{"id":10950,"date":"2020-09-11T09:47:00","date_gmt":"2020-09-11T12:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=10950&#038;preview=true&#038;preview_id=10950"},"modified":"2020-09-12T21:14:30","modified_gmt":"2020-09-13T00:14:30","slug":"mulheres-instrumentistas-contam-suas-historias-com-musica-festa-e-barulho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/mulheres-instrumentistas-contam-suas-historias-com-musica-festa-e-barulho\/","title":{"rendered":"Mulheres instrumentistas contam suas hist\u00f3rias com m\u00fasica, festa e barulho"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cultura | Discuss\u00f5es sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero abrem espa\u00e7o para que elas ocupem novos espa\u00e7os na cena musical<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Anna Ortega<br>*Foto de capa:<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu vou contar, eu vou contar. Eu vou dizer. Eu vou escrever uma outra hist\u00f3ria. O que acontece quando eu vou ou me falam de um show, um lugar ou um evento? Eu conto.\u201d O trecho \u00e9 da can\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1zwWhmW7Tig\">Eu Vou Contar<\/a>, da artista e professora do Instituto de Artes da UFRGS <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/7znRYBiX5xj4ynCelc0QAI?si=hehPxJxfTbypEkL2batpAA\">Isabel Nogueira<\/a>, e fala sobre esse corriqueiro ato &#8211; para mulheres &#8211; de contar entre quantas estiverem nos espa\u00e7os.&nbsp;No caso dos palcos, j\u00e1 foi uma tarefa que se resolvia com os dedos de uma das m\u00e3os, mas esse cen\u00e1rio vem se transformando. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos ambientes da m\u00fasica, assim como nos de outras artes, alguns lugares foram considerados mais adequados para a presen\u00e7a das mulheres ao longo da hist\u00f3ria. E o do instrumento, fora do ambiente dom\u00e9stico, nunca foi um desses lugares. A aus\u00eancia na cena, por\u00e9m, n\u00e3o era nem nunca foi a inexist\u00eancia de mulheres nessas fun\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o quer dizer que n\u00e3o existiam, pois sempre existiram instrumentistas. Mas elas n\u00e3o est\u00e3o entre os c\u00e2nones aceitos para uma pessoa desenvolver o seu trabalho\u201d, explica Isabel, pesquisadora das quest\u00f5es de g\u00eanero na m\u00fasica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de verificar em quais espa\u00e7os est\u00e3o, pensar sobre as mulheres instrumentistas \u00e9 observar tamb\u00e9m que sempre houve limita\u00e7\u00f5es (n\u00e3o ditas, mas existentes) no sentido de onde deveriam se posicionar caso estivessem presentes no palco, na cena musical. Dentre as atua\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, estavam as de int\u00e9rpretes e educadoras. \u201cA Lucy Green, uma pesquisadora com quem trabalho muito, coloca a m\u00fasica como um <em>campo generificado<\/em>, em que algumas fun\u00e7\u00f5es era mais pr\u00f3prias para mulheres que outras. Instrumentistas, improvisadoras, compositoras e pessoas que lidam com tecnologia sempre foram menos bem-vistas\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A possibilidade de ser muitas&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11053\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7599-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Graduada do curso de M\u00fasica Popular do Instituto de Artes da UFRGS, Be Smidt \u00e9 instrumentista, cantora e produtora musical. Lan\u00e7ou em 2019 seu primeiro projeto autoral, o Viridiana, em que trabalha com a tecnologia como experimenta\u00e7\u00e3o e lugar de conta\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias hist\u00f3rias atrav\u00e9s da m\u00fasica (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)&nbsp;<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando eu penso em mulheres instrumentistas, eu penso: que amplo! E que legal que \u00e9 assim\u201d, diz B\u00ea Smidt, produtora musical, cantora e compositora. A possibilidade de serem muitas, no que se refere tanto ao coletivo de musicistas quanto \u00e0s possibilidades individuais de cada uma, \u00e9 um dos aspectos fundamentais de se pensar nessa tem\u00e1tica. \u201cPara mim, pensar as mulheres instrumentistas, musicistas tem muito a dimens\u00e3o da narrativa pessoal. No meu caso, \u00e9 a de g\u00eanero, de pessoa trans, mas cada pessoa vai encontrar o seu rosto, a sua forma, o seu corpo\u201d, explica a artista graduada em M\u00fasica Popular pela UFRGS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lugar do corpo \u00e9, para B\u00ea, indissoci\u00e1vel do lugar da performance, do instrumento. A narrativa pessoal que se conta a partir da m\u00fasica passa pela voz, pelo corpo presente, e essa rela\u00e7\u00e3o foi fundamental para a hist\u00f3ria dela enquanto artista e pessoa no mundo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPela m\u00fasica eu consigo reinterpretar o meu corpo. Para mim, produzir musicalmente se tornou um lugar muito pl\u00e1stico, mold\u00e1vel, dobr\u00e1vel e, assim, eu pude conhecer todas as formas em que eu podia existir\u201d<\/p><cite>B\u00ea Smidt <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm um primeiro momento da minha trajet\u00f3ria, eu escutava o descontentamento com o meu corpo quando eu cantava, no sentido de n\u00e3o querer que a minha voz fosse assim. \u00c9 o que chamamos de disforia &#8211; um termo para significar a sensa\u00e7\u00e3o ruim de se sentir no corpo errado. E quando eu comecei a gravar a minha voz eu sentia isso\u201d, explica. Foi na intersec\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e tecnologias que B\u00ea encontrou outra pot\u00eancia e uma possibilidade de reinven\u00e7\u00e3o dessa historia e da sensa\u00e7\u00e3o que tinha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 voz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A utiliza\u00e7\u00e3o de softwares e manipula\u00e7\u00f5es sonoras digitais \u00e9 um campo que cada vez mais encontra espa\u00e7o na m\u00fasica. No trabalho de B\u00ea, que recentemente lan\u00e7ou seu primeiro <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/37jotNcFqu6Gy1qVl6bZme?si=J17SpDp1R_SVzU8BH_vfcg\">projeto autoral<\/a>, a escolha da tecnologia como suporte \u00e9 uma forma de experimenta\u00e7\u00e3o, pois, diferente de um est\u00fadio formal em que \u00e9 preciso saber exatamente o que ser\u00e1 gravado, a produ\u00e7\u00e3o acontece dentro de casa. Al\u00e9m disso, a tecnologia \u00e9 uma forma de emancipa\u00e7\u00e3o, pois permite \u00e0s artistas gravarem, mixarem, editarem e lan\u00e7arem as pr\u00f3prias produ\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO processo com a tecnologia permite n\u00e3o saber onde se vai chegar, permite experimentar timbres, vozes. \u00c9 o processo como algo mais fluido. Tamb\u00e9m tem algo muito significativo que \u00e9 a de que tu pode ser dona do teu pr\u00f3prio processo de um jeito muito especial, abrindo um novo jeito de pensar como a gente produz&#8221;<\/p><cite>B\u00ea Smidt <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um lugar seguro para experimenta\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11054\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-175x109.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-1536x960.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-2048x1280.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-465x291.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAPA-SINGLE-_PULSO_-DESSA-FERREIRA-por-@Andre-Luis-Ferreirah-695x434.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cantora, compositora e percussionista, Dessa Ferreira \u00e9 lideran\u00e7a do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Desenvolvimento de Lideran\u00e7as Femininas Negras \u2013 Marielle Franco \u00e9 uma das fundadoras do grupo Tr\u00eas Marias. Tamb\u00e9m foi idealizadora do Ngoma \u2013 n\u00facleo de viv\u00eancia em percuss\u00e3o e do Coletivo Pretambor, projeto realizado no Centro Cultural da UFRGS em 2019 (Foto: Capa Single &#8211; Arquivo Pessoal\/Andre Luis Ferreirah)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais diferentes que sejam as reuni\u00f5es de mulheres instrumentistas, h\u00e1 algo em comum quando elas se encontram: a liberdade para experimentar. \u00c9 o que Luciana Prass, professora do Instituto de Artes da UFRGS e tamb\u00e9m instrumentista, percebeu no <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/musicaempessoa\/2020\/03\/08\/coletivo-das-gurias-do-ia\/\">Coletivo Gurias do IA<\/a>. Coordenado por Luciana ao lado da professora Caroline Abreu, o coletivo reuniu estudantes dos cursos de m\u00fasica para tocarem juntas. \u201cGrupos como o nosso proporcionam uma afetividade e um suporte muito fundamentais. Porque, quando tu tocava em uma banda s\u00f3 de homens, acontecia um receio de mostrar composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, por exemplo.\u201d A professora conta que o que acontece nesses encontros \u00e9 diferente, pois surge uma rede de apoio. Mesmo quando n\u00e3o est\u00e3o seguras, o movimento \u00e9 de suporte e de incentivo, o que permite um despertar maior da criatividade e das pot\u00eancias de cada uma e do grupo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lugar historicamente recusado \u00e0s instrumentistas deixa marcas que geralmente incidem na criatividade e na pr\u00f3pria liberdade do criar. \u201c\u00c0s vezes, a gente como mulher precisa se apresentar duas vezes melhor naquilo que&nbsp;faz para poder estar nos espa\u00e7os, nesses lugares que s\u00e3o violentos, de disputas de egos. E nisso a gente perde algumas coisas que s\u00e3o especiais, que a gente tem, que s\u00e3o \u00fanicas. \u00c0s vezes a gente se endurece para fazer esse enfrentamento\u201d, assinala Luciana. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, surge a oportunidade de se distanciar dos modelos de opress\u00e3o em que as mulheres da m\u00fasica foram colocadas. Para <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/1AnIH45zmnINFhn5pQx8XA?si=JapqmqkeSx6rW_k_GDxWyw\">Dessa Ferreira<\/a> &#8211; cantora, percussionista e bacharel em m\u00fasica popular pelo Instituto de Artes da UFRGS -,  a reivindica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pelos mesmos lugares, mas por lugares pr\u00f3prios. \u201cQuantas vezes j\u00e1 n\u00e3o ouvimos que tocamos melhor que muito homem ou, ent\u00e3o, que tocamos que nem homens. \u00c9 o pior elogio que se pode fazer \u2013 e quem faz acha que est\u00e1 elogiando mesmo. E isso n\u00e3o ouvi ano passado ou anos atr\u00e1s, ouvi esta semana. \u00c9 muito comum\u201d, conta. E complementa: \u201cPor muito tempo tentamos nos equiparar. At\u00e9 mesmo no repertorio. Hoje eu busco ativamente ouvir mais mulheres, mulheres negras, mulheres ind\u00edgenas, no sentido inclusive de afirmar para mim mesma. Quando me disserem que n\u00e3o existimos, posso mostrar essa lista imensa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a instrumentista, a sociedade tenta engessar os padr\u00f5es sociais que passam pelo g\u00eanero e pela ra\u00e7a e que bloqueiam a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o das mulheres. A invisibilidade (ou a n\u00e3o escuta) das mulheres nos instrumentos nunca disse respeito \u00e0 capacidade que tinham, mas a um medo da pot\u00eancia que podiam expressar. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEu diria \u00e0s mulheres para tentarem acessar essa crian\u00e7a que existe dentro delas quando est\u00e3o tocando. Acessar essa liberdade. Claro que n\u00e3o tem como a gente se livrar de todas as constru\u00e7\u00f5es, mas essa liberdade j\u00e1 traz uma verdade. Eu diria para tentar encontrar o que pulsa mais visceralmente na gente, ir al\u00e9m das estruturas, tentar encontrar sua voz, seu timbre. Isso \u00e9 uma pesquisa e \u00e9 uma pesquisa da vida inteira\u201d&nbsp;<\/p><cite>Dessa Ferreira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma mistura de casa, palco e festa<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"920\" height=\"612\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11055\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618.jpg 920w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618-465x309.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Flavio-Dutra-7618-695x462.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption>Isabel Nogueira \u00e9 music\u00f3loga, performer, produtora e compositora. Docente no Instituto de Artes da UFRGS, foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da disciplina de G\u00eanero e M\u00fasica e \u00e9 coordenadora do S\u00f4nicas: Grupo de Pesquisa em Estudos de G\u00eanero, Corpo e M\u00fasica (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi pensando numa mistura de casa, palco e festa que a curadoria do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/unimusica\/\">Unim\u00fasica,<\/a> projeto musical promovido pelo Departamento de Difus\u00e3o Cultural da UFRGS (DDC), decidiu realizar a edi\u00e7\u00e3o deste ano inteiramente dedicada \u00e0s mulheres que tocam. Intitulado <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/unimusica-2020\/\">Forrobod\u00f3<\/a>, palavra que em sua origem evoca a ideia de festa popular, o festival convidou um grupo de 25 mulheres para tocarem ao longo de cinco noites. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os encontros acontecem de forma virtual de 14 a 18 de setembro pelas plataformas do DDC, dialogam com o que Isabel Nogueira trouxe em \u201cEu Vou Contar\u201d e mostram que s\u00e3o incont\u00e1veis as mulheres instrumentistas. Incont\u00e1veis em n\u00fameros mas tamb\u00e9m em hist\u00f3rias e diversidades. \u201cQuando iniciamos o levantamento de nomes poss\u00edveis para o Festival, percebemos que \u00e9 uma lista que n\u00e3o tem fim. A gente poderia ter feito mil combina\u00e7\u00f5es e continuar fazendo outras mil combina\u00e7\u00f5es com esse Forrobod\u00f3\u201d, conta Ligia Petrucci, coordenadora do Unim\u00fasica e uma das curadoras da edi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As instrumentistas, cada uma em sua casa, tocar\u00e3o de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de Buenos Aires, de Chicago e de outros lugares ao redor do globo. A impossibilidade dos tradicionais concertos no Sal\u00e3o de Atos levaram o projeto a pensar em uma edi\u00e7\u00e3o em que muitas localidades poder\u00e3o se encontrar simultaneamente. \u201cAo buscar essas 25 instrumentistas, procuramos conscientemente uma diversidade de instrumenta\u00e7\u00e3o e de trajet\u00f3rias. A maioria \u00e9 multi-instrumentista, compositora, improvisadora, cantora. Atuam em muitas vertentes\u201d, justifica a curadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mesma ideia de honrar tantas diversidades e de mostrar que as mulheres instrumentistas s\u00e3o m\u00faltiplas foi o que despertou em Ana Fridman, docente do Instituto de Artes da UFRGS e tamb\u00e9m curadora do Forrobod\u00f3, a vontade de provocar as convidadas a trabalharem em um mesmo arranjo \u2013 al\u00e9m das performances individuais que realizar\u00e3o. Ana prop\u00f4s \u00e0s 25 mulheres, agrupadas em cinco por noite, que improvisassem a partir da obra<em> Porto das Flores<\/em>, da violonista <a href=\"https:\/\/enciclopedia.itaucultural.org.br\/pessoa208954\/rosinha-de-valenca\">Rosinha de Valen\u00e7a<\/a>. Fridman apresentou a base musical para todas, que ficaram livres para criar autonomamente a partir dali. Se quisessem, podiam, inclusive, conversar com as mulheres com as quais dividem a noite do concerto para compartilhar a experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO resultado musical \u00e9 muito diferente de uma noite para outra. O p\u00fablico vai ouvir durante as cinco noites a mesma m\u00fasica, mas em vers\u00f5es completamente diferentes, cheias de surpresas, tanto para quem vai assistir quanto para as instrumentistas\u201d <\/p><cite>Ana Fridman<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposi\u00e7\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, uma celebra\u00e7\u00e3o da individualidade de cada uma e uma homenagem \u00e0 Rosinha, musicista nascida nos anos 40. Os concertos em formato de<em> lives<\/em> se tornam, ent\u00e3o, uma grande homenagem \u00e0s mulheres que tocam e que j\u00e1 tocaram, transformando a casa de cada uma das 25 convidadas em um palco e, simultaneamente, em uma festa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura | Discuss\u00f5es sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero abrem espa\u00e7o para que elas ocupem novos espa\u00e7os na cena musical *Por: Anna Ortega*Foto de capa: \u201cEu vou contar, eu vou contar. Eu vou dizer. Eu vou escrever uma outra hist\u00f3ria. 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