{"id":112014,"date":"2025-05-15T07:50:07","date_gmt":"2025-05-15T10:50:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=112014"},"modified":"2025-06-10T16:27:53","modified_gmt":"2025-06-10T19:27:53","slug":"a-vida-em-um-dia-mrs-dalloway-de-virginia-woolf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-vida-em-um-dia-mrs-dalloway-de-virginia-woolf\/","title":{"rendered":"A vida em um dia: Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>Obra: Giullia Brahm<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">\"Ultimamente, a experi\u00eancia do mundo havia feito brotar em todos, homens e mulheres, uma fonte de l\u00e1grimas. L\u00e1grimas e sofrimentos; coragem e resist\u00eancia; uma postura perfeitamente aprumada e estoica\"<br><br>\u2013 Trecho do livro \"Mrs. Dalloway\"<\/pre>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contida em si mesma, a premissa do romance <em>Mrs. Dalloway<\/em>, de Virginia Woolf, \u00e9 relativamente simples: Clarissa Dalloway, uma mulher da elite inglesa, percorre as ruas de uma Londres p\u00f3s-Primeira Guerra Mundial em uma quarta-feira de junho. O foco de Clarissa, em princ\u00edpio, s\u00e3o os preparativos para a festa que ela oferecer\u00e1 naquela mesma noite. O leitor que prestar um pouco mais de aten\u00e7\u00e3o, no entanto, perceber\u00e1 novas facetas dessa hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio de uma sinfonia de consci\u00eancias que se dispersam e se re\u00fanem novamente, Woolf utiliza seus personagens para trazer \u00e0 tona temas como a ag\u00eancia feminina, a passagem do tempo e as marcas devastadoras de uma guerra.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">O passado, o presente e o futuro<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de se passar ao longo de um s\u00f3 dia, <em>Mrs. Dalloway<\/em> reveza seu foco entre presente e passado, a fim de montar um quebra-cabe\u00e7as da vida de Clarissa e das pessoas em seu entorno. Por meio de <em>flashbacks<\/em>, o leitor pode entender melhor quem s\u00e3o as personagens e suas motiva\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias e pensamentos.&nbsp;\u201cS\u00e3o essas voltas ao passado que nos ajudam a entender a personagem Clarissa\u201d, resume Tain\u00e1 Dias de Castro, doutoranda em Teoria Liter\u00e1ria pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). \u201cMesmo que o livro se passe em um dia, ele fala de uma vida toda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a proximidade nauseante de seu inconsciente, a figura de Clarissa pode ser polarizante. Mergulhando em sua mente ao longo da narrativa, o leitor tem a vis\u00e3o de duas pessoas em uma. De um lado, uma socialite ensimesmada e mesquinha, que se importa mais com as rosas de sua festa do que com o genoc\u00eddio arm\u00eanio; do outro, uma mulher, m\u00e3e e esposa com d\u00favidas, arrependimentos e pouca ag\u00eancia sobre sua pr\u00f3pria vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEla \u00e9, ao mesmo tempo, oprimida pelas estruturas patriarcais da Inglaterra daquele tempo e facilitadora dessas estruturas\u201d, explica o professor de Literatura Inglesa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Davi Pinho.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Clarissa \u00e9 humanizada em sua complexidade, suas contradi\u00e7\u00f5es e ambival\u00eancias\u201d<\/p>\n<cite>Davi Pinho<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Woolf transporta o leitor para a mente de Clarissa \u2014 onde a pr\u00f3pria personagem parece viver mais do que no mundo real. Em seus pensamentos, ela rumina o passado, questiona o presente e teme o futuro. E \u00e9 nos vislumbres do passado que o leitor tem, talvez, a melhor oportunidade de conhecer a personagem a fundo. O relacionamento de natureza amb\u00edgua com uma amiga do passado; a decis\u00e3o de se casar com Richard Dalloway em vez de Peter Walsh; seus sacrif\u00edcios em troca de estabilidade e conforto: as decis\u00f5es passadas que moldaram a vida da personagem s\u00e3o centrais para o entendimento de suas atitudes no presente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Moldada pelas escolhas de Clarissa, a hist\u00f3ria se desenvolve a partir da ag\u00eancia de uma protagonista feminina \u2014 a odisseia da personagem, por exemplo, s\u00f3 tem in\u00edcio porque ela decide que ela mesma ir\u00e1 comprar as flores para a festa daquela noite. Mesmo as menores escolhas impactam o andamento da hist\u00f3ria e da vida da protagonista. \u201cAcho que esse livro \u00e9 um marco justamente porque a gente consegue ver essa personagem tomando decis\u00f5es\u201d, reflete Tain\u00e1. \u201cA cada momento que a gente vai andando ali com ela pelas ruas de Londres, a gente vai descobrindo um pouquinho mais sobre a quest\u00e3o de escolhas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><em>Mrs. Dalloway<\/em> enquanto obra modernista<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste romance, Virginia Woolf rompe com as l\u00f3gicas tradicionais de narrativa vigentes at\u00e9 ent\u00e3o. A utiliza\u00e7\u00e3o do fluxo de consci\u00eancia, a constante mudan\u00e7a de perspectiva e a fragmenta\u00e7\u00e3o do tempo parecem representar melhor as d\u00favidas, ang\u00fastias e belezas da vida do que a dureza da linearidade e do realismo. Essas e outras caracter\u00edsticas de linguagem consolidaram, ao longo do tempo, a obra como um marco do modernismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que pelas experimenta\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas, no entanto, <em>Mrs. Dalloway<\/em> representa o modernismo ao testar e tensionar os limites de uma sociedade em constru\u00e7\u00e3o. Escrito em 1925, o livro suscita debates sobre classe, g\u00eanero, sa\u00fade mental e ra\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o personagem de Septimus Warren Smith, um soldado retornado da Primeira Guerra Mundial, Woolf explora os efeitos do que ent\u00e3o era chamado de \u201cchoque de granada\u201d e viria a ser conhecido, d\u00e9cadas depois, como Transtorno de Estresse P\u00f3s-traum\u00e1tico (TEPT). Com a constru\u00e7\u00e3o difusa da rela\u00e7\u00e3o entre Clarissa e Sally Seton, a autora sugere o romance entre duas mulheres. J\u00e1 as men\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00cdndia, que foi col\u00f4nia brit\u00e2nica at\u00e9 1947, provocam questionamentos sobre coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Davi, entender o modernismo enquanto movimento que coloca em tens\u00e3o o processo hist\u00f3rico da modernidade \u00e9 fundamental para compreender o impacto da obra no momento de sua publica\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 nesse sentido mais amplo, ao mesmo tempo est\u00e9tico e pol\u00edtico, que considero o romance um marco das experimenta\u00e7\u00f5es da literatura modernista\u201d, defende.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Septimus e Clarissa, adapta\u00e7\u00e3o e ruptura<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da trama, a vida de opul\u00eancia e superficialidade de Clarissa corre em paralelo com a de Septimus, marcada pelo trauma da guerra e o fantasma da perda, sem que os dois nunca se conhe\u00e7am de fato. Com Septimus, Woolf amplifica os ecos de uma Inglaterra enlutada e questiona o que \u00e9 sanidade. Seria s\u00e3o o veterano que, ao retornar de uma guerra com efeitos catastr\u00f3ficos, age com normalidade?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua introdu\u00e7\u00e3o para a edi\u00e7\u00e3o da Modern Library de <em>Mrs. Dalloway<\/em>, em 1928, Woolf se refere a Septimus como duplo de Clarissa. Mais do que a representa\u00e7\u00e3o dos desejos reprimidos da personagem-t\u00edtulo, Septimus oferece \u00e0 obra um outro ponto de vista da sociedade londrina do per\u00edodo entreguerras \u2014 enquanto o dia de Clarissa se desenrola em torno de uma festa, o de Septimus tem como mote a rememora\u00e7\u00e3o da perda tr\u00e1gica de seu amigo no campo de combate. \u201cEle \u00e9 seu duplo tamb\u00e9m no sentido de que redobra as preocupa\u00e7\u00f5es da Clarissa a partir de uma posi\u00e7\u00e3o radicalmente diferente naquela sociedade\u201d, explica Davi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">T\u00e3o distantes socialmente, os personagens funcionam, ao mesmo tempo, como espelhos deturpados um do outro. Enquanto Clarissa se movimenta de forma a sempre se encaixar nas expectativas sociais, Septimus rompe com a l\u00f3gica conformista. De modos distintos, ambos encaram ao longo da trama a fragilidade da vida e o peso das expectativas sociais: Clarissa, pelas sutilezas e concess\u00f5es da vida na elite; Septimus, pela brutal rejei\u00e7\u00e3o a um mundo despreparado para compreender seu sofrimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liga\u00e7\u00e3o entre Clarissa e Septimus refor\u00e7a uma das principais ideias do romance: a linha t\u00eanue entre sanidade e desespero, entre adapta\u00e7\u00e3o e ruptura. Clarissa escolhe se mover dentro das regras sociais, mesmo observando suas limita\u00e7\u00f5es; Septimus, por outro lado, n\u00e3o consegue encontrar seu lugar em um mundo deturpado pela guerra, se afastando cada vez mais da vida em sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com <em>Mrs. Dalloway<\/em>, Woolf perpassa as complexidades da experi\u00eancia humana atrav\u00e9s da tens\u00e3o entre passado e futuro; mem\u00f3ria e desejo; opress\u00e3o e submiss\u00e3o; vida e morte; conformismo e rebeldia. Ao fim de tudo, a trama culmina na festa, um espa\u00e7o em que a vida se apresenta como uma resposta final \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es. \u201cVirginia Woolf \u00e9, em muitos sentidos, uma pensadora da vida\u201d, reflete Davi. \u201cSua escrita insiste na vida, na festa, apesar de tudo, talvez por causa de tudo.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o em tecnica de colagem sobre papel, alusiva \u00e0 obra Mrs Dalloway, da autora Virginia Woolf, leitura obrigat\u00f3ria Vestibular 2026 UFRGS\" class=\"wp-image-112422\" style=\"width:600px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mrs-dalloway-Virginia-Woolf-horizontal-POR-Giullia-Brahm-1-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Giullia Brahm (Gravata\u00ed, 2002).<br>Mrs. Dalloway, 2025.<br>Colagem, frotagem e carimbo sobre papel, 21 x 29,7cm.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group has-accent-background-color has-background\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\" id=\"wp-block-themeisle-blocks-image-e86183b2\"><img decoding=\"async\" width=\"1498\" height=\"542\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-112453\" style=\"width:300px\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa.jpg 1498w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa-300x109.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa-175x63.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa-768x278.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa-465x168.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/lEITURAS-OBRIGATORIAS-Montagem-capa-695x251.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1498px) 100vw, 1498px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-text-color has-link-color wp-elements-1\" style=\"color:#003f63;font-style:normal;font-weight:800\"><strong>Especial Leituras Obrigat\u00f3rias<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:13px\">Com o objetivo de ampliar as experi\u00eancias de leitura, o JU produz, desde 2018, uma s\u00e9rie de reportagens em que especialistas destacam aspectos e fazem an\u00e1lises interpretativas das obras indicadas pela Universidade. Acompanha cada texto a cria\u00e7\u00e3o de artistas convidados que dialoga com a obra e a biografia de autoras e autores. Veja as reportagens&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/leituras-obrigatorias\/\">aqui<\/a>.<br><br><strong>Giullia Brahm<\/strong> \u00e9 estudante de bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande Sul (IA\/UFRGS), institui\u00e7\u00e3o onde atua como membro do N\u00facleo de Arte Impressa, grupo de pesquisa e extens\u00e3o coordenado pela professora Helena Kanaan. Trabalhando principalmente com a linguagem da gravura, Giullia explora as intersec\u00e7\u00f5es entre a experi\u00eancia vivida e os processos art\u00edsticos, buscando uma intensifica\u00e7\u00e3o do viver no fazer arte.<\/p>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obra tensiona as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade moderna ao debater temas como g\u00eanero, sa\u00fade mental e colonialismo<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-vida-em-um-dia-mrs-dalloway-de-virginia-woolf\/\">Leia 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