f\u00edsico<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os benef\u00edcios da pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas \u00e0 sa\u00fade j\u00e1 s\u00e3o um consenso na comunidade cient\u00edfica. Uma literatura cient\u00edfica extensa e diversificada aponta os ganhos f\u00edsicos, mentais e sociais proporcionados pelos exerc\u00edcios regulares. Recentemente, pesquisas realizadas na UFRGS lan\u00e7aram mais luz sobre sua rela\u00e7\u00e3o com o funcionamento cerebral, sobretudo em idosos e em pessoas com doen\u00e7as neurodegenerativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma delas, realizada por <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7182225786578013\">Ana Karla Oliveira Leite<\/a>, demonstrou que os exerc\u00edcios de for\u00e7a s\u00e3o importantes n\u00e3o apenas para a manuten\u00e7\u00e3o f\u00edsica e a satisfa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Eles tamb\u00e9m atuam sobre outros processos, como os de cogni\u00e7\u00e3o. Um dos frutos desse trabalho foi publicado recentemente por Ana Karla e um grupo de pesquisadores, entre eles sua orientadora, <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8178867411563243\">Angela Wyse<\/a>, na revista <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.neuroscience.2023.10.016\">Neuroscience<\/a>. Com o objetivo de investigar se o exerc\u00edcio de for\u00e7a agudo poderia promover a consolida\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria fraca, o artigo aborda a libera\u00e7\u00e3o de metab\u00f3litos e miocinas que, ao chegarem ao c\u00e9rebro, estimulam a ativa\u00e7\u00e3o dos receptores relacionadas \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o e \u00e0 plasticidade sin\u00e1ptica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Personal trainer<em> <\/em>especializada em idosos, Ana Karla \u00e9 graduada em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Em seu mestrado em engenharia el\u00e9trica desenvolveu um m\u00e9todo para estudar o padr\u00e3o da marcha humana em diferentes ambientes gravitacionais. J\u00e1 seu doutorado teve como foco os efeitos do exerc\u00edcio sobre a consolida\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias de medo e na neurog\u00eanese hipocampal. Atualmente, ela desenvolve pesquisa de p\u00f3s-doutorado na UFRGS e estuda esses efeitos sobre diferentes aspectos cognitivos.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">For\u00e7a e mem\u00f3ria<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exerc\u00edcios de for\u00e7a t\u00eam o objetivo de aumentar o vigor muscular e a resist\u00eancia f\u00edsica do corpo. Para isso, s\u00e3o combinados treinos com cargas elevadas, s\u00e9ries mais longas e repeti\u00e7\u00f5es baixas. Ao refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es entre esse tipo de atividade e a mem\u00f3ria, Ana Karla se deparou com muitos trabalhos na literatura que relacionam a quest\u00e3o aer\u00f3bica com o aspecto cognitivo. Percebeu, entretanto, uma lacuna sobre o que acontece na rela\u00e7\u00e3o com o trabalho de for\u00e7a. Com esse intuito, desenvolveu seu projeto de doutorado. Um dos principais motivadores de sua pesquisa \u00e9 compreender o que acontece no n\u00edvel celular para, futuramente, abrir novas janelas terap\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi realizada em laborat\u00f3rio com ratos, e o protocolo escolhido para o teste foi o da consolida\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias de medo. O exerc\u00edcio de for\u00e7a aguda \u00e9 uma sess\u00e3o \u00fanica para a qual o rato \u00e9 preparado durante quase uma semana. Consiste em o animal subir com pesinhos na cauda uma escada de um metro de altura, com inclina\u00e7\u00e3o acima de 80 graus. \u201cNos dias anteriores, definimos as cargas do treino de for\u00e7a a partir de um teste, da mesma forma como se eu estivesse treinando uma pessoa na academia. O animal pode fazer at\u00e9 nove s\u00e9ries de subida, com um intervalo de dois minutos e com 8 a 12 repeti\u00e7\u00f5es\u201d, descreve Ana Karla. O objetivo \u00e9 medir o estado de <em>freeze<\/em>, ou congelamento, relacionado \u00e0 lembran\u00e7a de medo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O exerc\u00edcio de for\u00e7a basicamente ajuda a consolidar a mem\u00f3ria. Ele ajuda voc\u00ea a gravar a mem\u00f3ria e incrementar os processos cognitivos com as miocinas liberadas pelo trabalho muscular. \u00c9 tamb\u00e9m muito importante para a independ\u00eancia funcional de pessoas que est\u00e3o envelhecendo, n\u00e3o apenas da musculatura e do c\u00e9rebro, mas do corpo como um todo&#8221;<\/p>\n<cite>Ana Karla Oliveira Leite<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ressalta que h\u00e1 v\u00e1rios protocolos para o estudo da mem\u00f3ria, como reconhecimento social, reconhecimento de objeto e mem\u00f3ria de extin\u00e7\u00e3o. \u201cPrecis\u00e1vamos de um protocolo que n\u00e3o fosse muito extenso, por isso a op\u00e7\u00e3o pelo de medo condicionado ao contexto\u201d, relata Ana Karla. \u201cLevamos em considera\u00e7\u00e3o se o exerc\u00edcio ajudou o animal a lembrar de choques dos quais normalmente n\u00e3o lembraria ap\u00f3s 24 horas.\u00a0 Os animais que fizeram exerc\u00edcio lembraram melhor\u201c. O estudo levou em considera\u00e7\u00e3o a <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/uso-de-animais-em-pesquisas-obedece-a-diretrizes-rigidas-e-segue-necessario-quando-os-modelos-alternativos-nao-dao-conta-da-complexidade-da-vida\/\">dimens\u00e3o \u00e9tica da pesquisa com seres vivos<\/a>, respeitando o princ\u00edpio dos 3 Rs (em portugu\u00eas: redu\u00e7\u00e3o, substitui\u00e7\u00e3o e refinamento). Angela Wyse acrescenta que o emprego de protocolos em humanos precisa estar embasado nas pesquisas com animais, at\u00e9 por apontarem o tipo de perguntas a se fazer.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103530\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2245.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103530\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2245.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2245-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2245-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2245-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2245-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103522\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2086.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103522\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2086.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2086-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2086-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2086-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2086-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103526\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2159.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103526\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2159.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2159-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2159-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2159-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2159-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Envelhecimento e autonomia<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Professora do Instituto de Ci\u00eancias B\u00e1sicas da Sa\u00fade da UFRGS, Angela Wyse explica que a perda de massa e fun\u00e7\u00e3o muscular, conhecida como sarcopenia, pode estar associada ao decr\u00e9scimo da cogni\u00e7\u00e3o. Ela destaca que pessoas que desenvolvem alguns tipos de dem\u00eancia t\u00eam uma diminui\u00e7\u00e3o na for\u00e7a muscular, principalmente nos membros inferiores. \u201cEstudos mostram que quando o indiv\u00edduo faz exerc\u00edcio, seja aer\u00f3bico ou de qualquer outro tipo, produz subst\u00e2ncias chamadas miocinas, capazes de atuar n\u00e3o s\u00f3 no m\u00fasculo, mas em outros tecidos, como o cerebral, ativando v\u00e1rios aspectos de mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora, \u00e9 fundamental ressaltar a import\u00e2ncia do movimento, j\u00e1 que o sedentarismo faz com que o indiv\u00edduo perca for\u00e7a e massa muscular e inibe a libera\u00e7\u00e3o das miocinas, fundamentais no processo de mem\u00f3ria e cogni\u00e7\u00e3o. &#8220;A mensagem maior \u00e9 esta: fa\u00e7a exerc\u00edcio f\u00edsico, seja ele ioga, pilates, aer\u00f3bico, bicicleta. \u00c9 importante tamb\u00e9m que as pessoas fa\u00e7am atividades concomitantes, ou seja, um exerc\u00edcio de for\u00e7a e caminhadas ou medita\u00e7\u00e3o, juntamente com alimenta\u00e7\u00e3o adequada, porque isso se soma. E, al\u00e9m disso, tem a quest\u00e3o do bem-estar. S\u00e3o v\u00e1rios, portanto, os fatores que se somam num sentido de postergar doen\u00e7as neurodegenerativas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Al\u00e9m de as pessoas que est\u00e3o envelhecendo ficarem mais independentes fisicamente, h\u00e1 um ganho a n\u00edvel cerebral, porque aumentam a libera\u00e7\u00e3o de fatores neurotr\u00f3ficos, aumentam a neuroplasticidade e facilitam a consolida\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, ou seja, seu armazenamento&#8221;<\/p>\n<cite>Angela Wyse<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">O impacto das atividades leves<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o especialista em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e epidemiologia <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5812496529505386\">Natan Feter<\/a>, um a cada 15 casos de dem\u00eancia poderia ser prevenido s\u00f3 com a ado\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos saud\u00e1veis. P\u00f3s-doutorando no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Epidemiologia da UFRGS, Feter \u00e9 um dos 30 maiores pesquisadores do mundo sobre exerc\u00edcio f\u00edsico e dem\u00eancia, conforme dados da plataforma <a href=\"https:\/\/www.elsevier.com\/pt-br\/products\/scival\">SciVal-Elsevier<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em artigo publicado em agosto de 2024 no <a href=\"https:\/\/bjsm.bmj.com\/content\/58\/21\/1295\">British Journal of Sports Medicine<\/a>, Feter e colegas apontam que intervalos de atividade f\u00edsica leve em meio a per\u00edodos prolongados de sedentarismo (como estar sentado por oito horas) podem melhorar a fun\u00e7\u00e3o cognitiva de adultos. A pesquisa foi criada a partir de uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica e de meta-an\u00e1lise para identificar como a redu\u00e7\u00e3o do tempo sentado ou inativo, acompanhada do aumento da atividade f\u00edsica, pode impactar positivamente a fun\u00e7\u00e3o cognitiva, o funcionamento neural e a estrutura cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados se baseiam em dados de indiv\u00edduos de diferentes idades, desde crian\u00e7as at\u00e9 idosos, mostrando que a ado\u00e7\u00e3o de um estilo de vida mais ativo pode gerar benef\u00edcios significativos. Os autores sugerem que aumentar os n\u00edveis de atividade f\u00edsica de forma leve ou moderada pode melhorar fun\u00e7\u00f5es cognitivas como mem\u00f3ria e aten\u00e7\u00e3o, e alterar a estrutura cerebral, aumentando, por exemplo, o volume do hipocampo, uma \u00e1rea fundamental para a mem\u00f3ria, e favorecendo a conectividade neural para o desempenho de tarefas complexas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o estudo, apenas dois minutos s\u00e3o suficientes para impulsionar a fun\u00e7\u00e3o executiva, que estimula a produtividade no trabalho e a tomada de decis\u00f5es. Para profissionais que passam grande parte do tempo sentados ou pacientes acamados, adotar essas pausas ativas pode ser uma abordagem simples para melhorar a concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um mundo cada vez mais sedent\u00e1rio, o artigo de Feter serve como um lembrete: pequenos ajustes no estilo de vida, como caminhadas regulares, pausas ativas durante o trabalho ou a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, podem ter efeitos duradouros na sa\u00fade do c\u00e9rebro e na qualidade de vida. A medicina j\u00e1 apresenta evid\u00eancias de que praticar exerc\u00edcios \u00e9 um tratamento n\u00e3o farmacol\u00f3gico complementar eficiente em quadros de dem\u00eancia, doen\u00e7a de Parkinson e em transtornos psiqui\u00e1tricos, como ansiedade e depress\u00e3o. Embora n\u00e3o tenha o poder de reverter o curso da patologia, a pr\u00e1tica contribui para uma melhor qualidade de vida tanto para o paciente quanto para os cuidadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 a d\u00e9cada de 1950, a ci\u00eancia acreditava que o corpo humano n\u00e3o tinha a capacidade de produzir novos neur\u00f4nios: o conhecimento da \u00e9poca era de que as pessoas nasciam com um determinado n\u00famero deles, que eram perdidos ao longo da vida. Em 1999, foi comprovado que conseguimos produzir novas c\u00e9lulas nervosas a partir de atividades f\u00edsicas. Apenas com a realiza\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcios aer\u00f3bicos, h\u00e1 uma melhora da fun\u00e7\u00e3o circulat\u00f3ria e cardiovascular, al\u00e9m de promover melhor fluxo sangu\u00edneo, o que favorece a oxigena\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro. As pr\u00e1ticas tamb\u00e9m geram novas c\u00e9lulas nervosas e melhoram o ambiente para as c\u00e9lulas j\u00e1 existentes, favorecendo tamb\u00e9m a comunica\u00e7\u00e3o entre elas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos benef\u00edcios ao corpo, a pr\u00e1tica regular de atividades f\u00edsicas impacta a sa\u00fade mental e cognitiva dos pacientes, especialmente aqueles que enfrentam o Alzheimer ou est\u00e3o acamados. A ades\u00e3o ao exerc\u00edcio f\u00edsico n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, uma tarefa simples. Feter explica que qualquer movimento que o profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica consiga realizar com o paciente acamado ter\u00e1 um efeito importante no tratamento. A contra\u00e7\u00e3o muscular por si s\u00f3 \u00e9 eficaz, apesar de n\u00e3o mudar o curso da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, outra dificuldade para realiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do tratamento est\u00e1 nas instabilidades de humor. Essas barreiras s\u00e3o comuns em doen\u00e7as como Alzheimer, por\u00e9m, uma solu\u00e7\u00e3o que o especialista encontrou \u00e9 n\u00e3o for\u00e7ar seus pacientes a fazerem exerc\u00edcios contra sua vontade. O exerc\u00edcio f\u00edsico, para surtir 100% do efeito medicinal, deve estar conectado com a \u00e1rea de lazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 fundamental conhecer o paciente, conhecer as necessidades, conhecer as capacidades. Respeitar isso, acho que \u00e9 primordial. E a\u00ed, com base nisso e no conhecimento t\u00e9cnico, devemos tentar tornar aquele paciente o mais ativo poss\u00edvel fisicamente&#8221;<\/p>\n<cite>Natan Feter<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103527\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2168.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103527\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2168.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2168-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2168-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2168-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2168-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103525\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2148.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103525\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2148.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2148-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2148-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2148-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2148-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103524\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2105.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103524\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2105.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2105-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2105-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2105-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2105-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edticas p\u00fablicas e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as neurodegenerativas<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Feter, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de preven\u00e7\u00e3o sem combater desigualdades sociais. Na vis\u00e3o dele, somente a diminui\u00e7\u00e3o dessas diferen\u00e7as permitir\u00e1 avan\u00e7os efetivos no tratamento de doen\u00e7as neurodegenerativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa comprovou que h\u00e1 uma necessidade de cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de sa\u00fade p\u00fablica para incentivar a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e a redu\u00e7\u00e3o do sedentarismo, destacando os benef\u00edcios para o c\u00e9rebro e para o bem-estar geral. Al\u00e9m disso, foi constatado que grupos sociais mais vulner\u00e1veis, como pessoas negras, mulheres e baixa escolaridade, t\u00eam menos oportunidades de se engajar em uma rotina de exerc\u00edcios f\u00edsicos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a recomenda\u00e7\u00e3o de atividade f\u00edsica semanal \u00e9 de 150 minutos que devem ser realizados em hor\u00e1rios de lazer. O fator neuroprotetor que a pr\u00e1tica esportiva traz est\u00e1 intimamente conectado com esse tempo de lazer, que muitas pessoas n\u00e3o conseguem ter por conta de rotinas extenuantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m de acordo com a OMS, mais de 50 milh\u00f5es de pessoas vivem com dem\u00eancia no mundo, e a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que atinja a marca de 150 milh\u00f5es em 2050. No Brasil, ao menos 1,76 milh\u00e3o de pessoas com mais de 60 anos vivem com alguma dem\u00eancia. Esse n\u00famero tende a crescer ainda mais, segundo Feter. A previs\u00e3o \u00e9 que se chegue a 2,78 milh\u00f5es de brasileiros com dem\u00eancia no final desta d\u00e9cada e a 5,5 milh\u00f5es em 2050.&nbsp;Cerca de 50% dos casos de dem\u00eancia no Brasil poderiam ser prevenidos com mudan\u00e7as no estilo de vida, como atividade f\u00edsica, alimenta\u00e7\u00e3o e outros fatores de risco. Para que isso aconte\u00e7a em larga escala, Natan salienta a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A carga econ\u00f4mica das dem\u00eancias, que j\u00e1 alcan\u00e7a cifras trilion\u00e1rias mundialmente, tamb\u00e9m poderia ser diminu\u00edda com a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas preventivas. Segundo o Relat\u00f3rio Nacional sobre a Dem\u00eancia no Brasil (ReNaDe), em 2019 a dem\u00eancia custou ao mundo US$ 1 trilh\u00e3o \u2013 o equivalente a cerca de R$ 5 trilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um consenso na comunidade cient\u00edfica que, ao eliminar ou controlar fatores como inatividade f\u00edsica, obesidade, hipertens\u00e3o e tabagismo, \u00e9 poss\u00edvel reduzir em at\u00e9 10% o risco de desenvolver dem\u00eancia. \u201cA gente est\u00e1 falando de milhares de pessoas que poderiam n\u00e3o desenvolver essa doen\u00e7a. E \u00e9 uma doen\u00e7a que tem um custo elevado, porque o \u00edndice de hospitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, o custo \u00e9 maior nesses pacientes. J\u00e1 est\u00e1 mais do que na hora de a gente pensar em como reduzir esse curso aqui no Brasil\u201d, afirma Feter.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"998\" data-id=\"103523\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2090.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-103523\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2090.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2090-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2090-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Flavio-Dutra-2090-768x511.jpg 768w, 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