{"id":118447,"date":"2025-10-09T07:14:00","date_gmt":"2025-10-09T10:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=118447"},"modified":"2025-10-09T12:48:31","modified_gmt":"2025-10-09T15:48:31","slug":"o-meu-patrao-e-o-povo-da-alta-do-diesel-a-revolta-juvenil-de-julho-de-2025-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-meu-patrao-e-o-povo-da-alta-do-diesel-a-revolta-juvenil-de-julho-de-2025-em-angola\/","title":{"rendered":"\u201cO meu patr\u00e3o \u00e9 o povo\u201d: da alta do diesel \u00e0 revolta juvenil de julho de 2025 em Angola"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Jos\u00e9 Mussunda analisa os efeitos dos protestos sobre a cultura pol\u00edtica, a governabilidade e seus poss\u00edveis desdobramentos para o pa\u00eds africano<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\">*<em>Ilustra\u00e7\u00e3o:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ooppedro\/\">Pedro Stelmach<\/a>\/<a href=\"http:\/\/instagram.com\/histpraticart\">Programa de Extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas<\/a>, DAV-IA\/UFRGS<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revolta dos animais contra o Sr. Jones, na obra de George Orwell, decorre de um contexto marcado por explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, neglig\u00eancia e fome. O propriet\u00e1rio da granja, caracterizado pela m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, submetia os animais a jornadas exaustivas de trabalho, sem lhes assegurar condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de subsist\u00eancia. Diante desse cen\u00e1rio, os animais s\u00e3o influenciados pelo discurso do porco Velho Major, que prop\u00f5e a emancipa\u00e7\u00e3o coletiva e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade autogerida, baseada na igualdade e na rejei\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o humana. Motivados por essa ideologia e impulsionados por um epis\u00f3dio de fome extrema, organizam-se e promovem uma insurrei\u00e7\u00e3o que culmina na expuls\u00e3o de Jones e na instaura\u00e7\u00e3o da chamada Revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicia-se por essa f\u00e1bula pol\u00edtico-hist\u00f3rica n\u00e3o apenas por ser uma den\u00fancia \u00e0 trai\u00e7\u00e3o dos ideais revolucion\u00e1rios, mas tamb\u00e9m por ilustrar como uma luta por igualdade pode ser cooptada por lideran\u00e7as autorit\u00e1rias. A obra evidencia como a psicologia das massas, sobretudo em contextos de autoritarismo, fome, corrup\u00e7\u00e3o e desemprego, pode conduzir \u00e0 desobedi\u00eancia civil e \u00e0 eclos\u00e3o de revoltas populares. Foi o que se observou, de forma in\u00e9dita em 50 anos de independ\u00eancia, em Angola, nos dias 28 a 30 de julho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A revolta de julho est\u00e1 diretamente relacionada ao fim da subven\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis, medida vinculada \u00e0 agenda neoliberal acordada entre o governo angolano e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) desde o primeiro mandato do atual presidente (2017\u20132022).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa pol\u00edtica foi implementada de forma gradual e ganhou maior efetividade no segundo mandato (2022\u20132027), sendo que, em 2023, o Executivo anunciou, com discurso moralizador, que a medida permitiria \u201crealizar mais investimentos em \u00e1reas fundamentais para o desenvolvimento do pa\u00eds\u201d (<a href=\"https:\/\/governo.gov.ao\/noticias\/753\/economia\/fim-da-subvencao-aos-combustiveis\/mais-investimentos-em-areas-prioritarias\">Governo de Angola, 2023<\/a>). Em um contexto de pobreza multidimensional, a quest\u00e3o que se imp\u00f5e \u00e9: quem s\u00e3o, de fato, os benefici\u00e1rios dessa pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse questionamento \u00e9 central para compreender os protestos liderados, sobretudo, por taxistas de carros particulares, principal meio de transporte da popula\u00e7\u00e3o angolana, especialmente em Luanda. A paralisa\u00e7\u00e3o foi convocada em resposta ao aumento de 33% no pre\u00e7o do gas\u00f3leo (<a href=\"https:\/\/expansao.co.ao\/angola\/detalhe\/preco-do-gasoleo-subiu-e-passa-a-custar-400-kwanzas-a-partir-de-hoje--66208.html\">diesel<\/a>), tendo como lema \u201cfica em casa\u201d, um exemplo cl\u00e1ssico de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o violenta, conforme proposto por Gene Sharp na obra <em>Da ditadura \u00e0 democracia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comunicado da paralisa\u00e7\u00e3o gerou como\u00e7\u00e3o social e uma tentativa de di\u00e1logo por parte do governo provincial com os organizadores do protesto. Emergiram, contudo, diverg\u00eancias internas: uma ala moderada acatou o an\u00fancio de cancelamento da paralisa\u00e7\u00e3o, enquanto outra, mais radicalizada, rejeitou tal decis\u00e3o e reafirmou a manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Esse impasse gerou um ambiente de desinforma\u00e7\u00e3o e suspei\u00e7\u00e3o institucional, fomentando um clima de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do Estado, sobretudo o governo e a m\u00eddia estatal, que divulgaram informa\u00e7\u00f5es conflitantes com as redes oficiais dos organizadores. No dia 28 de julho, muitos cidad\u00e3os sa\u00edram para o trabalho e depararam-se com barricadas, protestos nas vias p\u00fablicas e jovens que interpelavam ve\u00edculos, impedindo a circula\u00e7\u00e3o e o funcionamento normal da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Pol\u00edcia Nacional interveio inicialmente com uso de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, o que intensificou os confrontos e levou \u00e0 escalada da revolta popular. Em Luanda e na prov\u00edncia do Icolo e Bengo, pneus e viaturas foram queimados, dep\u00f3sitos de lixo incendiados e empresas p\u00fablicas e privadas vandalizadas. Supermercados e lojas foram saqueados. Liderados por jovens desempregados, <a href=\"https:\/\/angola.org\/zungueira\/\">zungueiras <\/a>e mototaxistas, os protestos indicam uma reconfigura\u00e7\u00e3o da cultura pol\u00edtica juvenil, rompendo com o ditado popular \u201c<em>X\u00ea, menino, n\u00e3o fala pol\u00edtica<\/em>\u201d, dando lugar a uma desobedi\u00eancia civil de base popular.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este ensaio busca compreender os fatores que explicam essa muta\u00e7\u00e3o cultural e suas implica\u00e7\u00f5es para a estabilidade do regime autorit\u00e1rio angolano. O objetivo \u00e9 analisar os efeitos desse processo sobre a cultura pol\u00edtica, a governabilidade e seus poss\u00edveis desdobramentos nas elei\u00e7\u00f5es gerais de 2027.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo dados do <a href=\"https:\/\/ophi.org.uk\/sites\/default\/files\/2023-12\/ine_2020_pobreza_angola.pdf\">Instituto Nacional de Estat\u00edstica<\/a> (INE, 2021), a juventude representa a maior parcela demogr\u00e1fica do pa\u00eds e \u00e9 tamb\u00e9m a mais afetada pela crise econ\u00f4mica, pelo desemprego estrutural e pela pobreza multidimensional. Em junho de 2025, um m\u00eas antes dos protestos, o presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o, durante inaugura\u00e7\u00f5es na rec\u00e9m-criada prov\u00edncia do Moxico Leste, afirmou que \u201co meu patr\u00e3o \u00e9 o povo\u201d, reiterando uma ret\u00f3rica recorrente de aproxima\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica com os jovens. No entanto, durante os protestos, esse mesmo slogan foi apropriado pelos manifestantes e entoado nas ruas como forma de invers\u00e3o performativa do discurso estatal, revelando uma disputa pela narrativa do poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa apropria\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica expressa uma ruptura com a l\u00f3gica vertical do comando autorit\u00e1rio, substituindo o cidad\u00e3o-s\u00fadito pelo cidad\u00e3o-sujeito. A juventude angolana n\u00e3o \u00e9 ap\u00e1tica, mas conformada por uma cultura pol\u00edtica de autopreserva\u00e7\u00e3o, marcada pelo medo, pela censura e pela socializa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria nas fam\u00edlias e institui\u00e7\u00f5es educativas. Como argumenta L\u00fckl\u00fcsl\u00fc, existe um \u201c<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/new-perspectives-on-turkey\/article\/abs\/necessary-conformism-an-art-of-living-for-young-people-in-turkey\/0FC229109C563DC989D937DA0CADEF52\">necessary conformism<\/a>\u201d: os jovens evitam falar de pol\u00edtica, mas sentem seus efeitos e engajam-se de formas alternativas quando seus direitos s\u00e3o violados.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A delibera\u00e7\u00e3o unilateral do Executivo sobre os combust\u00edveis impactou diretamente o custo dos transportes e das cestas b\u00e1sicas, aprofundando o mal-estar social. A resposta do Estado foi a repress\u00e3o violenta, com uso desproporcional da for\u00e7a, inclusive muni\u00e7\u00f5es letais, resultando em dezenas de mortes, centenas de feridos e detidos. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal pr\u00e1tica, segundo Achille Mbembe, configura uma \u201cnecropol\u00edtica\u201d, na qual o Estado decide quem pode viver e quem deve morrer. Agentes da Pol\u00edcia Nacional, dos Servi\u00e7os de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal (SIC) e das For\u00e7as Armadas atuaram com brutalidade nas vias p\u00fablicas, especialmente nas periferias, onde o controle e a viol\u00eancia foram mais intensos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com dados oficiais divulgados pela imprensa e pela pr\u00f3pria Pol\u00edcia Nacional, os protestos resultaram em pelo menos 30 mortes. Esses n\u00fameros evidenciam o car\u00e1ter autorit\u00e1rio do regime angolano e a viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos direitos civis, conforme apontado nos relat\u00f3rios da <a href=\"https:\/\/freedomhouse.org\/country\/angola\/freedom-world\/2024\">Freedom House (2024)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura sobre regimes autorit\u00e1rios interpreta o conformismo como resultado de uma racionalidade pr\u00e1tica, na medida em que, em contextos repressivos, o sil\u00eancio pol\u00edtico se configura como estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia. A satura\u00e7\u00e3o desse sil\u00eancio, alimentada por frustra\u00e7\u00f5es acumuladas, promessas n\u00e3o cumpridas, desemprego estrutural e agravamento das desigualdades, contudo, contribuiu para o esgotamento do pacto t\u00e1cito entre Estado e sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As manifesta\u00e7\u00f5es de julho n\u00e3o foram espont\u00e2neas; resultaram de um processo de assimila\u00e7\u00e3o e acomoda\u00e7\u00e3o diante da deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais, da perda de legitimidade do governo e da percep\u00e7\u00e3o generalizada de injusti\u00e7a sist\u00eamica. Do ponto de vista sociol\u00f3gico e da ci\u00eancia pol\u00edtica, esses protestos n\u00e3o devem ser reduzidos a meros atos de vandalismo ou arrua\u00e7as, como t\u00eam sido representados nos comunicados oficiais do Executivo pela m\u00eddia estatal e pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio, devem ser compreendidos como express\u00e3o de uma nova cultura pol\u00edtica juvenil, orientada por uma \u201cluta por reconhecimento e redistribui\u00e7\u00e3o\u201d, nos termos propostos por <a href=\"https:\/\/revistas.usp.br\/cadernosdecampo\/article\/view\/50109\">Nancy Fraser<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.trt13.jus.br\/institucional\/ejud\/material-dos-cursos-e-eventos\/anos-anteriores\/cursos-de-2014\/9-teoria-critica-e-direito-06-a-08-de-agosto\/honneth-luta-por-reconhecimento.pdf\">Axel Honneth<\/a>. Nesse processo, as redes sociais desempenharam papel central, permitindo uma coordena\u00e7\u00e3o descentralizada, a den\u00fancia de abusos policiais e a ruptura do monop\u00f3lio narrativo do Estado. TikTok, Facebook e outras plataformas digitais tornaram-se arenas simb\u00f3licas de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o, demonstrando que, antes de ser institucional, a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 semi\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora sem lideran\u00e7a centralizada, os protestos de julho demonstraram capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o, dificultando a\u00e7\u00f5es repressivas seletivas. A repress\u00e3o violenta e a persegui\u00e7\u00e3o a ativistas, incluindo o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Taxistas, revelam o p\u00e2nico do regime diante da emerg\u00eancia de novas subjetividades pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que n\u00e3o tenham provocado mudan\u00e7as imediatas na estrutura de poder, os protestos constituem um marco na hist\u00f3ria recente da cultura pol\u00edtica angolana. Revelaram o desgaste do modelo autorit\u00e1rio e a emerg\u00eancia de novos atores pol\u00edticos: os jovens, mulheres e trabalhadores informais, dispostos a reapropriar-se do espa\u00e7o p\u00fablico. Como sustentou <a href=\"https:\/\/pages.ucsd.edu\/~bslantchev\/courses\/ps240\/05%20Cooperation%20with%20States%20as%20Unitary%20Actors\/Hirschman%20-%20Exit,%20voice,%20and%20loyalty%20%5BCh%201-5%5D.pdf\">Hirschman<\/a>, quando as vias institucionais de \u201cvoice\u201d (voz) s\u00e3o bloqueadas, a \u201cexit\u201d (fuga) ou a rebeli\u00e3o tornam-se inevit\u00e1veis.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A repress\u00e3o foi brutal, mas ineficaz em restaurar o sil\u00eancio. Como escreveu Frantz Fanon, quando <a href=\"https:\/\/www.kufunda.net\/publicdocs\/Frantz%20Fanon%20-%20Os%20Condenados%20da%20Terra-Editora%20Ulisseia%20(1961).pdf\">os condenados da terra<\/a> tomam consci\u00eancia de sua condi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o se deixam governar da mesma forma. O conformismo necess\u00e1rio perdeu sua efic\u00e1cia. A desobedi\u00eancia civil emergiu como linguagem de ruptura e demanda por reconhecimento. Resta saber se ser\u00e1 cooptada, reprimida ou se alimentar\u00e1 um novo imagin\u00e1rio democr\u00e1tico em Angola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mobiliza\u00e7\u00e3o de julho de 2025 pede uma nova lideran\u00e7a pol\u00edtica, desafia analistas e decisores a repensarem os limites da estabilidade pol\u00edtica baseada na repress\u00e3o e na comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, reconhecendo a centralidade dos jovens e dos setores marginalizados na constru\u00e7\u00e3o de uma nova gram\u00e1tica pol\u00edtica em Angola.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2274808606988381\">Jos\u00e9 Mussunda<\/a> \u00e9 doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UFRGS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/artigo\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da coluna <strong>Artigos<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>As opini\u00f5es expressas nos textos assinados s\u00e3o de responsabilidade de seus autores e n\u00e3o refletem o posicionamento editorial do JU ou da UFRGS.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div 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julho de 2025 em Angola - Jornal da Universidade<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Artigo | Doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Jos\u00e9 Mussunda analisa os efeitos dos protestos sobre a cultura pol\u00edtica, a governabilidade e seus poss\u00edveis desdobramentos para o pa\u00eds africano\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/o-meu-patrao-e-o-povo-da-alta-do-diesel-a-revolta-juvenil-de-julho-de-2025-em-angola\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cO meu patr\u00e3o \u00e9 o povo\u201d: da alta do diesel \u00e0 revolta juvenil de julho de 2025 em Angola - Jornal da Universidade\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Artigo | Doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Jos\u00e9 Mussunda analisa 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