{"id":10319,"date":"2020-08-27T13:21:50","date_gmt":"2020-08-27T16:21:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=10319"},"modified":"2020-08-27T13:46:32","modified_gmt":"2020-08-27T16:46:32","slug":"a-arte-como-manifesto-politico-e-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-arte-como-manifesto-politico-e-social\/","title":{"rendered":"A arte como manifesto pol\u00edtico e social"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Obras do artista paraense Francisco Klinger Carvalho levam a exposi\u00e7\u00f5es internacionais uma leitura cr\u00edtica do autor sobre a realidade brasileira<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Foto: Pedro Marinho<\/em>\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o na Alemanha, pa\u00eds onde vive desde 2016, <a href=\"http:\/\/www.franciscoklingercarvalho.com\/\">Francisco Klinger Carvalho<\/a> est\u00e1 com seu trabalho exposto em espa\u00e7os culturais na Pol\u00f4nia e na Eslov\u00e1quia. Todas as mostras, segundo ele, s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es do trabalho que desenvolve com grades e tamb\u00e9m daquele que faz a partir da ideia de muros, referindo-se \u00e0s barreiras que dividem a sociedade brasileira \u2013 o que ele chama de \u2018est\u00e9tica social\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Natural da cidade de \u00d3bidos, pequeno munic\u00edpio paraense com mais de 300 anos, aos 19 anos muda-se para a capital do estado, Bel\u00e9m, onde estudou m\u00fasica na Universidade Federal do Par\u00e1. Ao final do curso, em 1997, vai para a Alemanha como bolsista do Servi\u00e7o Alem\u00e3o de Interc\u00e2mbio Acad\u00eamico. De volta ao Brasil em 2001, desenvolve o projeto <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Cwov91yWLu0\">Ajuri: a est\u00e9tica utilit\u00e1ria da Amaz\u00f4nia<\/a>, promovido pelo Instituto de Artes do Par\u00e1. Ainda no Brasil, vive quatro anos em Porto Alegre e depois se muda para Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, onde atua como professor convidado da Universidade Nacional de Bogot\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com cabelos longos e espessos, semblante de tra\u00e7os fortes, Francisco define-se como caboclo: \u201cuma mistura de todas as ra\u00e7as\u201d, diz por ter na fam\u00edlia sangue de negro, \u00edndio e de portugueses. Ao conversar sobre sua arte, conta que desde sempre foi esse o seu of\u00edcio, que teve in\u00edcio nos materiais in natura da Amaz\u00f4nia para mais adiante se misturarem \u00e0queles que experimentaria na Alemanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi tua passagem por Porto Alegre?<\/strong><br>Foi muito boa, em Porto Alegre me senti muito em casa, mas no interior me senti um estrangeiro. Tiveram alguns conflitos. O interiorano ga\u00facho n\u00e3o v\u00ea o Brasil, ele s\u00f3 v\u00ea a metade do Brasil, n\u00e3o conhece a pr\u00f3pria ra\u00e7a. J\u00e1 o ga\u00facho urbano tem um interesse maior, mais aberto. Claro, \u00e9 normal, \u00e9 uma capital, mas eu me senti muito em casa. Cheguei a\u00ed porque minha esposa foi transferida e, como todo bom artista acompanha a mulher, deixei minhas coisas aqui [no Par\u00e1\/Alemanha?] fui acompanh\u00e1-la (\u00e0 \u00e9poca moravam na Alemanha). Como artista, fui construindo uma rela\u00e7\u00e3o de amizade que eu j\u00e1 tinha antes com a<strong> <\/strong><a href=\"http:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/pessoa8515\/karin-lambrecht\">Karin Lambrecht<\/a>, pois t\u00ednhamos participado de exposi\u00e7\u00e3o juntos. Porto Alegre foi um dos melhores momentos das cidades nas quais vivi, inclusive tem uma filha minha que ficou morando a\u00ed e outra que construiu carreira em teatro a\u00ed e veio para a Alemanha. Foram quatro anos, me senti quase um \u2018para\u00facho\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi o in\u00edcio de tua trajet\u00f3ria como escultor?&nbsp;<\/strong><br>Comecei em Bel\u00e9m e n\u00e3o mudei muito meu conceito de trabalho. Tem artistas que trabalham baseados na Hist\u00f3ria da Arte, tem artistas que trabalham a partir da influ\u00eancia de outras pessoas. Eu me baseio muito no lugar, no ambiente onde estou. Sempre tenho esse entorno. Ent\u00e3o, quando vivia em Bel\u00e9m, fazia uma esp\u00e9cie de releitura do cotidiano amaz\u00f4nico, no sentido de objetos e tudo mais, al\u00e9m de trabalhar com a quest\u00e3o da arquitetura amaz\u00f4nica, as casas de taipa. Peguei aquilo e transformei em um conceito art\u00edstico. Comecei a usar redes, barcos, comecei a usar essas formas de taipa ao mesmo tempo que fazia um ativismo, lutando contra a morte dos \u00edndios e dos sem terra. E o meu trabalho nessa \u00e9poca representava muito esse ambiente interiorano da Amaz\u00f4nia; trabalhava muito os significados da vida amaz\u00f4nica. Por exemplo, l\u00e1 a rede \u00e9 um elemento principal. Por conta das navega\u00e7\u00f5es, as pessoas levam suas redes como se fosse um elemento seu, por isso os <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-05\/caminhos-da-reportagem-mostra-papel-da-rede-de-dormir-para-brasileiro\">barcos s\u00e3o cheios de redes<\/a> [de dormir]. Outro elemento que usei muito foi o barco, s\u00f3 que houve um per\u00edodo em que eu parei, porque tinha um artista cubano, o <a href=\"https:\/\/www.museoreinasofia.es\/exposiciones\/kcho-columna-infinita\">Kcho<\/a>, que tomou o barco dentro de um campo mais pol\u00edtico. Mostrava a sa\u00edda dos cubanos para os Estados Unidos, as tentativas de migra\u00e7\u00e3o. O meu era um pouco mais po\u00e9tico, no sentido de poesia, n\u00e3o no de conceito est\u00e9tico, mas a partir dali comecei a avaliar um pouco.&nbsp; Isso l\u00e1 por 1996, 97, e eu come\u00e7o a sair do barco. Da\u00ed passo a usar outros materiais, ent\u00e3o entra a forma arquitet\u00f4nica da taipa. Eu fazia uma coisa meio de humor, que era pegar a precis\u00e3o do conceito minimalista e fazer como uma improvisa\u00e7\u00e3o, irregular. Cheguei a Bel\u00e9m entre 1985 e 86 e fiquei at\u00e9 97, quando vim pra Alemanha. Aqui comecei a ver outros elementos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Foi um processo autodidata?&nbsp;<\/strong><br>Esse per\u00edodo no Brasil foi totalmente autodidata, por isso eu trabalhava dentro da realidade local. Depois que vim pra Alemanha, frequentei uma academia. S\u00f3 que foi mais ou menos uma rela\u00e7\u00e3o de amizade, pois por coincid\u00eancia o professor era um amigo meu. Cheguei e fiquei usando o ateli\u00ea dele, porque aqui a academia tem outra estrutura, diferente da nossa. Aqui funciona no sistema de ateli\u00eas, onde a gente trabalha, produz, depois tem uma conversa com o professor, e nisso vai construindo a obra. Paralelamente h\u00e1 semin\u00e1rios e oficinas de madeira, metal (bronze). As oficinas t\u00eam uma estrutura muito boa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De que forma a chegada na Alemanha e essa estrutura de possibilidades acabaram impactando no teu trabalho j\u00e1 em processo?<\/strong><br>Eu tenho uma hist\u00f3ria meio estranha no mundo art\u00edstico no Brasil. Eu constru\u00ed toda a minha vida como artista, mas como todos os meus amigos eram professores na academia, ent\u00e3o achei muito estranho fazer o curso de artes, e fiz o curso de m\u00fasica, mas mais no sentido de concluir um curso superior. E nesse per\u00edodo em que morava em Bel\u00e9m eu tinha um acesso na Europa que me permitia expor em alguns lugares, em galerias. Quando cheguei aqui, comecei a experimentar outros materiais, a usar tamb\u00e9m material tradicional como o gesso \u2013 material que inclusive eu me recusava a usar. Quando estava no Brasil, me concentrava muito no meu trabalho, e aqui comecei a experimentar, tanto que costumo dizer que o meu trabalho hoje em dia \u00e9 meio ca\u00f3tico. A ess\u00eancia continua a mesma, o conceito o mesmo, o processo pol\u00edtico \u00e9 o mesmo, mas a materialidade \u00e9 muito ca\u00f3tica, \u00e9 muito vari\u00e1vel. Ca\u00f3tico porque ele n\u00e3o obedece a uma s\u00f3 forma, n\u00e3o obedece a um padr\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Trabalho com engradamento hoje em dia, fui saindo do interior pra cidade \u2013 da\u00ed tenho que contar toda a minha hist\u00f3ria com a influ\u00eancia tamb\u00e9m do urbano. Comecei a me defrontar com essa nova realidade: em como romper com a Hist\u00f3ria da Arte \u2013 na Europa a maioria dos artistas trabalha sempre a partir dela \u2013, em como criar novos segmentos, e tem uma tradi\u00e7\u00e3o grande na materialidade, com o uso do bronze, do m\u00e1rmore, da cer\u00e2mica.&nbsp; E tudo isso me penetra. O artista cria a sua linguagem, mas o material est\u00e1 sempre presente, inclusive dentro de conceitos.&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O cercamento \u00e9 um aspecto da tua obra, como ele acontece?<\/strong><br>Na Amaz\u00f4nia, eu sempre fazia uma esp\u00e9cie de mumifica\u00e7\u00e3o quando trabalhava com material natural, como o cip\u00f3. Eu pegava uma forma e nela reconstru\u00eda, envolvendo, dando outra forma. Hoje em dia tamb\u00e9m incorporo como se fosse outro revestimento. Olho n\u00e3o a funcionalidade do objeto, que, ao perder a sua fun\u00e7\u00e3o, se transforma em um objeto art\u00edstico, em um objeto de observa\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um objeto utilit\u00e1rio, mas de contempla\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que acontece quando estou engradando o objeto em si.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Atualmente est\u00e1s vivendo em isolamento e produzindo?<\/strong><br>Felizmente, eu n\u00e3o estou mais em isolamento, e a\u00ed vou entrar no campo\u2026: aqui tivemos uma presidenta que foi muito correta nas atitudes, n\u00e3o brincou com a pandemia, nos deu isolamento no in\u00edcio. Ficamos isolados por um m\u00eas (no in\u00edcio do ano) e, \u00e0 medida que ia diminuindo \u2013 fizeram v\u00e1rios testes \u2013, a gente ia saindo. Mas vamos chegar num ponto! N\u00f3s, artistas, pelo menos eu (risos), vivemos quase sempre em isolamento. Eu dou aula aqui tamb\u00e9m, mas quando n\u00e3o estamos nesse mundo de negocia\u00e7\u00e3o, de vendas e essas coisas, o artista vive praticamente isolado. \u00c9 o que chamo de semiquarentena: a gente est\u00e1 sempre no ateli\u00ea \u2013 \u00e9 um mundo quase [s\u00f3] nosso, quando n\u00e3o h\u00e1 pessoas com a gente \u2013, produzindo. Por isso n\u00e3o senti muito essa coisa do isolamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A cr\u00edtica est\u00e1 presente na tua obra. Qual tem sido a mira dessa cr\u00edtica atualmente?<\/strong><br>Meu trabalho falou sempre da quest\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. N\u00e3o gosto dessa denomina\u00e7\u00e3o \u201corigin\u00e1rios\u201d. Meu trabalho \u00e9 escult\u00f3rico, s\u00f3 que dentro desse trabalho procuro falar. \u00c9 bem dif\u00edcil, diferente de um artista que \u00e9 conceitual. Eu trabalho sempre como se relatasse uma situa\u00e7\u00e3o. Meu trabalho tem muito de pol\u00edtica e ele nunca mudou nesse sentido. Na minha estada em Bel\u00e9m, houve, em 1993, o <a href=\"https:\/\/www.indios.org.br\/files\/file\/PIB_verbetes\/yanomami\/massacre_haximu.pdf\">massacre dos Yanomami<\/a> pelos garimpeiros. Pra ver como \u201ca hist\u00f3ria se repete como trag\u00e9dia ou como farsa\u201d, como dizia o Marx. Na \u00e9poca do Fernando Henrique Cardoso, vi o massacre na aldeia Haximu. Houve uma pol\u00eamica, e o governo FHC dizia que n\u00e3o houve massacre. Foi ali que come\u00e7aram os grandes avan\u00e7os dos garimpeiros nas terras dos Yanomami. Pra fazer um contraponto, fiz uma exposi\u00e7\u00e3o que se chamada <em>Hoximu<\/em>, na qual falava sobre a aldeia Haximu e usava os elementos de ambas as culturas. O governo brasileiro dizia que n\u00e3o havia ocorrido o massacre porque n\u00e3o haviam encontrado corpos. S\u00f3 que eles n\u00e3o levaram em conta a vida dos ind\u00edgenas, porque, no momento em que algu\u00e9m morre nas aldeias Yanomami, eles cremam e parte das cinzas \u00e9 comida com banana. O rito da morte \u00e9 muito forte, tanto que a dor atual \u00e9 muito grande porque as m\u00e3es n\u00e3o est\u00e3o podendo se despedir dos filhos, e isso \u00e9 uma tortura dentro da cultura ind\u00edgena. Pois bem, da\u00ed eu fiz esse trabalho que era uma instala\u00e7\u00e3o grande, mostrando ambas as culturas: a crist\u00e3, simbolizada pela cruz, e a ind\u00edgena, baseada na calaba\u00e7a. Dentro de uma forma como se fosse um t\u00famulo, coloquei todas as reportagens. Depois, no <a href=\"https:\/\/anistia.org.br\/noticias\/massacre-de-eldorado-dos-carajas-20-anos-de-impunidade-e-violencia-campo\/\">massacre de Eldorado<\/a>, fiz um trabalho que se chamava \u201cEldorado\u201d. Foi uma instala\u00e7\u00e3o dentro e fora de um museu, e ficou ali se degradando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por conta dessa cr\u00edtica, a m\u00eddia nacional d\u00e1 visibilidade \u00e0 tua obra?<\/strong><br>Sempre foi assim meu trabalho. Durante o golpe contra a Dilma, que foi provocado pelo mercado e pela m\u00eddia, e com a figura principal desse Moro, fiz uma exposi\u00e7\u00e3o em uma galeria de S\u00e3o Paulo \u2013 <em>Arrog\u00e2ncia de Narciso<\/em> \u2013 em que eu tra\u00e7ava todo o processo do golpe. Inclusive proibiram qualquer divulga\u00e7\u00e3o da obra em qualquer lugar das m\u00eddias paulistanas. \u00c9 uma obra que segue sendo exposta em duas varia\u00e7\u00f5es, uma na Eslov\u00e1quia e outra na Pol\u00f4nia. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o sobre o que est\u00e1 acontecendo com o Moro, a arrog\u00e2ncia dele, que chega ao limite de destruir o Brasil. Por isso o espelho. Tamb\u00e9m mostrei o fato de estarem destruindo a Amaz\u00f4nia, o petr\u00f3leo. Usei v\u00e1rios s\u00edmbolos do Brasil. At\u00e9 hoje eu fa\u00e7o, em v\u00e1rias de minhas exposi\u00e7\u00f5es, o mapa do Brasil \u2013 na s\u00e9rie <em>Da ordem ao caos<\/em>, que mostra como est\u00e1 o pa\u00eds e os interesses que est\u00e3o por tr\u00e1s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-instagram wp-block-embed is-type-rich is-provider-instagram\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/B7tSJucnAOy\/?utm_source=ig_web_copy_link\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como \u00e9 a presen\u00e7a da tua obra no exterior, ao levar questionamento \u00e0 pol\u00edtica brasileira?<\/strong><br>\u00c9 obra de arte, a gente n\u00e3o pode tamb\u00e9m pensar que ela vai mudar o mundo, mas ela tem um car\u00e1ter de den\u00fancia que aos poucos vai alimentando a cabe\u00e7a das pessoas. Tive uma exposi\u00e7\u00e3o no ano passado, em Tr\u00e9veris (na regi\u00e3o alem\u00e3 da Ren\u00e2nia), cidade onde nasceu Marx. Falava justamente do monstro que est\u00e1 na presid\u00eancia do Brasil e de que, desde o colonialismo at\u00e9 os dias de hoje, a destrui\u00e7\u00e3o no Brasil passa pela riqueza do nosso solo. Foi uma exposi\u00e7\u00e3o bem conceitual e que teve v\u00e1rias cr\u00edticas positivas e negativas. Foi uma das que mais provocou conflito. Da parte de Luxemburgo, come\u00e7aram a fazer cr\u00edticas bem negativas porque l\u00e1 existem muitas empresas que dependem da Amaz\u00f4nia. Na parte alem\u00e3, j\u00e1 se fazia uma cr\u00edtica razo\u00e1vel; para muitos, era uma exposi\u00e7\u00e3o para agradar o Partido Verde da esquerda alem\u00e3. No grupo pequeno, formado por curadores, galeristas, sempre h\u00e1 a curiosidade de se saber sobre o que est\u00e1 acontecendo no Brasil. Recentemente respondi a um amigo que me perguntou como est\u00e1 sendo vista a arte a partir desse ponto. Eu respondi que, pela primeira vez, estou sentindo que as pessoas est\u00e3o procurando os artistas brasileiros no sentido de buscar entender o que se passa no pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 como antigamente, em que se almejava [essencialmente] a est\u00e9tica. Hoje a procura \u00e9 mais no sentido do campo pol\u00edtico-social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Existe em Porto Alegre alguma obra tua em exposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>A \u00faltima vez que expus a\u00ed foi em uma exposi\u00e7\u00e3o em homenagem ao Iber\u00ea Camargo. Tinha uma obra minha com a curadoria da Icleia Cattani com o Agnaldo Farias. O nome desse trabalho era <em>Mesa impossibilitada de reuni\u00f5es<\/em>,<em> <\/em>e a pe\u00e7a fazia uma rela\u00e7\u00e3o com a obra do Iber\u00ea. Foi a \u00faltima exposi\u00e7\u00e3o que fiz a\u00ed. Tenho que voltar ao Rio Grande do Sul. J\u00e1 faz muito tempo, mas s\u00f3 volto quando as coisas melhorarem. S\u00f3 vou chegar por a\u00ed quando derrubarem o Bolsonaro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"412\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuniao-Fundacao-Ibere-Camargo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10331\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuniao-Fundacao-Ibere-Camargo.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuniao-Fundacao-Ibere-Camargo-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuniao-Fundacao-Ibere-Camargo-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuniao-Fundacao-Ibere-Camargo-465x309.jpg 465w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Mesa impossibilitada de reuni\u00e3o (Foto: Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"425\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuni\u00e3o-2000-2013-madeira-ferro-Kopie-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10332\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuni\u00e3o-2000-2013-madeira-ferro-Kopie-1.jpeg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuni\u00e3o-2000-2013-madeira-ferro-Kopie-1-300x206.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuni\u00e3o-2000-2013-madeira-ferro-Kopie-1-171x117.jpeg 171w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Mesa-impossibilitada-de-reuni\u00e3o-2000-2013-madeira-ferro-Kopie-1-465x319.jpeg 465w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Mesa impossibilitada de reuni\u00e3o &#8211; 2000-2013 &#8211; madeira-ferro Kopie<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista | Obras do artista paraense Francisco Klinger Carvalho levam a exposi\u00e7\u00f5es internacionais uma leitura cr\u00edtica do autor sobre a realidade brasileira *Foto: Pedro Marinho\/Divulga\u00e7\u00e3o Al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o na Alemanha, pa\u00eds onde vive desde 2016, Francisco Klinger Carvalho est\u00e1 com seu trabalho exposto em espa\u00e7os culturais na Pol\u00f4nia e na<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-arte-como-manifesto-politico-e-social\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":10324,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[604],"tags":[73,271,1422,1421,1423],"ppma_author":[2972],"class_list":["entry","author-jacira-cabral","post-10319","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entrevistas","tag-amazonia","tag-arte","tag-escultor","tag-escultura","tag-francisco-klinger-carvalho"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.7 - 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