{"id":10025,"date":"2020-08-13T15:20:23","date_gmt":"2020-08-13T18:20:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=10025"},"modified":"2020-08-25T10:20:26","modified_gmt":"2020-08-25T13:20:26","slug":"entendo-a-ciencia-como-algo-que-pertence-ao-ambito-da-cultura-diz-criadora-do-ciencia-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/entendo-a-ciencia-como-algo-que-pertence-ao-ambito-da-cultura-diz-criadora-do-ciencia-na-rua\/","title":{"rendered":"\u201cEntendo a ci\u00eancia como algo que pertence ao \u00e2mbito da cultura\u201d, diz criadora do Ci\u00eancia na Rua"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Mariluce Moura acredita que \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 dos cientistas informar sobre o andamento e os resultados de suas pesquisas<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto de capa: Mariluce Moura\/Arquivo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A curiosidade pelo mundo da ci\u00eancia esteve presente na vida da jornalista e pesquisadora Mariluce Moura desde que estudava no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Na \u00e9poca, ela n\u00e3o sabia que poderia seguir uma carreira na pesquisa cient\u00edfica, motivo pelo qual optou pelo jornalismo. Ainda assim, ela tornou-se especialista em cobertura de jornalismo cient\u00edfico, atividade a que se dedica h\u00e1 mais de trinta anos. Em 1999, ela criou e foi diretora de uma das mais importantes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do pa\u00eds, a revista <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa Fapesp<\/a>, que busca criar pontes entre os campos do conhecimento cient\u00edfico e disseminar os resultados das pesquisas de forma acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu entusiasmo n\u00e3o parou por a\u00ed. Com a ambi\u00e7\u00e3o de estourar a bolha do mundo cient\u00edfico, ela criou e coordena o projeto <a href=\"http:\/\/www.ciencianarua.net\">Ci\u00eancia na Rua<\/a>, voltado ao p\u00fablico jovem de baixa renda. O site tem o objetivo de apresentar os processos e as descobertas da ci\u00eancia com a esperan\u00e7a de tamb\u00e9m nutrir o interesse pela carreira cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, atualmente Mariluce \u00e9 professora titular da Universidade Federal da Bahia, \u00e0 qual retornou 40 anos ap\u00f3s ter sido demitida por persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da ditadura militar. Ela faz quest\u00e3o de mencionar que a milit\u00e2ncia pol\u00edtica faz parte de sua vida, o que talvez se reflita em sua vontade de disseminar a cultura cient\u00edfica na sociedade como forma de promover mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><strong>Leia mais<\/strong><br>Artigo: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/por-que-confiar-na-ciencia\/\">Por que confiar na ci\u00eancia?<\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Depois de quinze anos \u00e0 frente da revista de <em>Pesquisa Fapesp<\/em>, voc\u00ea lan\u00e7ou o projeto Ci\u00eancia na Rua. Qual foi a motiva\u00e7\u00e3o para criar um projeto de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica direcionado ao p\u00fablico jovem de baixa renda?<\/strong><br>Foi a vontade de ampliar a cultura cient\u00edfica. Penso que a capacidade de entender quais s\u00e3o os resultados e os processos da ci\u00eancia e saber o quanto o conhecimento cient\u00edfico influi na sua vida cotidiana \u00e9 um elemento central para voc\u00ea se construir como um sujeito na sociedade. Quando est\u00e1vamos come\u00e7ando a desenvolver a Pesquisa Fapesp, fizemos uma pesquisa do Datafolha para ver quem a revista atingia, e o que percebemos \u00e9 que eram sobretudo os alunos da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, uma parte dos alunos de gradua\u00e7\u00e3o e os pr\u00f3prios pesquisadores. Nada de mais, j\u00e1 que quando come\u00e7amos a pensar o projeto da Pesquisa Fapesp a ideia era fazer com que um pesquisador das Ci\u00eancias Sociais compreendesse aquilo que se passava no campo das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, sobretudo no Brasil, e fazer tamb\u00e9m com que o pesquisador das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas compreendesse o que se passava nas investiga\u00e7\u00f5es da Antropologia, da Sociologia, da Filosofia, da Comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que n\u00f3s percebemos na pesquisa do Datafolha \u00e9 que havia rar\u00edssimas pessoas na faixa dos 18 aos 20 anos. E eu fico pensando \u00e9 que uma grande parte dos jovens que vai para o ensino m\u00e9dio ou t\u00e9cnico n\u00e3o tem nenhuma no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel uma carreira de pesquisador cient\u00edfico, de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novas vis\u00f5es, teorias, descobertas e constru\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Eu comecei, ent\u00e3o, a ter muita vontade de fazer algum projeto que mexesse com esse p\u00fablico no intuito de fazer a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica cumprir o papel de tocar tamb\u00e9m essa mo\u00e7ada para a constru\u00e7\u00e3o de sua cidadania, e ainda, quem sabe, despertar novas voca\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos brasileiros, em geral, com a ci\u00eancia?<\/strong><br>Os levantamentos e pesquisas de percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia feitos pelo Ibope e pelo CNPq mostram que o brasileiro, inclusive o jovem, \u00e9 muito interessado em ci\u00eancia e acha muito importante que se invista em ci\u00eancia e tecnologia. Sempre que se pedia para citar um pesquisador ou uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa brasileira que ele conhecesse, no entanto, voc\u00ea se deparava com o desconhecimento. Em um desses grandes levantamentos, foram citados Oswaldo Cruz e Santos Dumont como as figuras que eles reconheciam como cientistas no Brasil. Ent\u00e3o me parece que a rela\u00e7\u00e3o do brasileiro em geral com a ci\u00eancia ou \u00e9 constitu\u00edda de um conhecimento que j\u00e1 se tem h\u00e1 muito tempo; agora, quando \u00e9 algo novo, acontece fora do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNos \u00faltimos 30 anos em que tenho me dedicado ao jornalismo cient\u00edfico, sempre me pareceu muito ausente da compreens\u00e3o das pessoas a no\u00e7\u00e3o de como \u00e9 o processo cient\u00edfico, a compreens\u00e3o de que as Universidades n\u00e3o s\u00e3o apenas lugares de forma\u00e7\u00e3o de pessoas, mas tamb\u00e9m lugares de pesquisa e de cria\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu atribuo isso primeiro \u00e0 educa\u00e7\u00e3o (formal e n\u00e3o formal). \u00c9 uma quest\u00e3o de como a escola aborda o conhecimento cient\u00edfico \u2014 \u00e0 parte, \u00e9 claro, todas as honrosas exce\u00e7\u00f5es \u2014 e uma quest\u00e3o do acesso, uma vez que a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem equipamentos fundamentais para que a forma\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da cultura cient\u00edfica realmente se consolide. Se voc\u00ea pensar o tanto de crian\u00e7as ou adolescentes que visitam os museus e os centros de pesquisa, isso \u00e9 quase nada. O tanto de escolas p\u00fablicas que t\u00eam laborat\u00f3rios n\u00e3o constitui maioria. Eu entendo a ci\u00eancia como algo que pertence ao \u00e2mbito da cultura, mas \u00e9 como se, no Brasil, a dimens\u00e3o da ci\u00eancia n\u00e3o estivesse presente. \u00c9 poss\u00edvel que a pandemia tenha um efeito chacoalhador nessa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O desconhecimento da ci\u00eancia pode ser o resultado, entre outros fatores, da falha dos cientistas e dos jornalistas em divulgar as pesquisas?<\/strong><br>Claro, em primeiro lugar coloco a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, que vem falhando nisso. Mas, em segundo lugar, acho que tem a quest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, sim. Quando eu fiz minha tese de doutorado, que eu chamo de <a href=\"http:\/\/www.pos.eco.ufrj.br\/site\/teses_dissertacoes_interna.php?tease=11\"><em>O encontro anunciado: a m\u00eddia na constru\u00e7\u00e3o das imagens da tecnoci\u00eancia brasileira<\/em><\/a>, como eu tinha criado e estava dirigindo a Pesquisa Fapesp, resolvi analisar o caminho intermedi\u00e1rio entre os centros de produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e a interface da m\u00eddia com a sociedade para entender como isso se disseminava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquele momento era muito rico, porque a Fapesp tinha feito o projeto pioneiro do sequenciamento gen\u00f4mico da <em>xylella fastidiosa. <\/em>N\u00f3s fomos construindo toda a narrativa do projeto gen\u00f4mico, e isso teve um impacto bastante grande sobre a cobertura dos jornais a respeito do projeto. O meu grande fasc\u00ednio foi quando, no an\u00fancio do fim do sequenciamento, no cabeleireiro do bairro que eu frequentava, uma das cabeleireiras comentou sobre a <em>xylella<\/em>, e ela disse que estava sabendo pelo r\u00e1dio. Uma cabeleireira que jamais tinha se interessado por ci\u00eancia. Foi o primeiro momento que eu disse: todo esse esfor\u00e7o que a gente fez chegou na ponta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPara constituir essa comunica\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tem que informar o tempo todo. O cientista \u00e9 quase sempre financiado com o dinheiro do contribuinte, ent\u00e3o ele tem uma obriga\u00e7\u00e3o como cidad\u00e3o de informar o processo, o andamento e os resultados da pesquisa, e os jornalistas, de todas as formas, t\u00eam como passar isso.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje eu observo um fen\u00f4meno muito interessante na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com a pandemia. O jornalismo de ci\u00eancia extrapolou o \u00e2mbito dos jornalistas de ci\u00eancia e passou a ser feito por todos os jornalistas. Havia uma necessidade premente de que isso fosse feito. E, ao lado disso, tem os blogs, os youtubers, n\u00e3o s\u00f3 da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, mas principalmente do campo dos cientistas. Hoje tem o \u00c1tila Iamarino, por exemplo, com milh\u00f5es de seguidores. Tem influenciadores como o Felipe Neto falando de ci\u00eancia, porque precisa falar de um v\u00edrus, de uma pandemia, da rela\u00e7\u00e3o entre conhecimento cient\u00edfico e sa\u00fade. Me parece que a divulga\u00e7\u00e3o pode ser maximizada realmente, muito influenciada pelo trabalho de cientistas e comunicadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Al\u00e9m de ferramentas tradicionais do jornalismo, como a reportagem e a not\u00edcia, o Ci\u00eancia na Rua tamb\u00e9m usa recursos como a fic\u00e7\u00e3o e o humor. Como esses elementos trabalham em favor da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para o p\u00fablico jovem?<\/strong><br>Desde que eu comecei a pensar o Ci\u00eancia na Rua, eu imaginava uma esp\u00e9cie de <a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/dossies\/o-pasquim\/historia-o-pasquim\/ricky-goodwin\/\">O Pasquim<\/a> da ci\u00eancia. Para a minha gera\u00e7\u00e3o, O Pasquim foi um seman\u00e1rio de extrema influ\u00eancia. Est\u00e1vamos na ditadura, em uma situa\u00e7\u00e3o de censura ao jornalismo livre e \u00e0 cultura, e a gente tinha O Pasquim como um lugar de humor absolutamente escrachado. Um jornal feito pelo Ziraldo, pelo Jaguar, pelo Paulo Fran\u00e7a, e que admitia colaboradores de todos os lugares do Brasil. Eu mesma fiz algumas mat\u00e9rias para a publica\u00e7\u00e3o. Quando chegava sexta-feira, eu ia correndo para a banca para comprar um exemplar, porque ele tinha um jeito de recolocar o que se passava no \u00e2mbito da pol\u00edtica de uma maneira muito cr\u00edtica, muito \u00e1cida, com humor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sempre tive certo fasc\u00ednio pela literatura de humor e pelas formas narrativas vinculadas ao humor. E fiquei pensando, desde o come\u00e7o, que talvez esse fosse um gancho para interessar a mo\u00e7ada mais jovem por ci\u00eancia. Eu pensava que era preciso ter reportagens bem constru\u00eddas, e a partir delas pensar hist\u00f3rias em quadrinhos, podcasts de humor. Como o Ci\u00eancia na Rua tem uma \u00e2ncora que \u00e9 a pesquisa da efic\u00e1cia de formas narrativas, eu ainda n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00e3o de dizer qual \u00e9 a efic\u00e1cia real dessas formas na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Penso que dentro de uns tr\u00eas anos tenhamos resultados de pesquisa para avaliar se essas formas s\u00e3o de fato eficazes e se aumentam a compreens\u00e3o sobre o que \u00e9 o processo cient\u00edfico. Mas a mim agrada muito essa coisa do bem-humorado, leve, divertido.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/CD1T2ypHoYi\/?utm_source=ig_web_copy_link\n<\/div><figcaption>Charge de Fl\u00e1vio Luiz, publicada em 13 de agosto, \u00e9 um exemplo do tipo de conte\u00fado humor\u00edstico veiculado pelo Ci\u00eancia na rua\u2063<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Alguns dos objetivos do Ci\u00eancia na Rua s\u00e3o incentivar o desenvolvimento da cultura cient\u00edfica no Brasil e despertar voca\u00e7\u00f5es cient\u00edficas na juventude, em especial de baixa renda. Como esse trabalho dialoga com o papel das universidades p\u00fablicas?<\/strong><br>Vejo nas universidades p\u00fablicas o lugar por excel\u00eancia, no Brasil, de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico, e \u00e9 preciso que os jovens saibam disso. O meu sonho, que a pandemia andou atrapalhando, era fazer uma s\u00e9rie de oficinas com jovens de baixa renda. Pegar uma turma, escolher uma pesquisa que seja interessante para aquele grupo e depois lev\u00e1-los a algum lugar ic\u00f4nico da pesquisa brasileira mais avan\u00e7ada e depois eles construiriam suas pr\u00f3prias narrativas sobre aquilo que perceberam da conversa com os pesquisadores, da visita, do que aquilo tinha a ver com eles. Isso poderia ser v\u00eddeo, podcast, texto, ilustra\u00e7\u00e3o, m\u00fasica, qualquer coisa que o Ci\u00eancia na Rua possa ser um suporte. E a\u00ed n\u00f3s publicar\u00edamos o material, porque o Ci\u00eancia na Rua gostaria muito de ser tamb\u00e9m uma plataforma de recep\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es dos jovens atingidos de alguma forma pela vontade de falar e refletir sobre ci\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa configura\u00e7\u00e3o das oficinas, eu imaginava as universidades p\u00fablicas como um espa\u00e7o fundamental a que eles teriam acesso. Por exemplo, n\u00f3s fizemos com um grupo de alunos de especializa\u00e7\u00e3o do<a href=\"http:\/\/www.labjor.unicamp.br\/\"> LabJor<\/a> da Unicamp um roteiro para adolescentes sobre a covid-19. Eles escreveram cr\u00f4nicas, reportagens, e foram experimentando formas narrativas que lhes parecessem melhores para falar com o p\u00fablico jovem. Existem iniciativas dentro das universidades sobre as quais o Ci\u00eancia na Rua quer falar. Ent\u00e3o essa interface com as universidades p\u00fablicas \u00e9 \u00f3bvia. Al\u00e9m do que eu imagino, para o futuro, algumas parcerias, como n\u00f3s temos com a Unicamp, para ir buscando formas de sair de um modelo de comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia de cima para baixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que pesquisadores e jornalistas podem aprender com a experi\u00eancia do Ci\u00eancia na Rua a fim de contribuir para a populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia?<\/strong><br>Por enquanto n\u00e3o temos muito a dizer. Estamos experimentando, vendo o que funciona, e eu espero que o Ci\u00eancia na Rua cres\u00e7a com essas parcerias com universidades e com movimentos populares. Nos \u00faltimos meses, fizemos webinars com a <a href=\"https:\/\/www.agenciamural.org.br\/\">Ag\u00eancia Mural<\/a>, com a <a href=\"https:\/\/almapreta.com\/\">Alma Preta<\/a>. Eu tenho muita vontade de ter essas articula\u00e7\u00f5es com os movimentos das periferias, sobretudo movimentos de jovens, e ao mesmo tempo essa articula\u00e7\u00e3o com as universidades. Depois de uma experimenta\u00e7\u00e3o, eu diria que de uns cinco anos, em que tudo isso v\u00e1 dando um corpo de coisas novas sobre as quais a gente possa refletir, a\u00ed sim a gente pode pensar em devolver e replicar esse modelo, transformar isso em um modelo bem descrito e propor a sua replica\u00e7\u00e3o em outras institui\u00e7\u00f5es. Mas acho que isso demanda tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo do jornalismo sempre foi assim na minha vida: a academia sempre me serviu para refletir sobre aquilo que eu estava fazendo. No doutorado, pensei sobre o encontro entre a m\u00eddia e a ci\u00eancia; no p\u00f3s-doutorado, eu estava pensando sobre o que S\u00e3o Paulo tem de especial em seu sistema de ci\u00eancia e tecnologia que permite experi\u00eancias como a Pesquisa Fapesp e tantas outras em mat\u00e9ria de divulga\u00e7\u00e3o. Acho que eu sou influenciada pelo m\u00e9todo cient\u00edfico de abordagem das coisas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista | Mariluce Moura acredita que \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 dos cientistas informar sobre o andamento e os resultados de suas pesquisas *Foto de capa: Mariluce Moura\/Arquivo pessoal A curiosidade pelo mundo da ci\u00eancia esteve presente na vida da jornalista e pesquisadora Mariluce Moura desde que estudava no Col\u00e9gio de<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/entendo-a-ciencia-como-algo-que-pertence-ao-ambito-da-cultura-diz-criadora-do-ciencia-na-rua\/\">Leia 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