{"id":110771,"date":"2025-04-17T07:50:00","date_gmt":"2025-04-17T10:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=110771"},"modified":"2025-07-03T15:19:21","modified_gmt":"2025-07-03T18:19:21","slug":"terapia-genica-avanca-no-brasil-e-traz-novas-possibilidades-de-tratamento-para-pacientes-com-doencas-raras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/terapia-genica-avanca-no-brasil-e-traz-novas-possibilidades-de-tratamento-para-pacientes-com-doencas-raras\/","title":{"rendered":"Terapia g\u00eanica avan\u00e7a no Brasil e traz novas possibilidades de tratamento para pacientes com doen\u00e7as raras"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade | Levantamento da UFRGS aponta que pa\u00eds \u00e9 expoente nesse tipo de tratamento entre na\u00e7\u00f5es de economia emergente, mas acesso ainda \u00e9 dificultado pelo alto custo<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Foto: Sala do alojamento na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o do Centro de Reprodu\u00e7\u00e3o Animal da UFRGS &#8211; CREAL (Cr\u00e9dito: Pietro Scopel\/JU)<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano de 1990, os m\u00e9dicos do National Institute of Health Clinical Center, nos Estados Unidos, se depararam com um caso complexo. Duas meninas de nove e quatro anos chegaram ao hospital com uma doen\u00e7a cong\u00eanita <a href=\"https:\/\/sbgm.org.br\/detalhe.aspx?area=4&amp;id=6324#:~:text=As%20doen%C3%A7as%20ultrarraras%20s%C3%A3o%20aquelas,a%20s%C3%A9rias%20complica%C3%A7%C3%B5es%20de%20sa%C3%BAde.\">ultrarrara<\/a> chamada defici\u00eancia de adenosina desaminase (ADA, na sigla em ingl\u00eas). A ADA \u00e9 uma enzima produzida pelo corpo que quebra subst\u00e2ncias t\u00f3xicas provenientes de processos celulares naturais. Quando h\u00e1 uma defici\u00eancia dessa enzima, a subst\u00e2ncia t\u00f3xica se acumula no corpo e destr\u00f3i os <span class=\"wphints-container\" style=\"display:inline;\">\n            \n       <a href=\"javascript:void(0);\" data-box-id=\"43767aa0c918c2e57d18545cc89bacfa\" class=\"better-links\"><strong>linf\u00f3citos<\/strong><\/a> <span class=\"wphints-data-box\" id=\"43767aa0c918c2e57d18545cc89bacfa\" ><span class=\"wphints-triangle\"><\/span><span class=\"wphints-main-content\"><strong>Tipo de gl\u00f3bulo branco que auxilia o corpo a combater doen\u00e7as e infec\u00e7\u00f5es<\/strong><\/span><\/span><\/span> . Na pr\u00e1tica, pessoas com essa condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais suscet\u00edveis a infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas, bacterianas e virais recorrentes. Sem tratamento, muitas crian\u00e7as nascidas com defici\u00eancia de ADA n\u00e3o sobrevivem at\u00e9 os dois anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 1985, cientistas do instituto estadunidense se dedicavam a uma s\u00e9rie de estudos e testes acerca de uma nova forma de tratamento da defici\u00eancia de ADA. A ideia consistia na transfer\u00eancia de genes modificados com a quantidade correta de ADA para os gl\u00f3bulos brancos de pacientes que apresentavam a condi\u00e7\u00e3o. Apesar de estudado h\u00e1 bastante tempo, o tratamento nunca havia sido aplicado em um paciente humano at\u00e9 aquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ent\u00e3o que a equipe m\u00e9dica decidiu realizar o primeiro tratamento em humanos do que viria a ser conhecido como terapia g\u00eanica. Ao longo de dois anos, as duas meninas receberam infus\u00f5es de c\u00e9lulas geneticamente corrigidas em seus gl\u00f3bulos brancos a fim de tratar a defici\u00eancia de ADA. Em 1993, ap\u00f3s bons resultados nas primeiras pacientes, o mesmo tratamento come\u00e7ou a ser usado em rec\u00e9m-nascidos com a condi\u00e7\u00e3o, consolidando o primeiro exemplo de terapia g\u00eanica no mundo.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Mas, afinal, o que \u00e9 terapia g\u00eanica?<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos gerais, a terapia g\u00eanica consiste em tratamentos que utilizam o material gen\u00e9tico e suas modifica\u00e7\u00f5es para tratar ou prevenir doen\u00e7as. Nessa t\u00e9cnica, o que ocorre \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o, dentro de c\u00e9lulas espec\u00edficas, dos genes defeituosos que causam a condi\u00e7\u00e3o por genes saud\u00e1veis, suavizando ou eliminando os efeitos de determinadas doen\u00e7as. Basicamente, genes terap\u00eauticos s\u00e3o utilizados no lugar de drogas para o tratamento da condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem dois m\u00e9todos de introdu\u00e7\u00e3o de genes saud\u00e1veis nas c\u00e9lulas para terapia g\u00eanica. O primeiro \u00e9 a t\u00e9cnica <em>in vivo<\/em>, que consiste na aplica\u00e7\u00e3o direta no organismo do paciente. A segunda t\u00e9cnica, conhecida como <em>ex vivo<\/em>, coleta as c\u00e9lulas do corpo, realiza as modifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias em laborat\u00f3rio e depois transplanta as c\u00e9lulas de volta para o paciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de a t\u00e9cnica ter apresentado avan\u00e7os significativos desde sua primeira utiliza\u00e7\u00e3o, a terapia g\u00eanica ainda \u00e9 considerada relativamente nova no campo da sa\u00fade. No Brasil, o primeiro registro de terapia g\u00eanica s\u00f3 foi aprovado pela Anvisa em julho de 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, a evolu\u00e7\u00e3o corre a passos largos: ap\u00f3s quase cinco anos da primeira aprova\u00e7\u00e3o, j\u00e1 s\u00e3o nove terapias g\u00eanicas autorizadas no Brasil. E a perspectiva de cientistas \u00e9 de um crescimento ainda maior nos pr\u00f3ximos anos \u2014 segundo o m\u00e9dico neurologista e professor da Faculdade de Medicina da UFRGS Jonas Saute, espera-se que, at\u00e9 2030, cerca de 60 tratamentos desse tipo sejam aprovados no mundo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780.jpg\" alt=\"Fotografia mostra a pesquisadora do Hospital de Clinicas da UFRGS Diana Maria Cubillos Arcila, p\u00f3s-doutoranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias M\u00e9dicas, que atua na REDE DE PESQUISA TRANSLACIONAL EM AXONOPATIAS HEREDITARIAS IAXON-BRAZIL: PARAPARESIAS ESPASTICAS HEREDITARIAS\" class=\"wp-image-111099\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2780-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisadores do Hospital de Clinicas da UFRGS trabalham no desenvolvimento de marcadores g\u00eanicos para entender a recorr\u00eancia de doen\u00e7as de fundo nervoso. Diana Maria Cubillos Arcila, p\u00f3s-doutoranda no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias M\u00e9dicas, atua na Rede de Pesquisa Translacional em Axonopatias Heredit\u00e1rias Iaxon-Brasil: parapesias Esp\u00e1sticas Heredit\u00e1rias (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789.jpg\" alt=\"Pesquisadores do Hospital de Clinicas da UFRGS trabalham no desenvolvimento de marcadores g\u00eanicos para entender a recorr\u00eancia de doen\u00e7as de fundo nervoso. Para isso, entre outras a\u00e7\u00f5es, usam monitores que lhes d\u00e3o indica\u00e7\u00f5es de dados de sa\u00fade.\" class=\"wp-image-111100\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2789-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A pesquisa de Diana, entre outras a\u00e7\u00f5es, usa monitores que lhes d\u00e3o indica\u00e7\u00f5es de dados de sa\u00fade (Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Brasil \u00e9 expoente na terapia g\u00eanica entre pa\u00edses emergentes<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanam\/article\/PIIS2667-193X(25)00005-5\/fulltext\">mapeamento<\/a> publicado pela UFRGS em mar\u00e7o deste ano revela que o Brasil \u00e9 o 12.\u00ba pa\u00eds com mais estudos cl\u00ednicos sobre terapia g\u00eanica no mundo e o primeiro entre pa\u00edses latinoamericanos. O mesmo levantamento apontou que a maioria dos estudos cl\u00ednicos sendo conduzidos no Brasil estavam em fases avan\u00e7adas de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na UFRGS, desde o ano passado um grupo liderado por Jonas trabalha nos estudos para desenvolvimento de uma terapia g\u00eanica para a doen\u00e7a SPG76, uma condi\u00e7\u00e3o degenerativa que, ao longo de v\u00e1rios anos, debilita a mobilidade das pernas, a coordena\u00e7\u00e3o motora e a fala dos pacientes afetados. Al\u00e9m do objetivo final de encontrar um tratamento eficaz, a meta do grupo \u00e9 refor\u00e7ar o protagonismo brasileiro no estudo de terapias g\u00eanicas no cen\u00e1rio mundial. \u201cA ideia \u00e9 desenvolver um produto com todas as etapas realizadas nacionalmente\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A doen\u00e7a faz parte do grupo SPG (sigla em ingl\u00eas para paraparesia esp\u00e1stica heredit\u00e1ria), um conjunto de doen\u00e7as neurol\u00f3gicas degenerativas raras que se comportam de maneira muito similar umas \u00e0s outras. A nomenclatura da doen\u00e7a estudada por Jonas vem do fato de que essa foi a 76.\u00aa do grupo a ser descrita na medicina \u2014 ao todo, atualmente j\u00e1 foram descritas 93. Por conta da similaridade entre elas, o \u00fanico jeito de diagnosticar exatamente qual tipo de SPG acomete cada paciente \u00e9 atrav\u00e9s de exames gen\u00e9ticos, como o sequenciamento de exoma, teste que proporciona uma vis\u00e3o detalhada do c\u00f3digo gen\u00e9tico, permitindo identificar altera\u00e7\u00f5es no DNA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A SPG76 foi escolhida para o estudo por uma s\u00e9rie de fatores. Um deles foi a observa\u00e7\u00e3o da aparente alta recorr\u00eancia da doen\u00e7a no Brasil em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses. Outro motivo, segundo Jonas, foi a escolha de uma doen\u00e7a cujo tratamento ainda n\u00e3o estivesse sendo estudado. \u201cA gente se apropria um pouco mais da tecnologia para conseguir de fato ter um protagonismo no campo e tamb\u00e9m faz com que os pacientes brasileiros n\u00e3o sejam deixados de lado\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor comenta, ainda, que a similaridade entre v\u00e1rias doen\u00e7as do grupo SPG \u00e9 ben\u00e9fica no cen\u00e1rio de estudos de poss\u00edveis curas e tratamentos \u2014 com a disponibilidade de uma terapia g\u00eanica para a SPG76, solu\u00e7\u00f5es para outras doen\u00e7as do grupo poderiam ser encontradas com mais facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia do estudo consiste na utiliza\u00e7\u00e3o de um <span class=\"wphints-container\" style=\"display:inline;\">\n            \n       <a href=\"javascript:void(0);\" data-box-id=\"3a9dda8c83dca0f5b328e6286e583d63\" class=\"better-links\"><strong>vetor viral<\/strong><\/a> <span class=\"wphints-data-box\" id=\"3a9dda8c83dca0f5b328e6286e583d63\" ><span class=\"wphints-triangle\"><\/span><span class=\"wphints-main-content\"><strong>V\u00edrus geneticamente modificado para transportar genes para dentro das c\u00e9lulas<\/strong><\/span><\/span><\/span>  para injetar a prote\u00edna que falta aos pacientes diretamente nas c\u00e9lulas, utilizando o m\u00e9todo <em>in vivo<\/em>. A pesquisa conta com etapas laboratoriais e cl\u00ednicas, para que os cientistas entendam melhor como a doen\u00e7a se comporta ao longo do tempo e a evolu\u00e7\u00e3o dos sintomas ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o da terapia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de se tratar de um grupo de doen\u00e7as raras, os pesquisadores envolvidos no estudo refor\u00e7am a import\u00e2ncia da busca por uma cura e tratamento para as doen\u00e7as SPG. \u201cIndividualmente, as doen\u00e7as s\u00e3o raras, mas coletivamente elas s\u00e3o comuns\u201d, explica Nevton da Rosa, p\u00f3s-doutorando que faz parte do grupo liderado por Jonas. N\u00e3o h\u00e1 um n\u00famero exato, mas estima-se que existam entre 5.000 e 8.000 doen\u00e7as raras identificadas no mundo e que cerca de <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/radio\/1\/noticia\/2022\/02\/02\/doencas-raras-atingem-cerca-de-13-milhoes-de-brasileiros\">13 milh\u00f5es de brasileiros<\/a> sejam acometidos por alguma delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a pesquisa se encontra em seus est\u00e1gios iniciais. Caso tudo corra como previsto, a pr\u00f3xima fase \u00e9 a de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/uso-de-animais-em-pesquisas-obedece-a-diretrizes-rigidas-e-segue-necessario-quando-os-modelos-alternativos-nao-dao-conta-da-complexidade-da-vida\/\">testes em camundongos transg\u00eanicos<\/a>, animais geneticamente modificados vindos dos Estados Unidos que, por ora, est\u00e3o no Centro de Reprodu\u00e7\u00e3o e Experimenta\u00e7\u00e3o de Animais de Laborat\u00f3rio da UFRGS (Creal). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica veterin\u00e1ria <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/fernanda-de-mello-e-os-avancos-na-pesquisa-com-animais-de-laboratorio\/\">Fernanda de Mello<\/a>, respons\u00e1vel pelos animais, explica que o alteramento gen\u00e9tico dos camundongos \u00e9 necess\u00e1rio para emular a condi\u00e7\u00e3o estudada. \u201cEle pode ter uma inser\u00e7\u00e3o ou supress\u00e3o de um gene, e isso causa uma modifica\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica que pode produzir um quadro similar \u00e0 doen\u00e7a que se estuda\u201d, conta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111102\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-2-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fernanda Mello realizando a limpeza e verifica\u00e7\u00e3o das gaiolas onde ficam os camundongos. O local requer um alto n\u00edvel de esteriliza\u00e7\u00e3o para evitar varia\u00e7\u00f5es na pesquisa (Foto: Pietro Scopel\/JU) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111104\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Pietro-Scopel-5414-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sistema de rack ventilada. Os animais s\u00e3o alojados em gaiolas individualmente ventiladas \u2013 IVC (Foto: Pietro Scopel\/JU) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Desafios financeiros e de infraestrutura freiam avan\u00e7os maiores<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com as recentes evolu\u00e7\u00f5es, Jonas destaca que o crescimento brasileiro no campo da terapia g\u00eanica passa por in\u00fameros desafios, a maioria deles de natureza econ\u00f4mica. N\u00e3o \u00e9 novidade: ci\u00eancia, sa\u00fade e inova\u00e7\u00e3o, especialmente quando combinadas, exigem um aporte financeiro consider\u00e1vel. No caso da terapia g\u00eanica, a pot\u00eancia dessa m\u00e1xima se expande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma \u00fanica dose da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anvisa\/pt-br\/assuntos\/noticias-anvisa\/2024\/anvisa-aprova-registro-de-primeiro-produto-de-terapia-genica-para-distrofia-muscular-de-duchenne-dmd\">\u00faltima terapia g\u00eanica aprovada pela Anvisa<\/a>, utilizada para tratar distrofia muscular de Duchenne, custa R$ 17 milh\u00f5es \u2014 atrav\u00e9s de um acordo com a farmac\u00eautica dona da patente, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade adquiriu cada dose por R$ 11 milh\u00f5es. A maioria das terapias g\u00eanicas s\u00e3o comercializadas por valores irreais para fam\u00edlias comuns. No Brasil, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) pode fazer a ponte entre os pacientes e as farmac\u00eauticas, mas Jonas ressalta que \u00e9 importante que haja planejamento financeiro estatal para que isso seja economicamente vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCom esses valores, uma \u00fanica doen\u00e7a vai gerar um impacto possivelmente bilion\u00e1rio pro pa\u00eds. No cen\u00e1rio do SUS, \u00e9 urgente entendermos como possibilitar o acesso a esses medicamentos\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPior do que n\u00e3o existir o tratamento, \u00e9 existir e o paciente n\u00e3o conseguir acessar por conta do valor\u201d<\/p>\n<cite>Jonas Saute<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2302350\">Projeto de Lei 3499\/2021<\/a>, que tramita na C\u00e2mara dos Deputados, prev\u00ea que haja regras diferentes para a precifica\u00e7\u00e3o de tratamentos de terapia g\u00eanica no Brasil a fim de combater pre\u00e7os abusivos por parte das farmac\u00eauticas. \u201cN\u00e3o \u00e9 muito transparente o custo do desenvolvimento desses rem\u00e9dios\u201d, aponta Jonas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, existe um problema de capacita\u00e7\u00e3o de profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade para entender e diagnosticar doen\u00e7as gen\u00e9ticas raras que poderiam ser tratadas com terapias g\u00eanicas. Segundo Jonas, essa dificuldade \u00e9 fruto do pouco espa\u00e7o reservado ao estudo desse tipo de condi\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o desses profissionais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nevton, no entanto, ressalta que esse \u00e9 um problema que afeta profissionais do mundo todo, n\u00e3o apenas no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPela raridade de cada uma das altera\u00e7\u00f5es, muitos m\u00e9dicos n\u00e3o conseguem atingir o diagn\u00f3stico correto, e o paciente tem que passar por uma uma odisseia diagn\u00f3stica muito grande&#8221;<\/p>\n<cite>Nevton da Rosa<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para tentar corrigir essa falha, o Governo Federal publicou, em 2014, uma <a href=\"https:\/\/portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br\/biblioteca\/portaria-no-981-de-21-de-maio-de-2014\/\">portaria<\/a> que institui a Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0s Pessoas com Doen\u00e7as Raras, criando servi\u00e7os de refer\u00eancia, capacitando profissionais e ampliando a aten\u00e7\u00e3o a pacientes com esse tipo de condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme Jonas, o melhor m\u00e9todo para que o Brasil possa crescer ainda mais no segmento de terapias g\u00eanicas e mais pacientes possam ter acesso aos tratamentos com um custo menor aos cofres p\u00fablicos \u00e9 o fomento \u00e0 pesquisa feita inteiramente no pa\u00eds, como a que \u00e9 desenvolvida na UFRGS. \u201cA nossa l\u00f3gica \u00e9 que, fazendo tudo no Brasil, tem um custo muito mais baixo do que importar tecnologia de outros pa\u00edses. \u00c9 um princ\u00edpio de autossufici\u00eancia\u201d, comenta. \u201cEsse trabalho vai trazer a base para muitos outros. Por mais que desenvolver o medicamento seja importante pros pacientes, isso vai trazer n\u00e3o s\u00f3 para a gente, mas para o resto da popula\u00e7\u00e3o, benef\u00edcios que a gente consegue aplicar durante o dia a dia.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812.jpg\" alt=\"Pesquisadores do Hospital de Clinicas da UFRGS trabalham no desenvolvimento de marcadores g\u00eanicos para entender a recorr\u00eancia de doen\u00e7as de fundo nervoso.\" class=\"wp-image-111101\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Terapia-Genica_Flavio-Dutra-2812-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nevton Teixeira Da Rosa Junior, doutor em Bioqu\u00edmica, atua no desenvolvimento de tratamento para uma doen\u00e7a rara de elevada preval\u00eancia no Brasil denominada SPG75. O tratamento ser\u00e1 baseado em um v\u00edrus modificado para entregar o material gen\u00e9tico para o tecido do modelo animal (Foto: Fl\u00e1vio Dutra)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>:: <strong>Errata:<\/strong> vers\u00e3o anterior continha informa\u00e7\u00f5es na legenda da \u00faltima foto que foram removidas a pedido da fonte para n\u00e3o prejudicar o processo de registro de patente. Data da atualiza\u00e7\u00e3o: 03\/07\/2025, \u00e0s 15:14<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline animated fadeInDown slow is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/reportagens\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da editoria <strong>Reportagem<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00fade | Levantamento da UFRGS aponta que pa\u00eds \u00e9 expoente nesse tipo de tratamento entre na\u00e7\u00f5es de economia emergente, mas acesso ainda \u00e9 dificultado pelo alto custo<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/terapia-genica-avanca-no-brasil-e-traz-novas-possibilidades-de-tratamento-para-pacientes-com-doencas-raras\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":214,"featured_media":111103,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"page_builder":"","footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[605],"tags":[102,6994,1613,4360,6995,5135,7000,104,6996,1881,82,6993],"ppma_author":[4737],"class_list":["entry","author-anagonzalez","has-excerpt","post-110771","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-reportagens","tag-ciencia","tag-doencas-geneticas","tag-doencas-raras","tag-faculdade-de-medicina","tag-geneterapia","tag-industria-farmaceutica","tag-judicializacao-da-saude","tag-pesquisa","tag-programa-de-pos-graduacao-em-ciencias-medicas","tag-saude-2","tag-sus","tag-terapia-genica"],"pp_statuses_selecting_workflow":false,"pp_workflow_action":"current","pp_status_selection":"publish","yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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