{"id":118549,"date":"2025-11-06T07:16:00","date_gmt":"2025-11-06T10:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=118549"},"modified":"2025-12-30T10:29:28","modified_gmt":"2025-12-30T13:29:28","slug":"relevo-e-resiliencia-urbana-por-que-reconhecer-a-natureza-das-formas-importa-em-tempos-de-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/relevo-e-resiliencia-urbana-por-que-reconhecer-a-natureza-das-formas-importa-em-tempos-de-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Relevo e resili\u00eancia urbana: por que reconhecer a natureza das formas importa em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Artigo | Mois\u00e9s Rehbein e Nina Simone Moura, da Geografia, alertam que as plan\u00edcies urbanas de Pelotas (RS) estar\u00e3o mais sujeitas a inunda\u00e7\u00f5es recorrentes com a intensifica\u00e7\u00e3o de eventos extremos<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\">*<em>*Ilustra\u00e7\u00e3o:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/artiumana\">Ana Carnelossi<\/a>\/\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/histpraticart\/\">Programa de Extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas<\/a>, DAV-IA\/UFRGS<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) alerta: o n\u00edvel m\u00e9dio global do mar deve subir nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, impulsionado pelas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. No sul do Brasil, estudos indicam que o cen\u00e1rio pode piorar com a maior frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Rio Grande do Sul, as plan\u00edcies costeiras est\u00e3o entre as \u00e1reas mais sens\u00edveis. Em zonas urbanas, chuvas intensas somadas \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o dos cursos d\u2019\u00e1gua t\u00eam provocado falhas nos sistemas de drenagem e atingido milhares de pessoas. Em Pelotas, cidade \u00e0s margens da laguna dos Patos, do Canal S\u00e3o Gon\u00e7alo e do arroio Pelotas, 22.341 domic\u00edlios foram diretamente afetados pelas inunda\u00e7\u00f5es da emerg\u00eancia clim\u00e1tica de maio de 2024, segundo o IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, especialistas alertam para a urg\u00eancia de planejar e implementar medidas de adapta\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia urbana. N\u00f3s entendemos que entre essas medidas est\u00e1 a inser\u00e7\u00e3o do relevo como elemento central no ordenamento territorial, considerando tanto as suas caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas \u2014 como formas, altitudes e declividades \u2014 como a compreens\u00e3o de suas morfog\u00eaneses \u2014 origens e transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas regi\u00f5es costeiras, por exemplo, as formas do relevo registram antigos avan\u00e7os e recuos do mar, servindo como evid\u00eancias de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e ambientais do passado. Um marco desse processo ocorreu h\u00e1 cerca de cinco mil anos, durante a \u00faltima transgress\u00e3o marinha, quando o n\u00edvel relativo do mar alcan\u00e7ou entre 4 e 5 metros acima do atual na regi\u00e3o costeira do Rio Grande do Sul. O estudo dessas din\u00e2micas, sobretudo ao longo do per\u00edodo Quatern\u00e1rio \u2014 o mais recente da hist\u00f3ria geol\u00f3gica \u2014, oferece informa\u00e7\u00f5es fundamentais para entender os processos geomorfol\u00f3gicos em curso e orientar pol\u00edticas p\u00fablicas diante dos desafios socioambientais do presente e do futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para \u00e1rea urbana de Pelotas o nosso trabalho mapeou onze formas de relevo, distribu\u00eddas em colinas, terra\u00e7os e plan\u00edcies, cada uma marcada por caracter\u00edsticas espec\u00edficas morfol\u00f3gicas e morfogen\u00e9ticas. O estudo destaca que algumas dessas formas foram moldadas ao longo do per\u00edodo Quatern\u00e1rio para acomodar inunda\u00e7\u00f5es relacionadas a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 o caso das plan\u00edcies urbanas da cidade \u2014 superf\u00edcies de baixas altitudes e declividades, cuja pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada a processos recorrentes de alagamentos e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a previs\u00e3o de maior frequ\u00eancia de chuvas extremas, da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e, consequentemente, da altera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de base dos cursos d\u2019\u00e1gua \u2014 como a laguna dos Patos, o Canal S\u00e3o Gon\u00e7alo e o arroio Pelotas \u2014, n\u00f3s alertamos que as plan\u00edcies urbanas correm o risco de se transformar em \u00e1reas permanentemente alagadas e sujeitas a inunda\u00e7\u00f5es recorrentes. <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses processos devem ser intensificados pelas compensa\u00e7\u00f5es hidrost\u00e1ticas e que resultar\u00e3o na eleva\u00e7\u00e3o e\/ou na emerg\u00eancia dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, reproduzindo condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que marcaram o passado geol\u00f3gico recente da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do cen\u00e1rio que se anuncia, nosso trabalho tamb\u00e9m questiona a efic\u00e1cia das medidas de controle e prote\u00e7\u00e3o contra alagamentos e inunda\u00e7\u00f5es adotadas at\u00e9 o momento, como aterros, sistemas de drenagem, casas de bomba e diques.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entendemos que tais estrat\u00e9gias, aplicadas nas plan\u00edcies para proteger \u00e1reas urbanas, tendem a se revelar insuficientes em um futuro pr\u00f3ximo \u2014 talvez ainda antes do final deste s\u00e9culo \u2014, equivalendo, em analogia, \u201cao esfor\u00e7o de se retirar \u00e1gua, com um balde, de uma canoa furada \u00e0 deriva em um mar revolto\u201d.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As plan\u00edcies correspondem a cerca de 30% do per\u00edmetro urbano de Pelotas e abrigam aproximadamente um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o da cidade. Nesse contexto, defendemos que os remanescentes naturais dessas \u00e1reas sejam urgentemente reconhecidos como unidades de conserva\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o essencial na regula\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica. Destacamos que as plan\u00edcies pertencem, por ess\u00eancia, aos cursos d\u2019\u00e1gua; n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que recebem a denomina\u00e7\u00e3o de plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, nosso estudo aponta como \u00fanica alternativa sustent\u00e1vel uma solu\u00e7\u00e3o baseada na pr\u00f3pria natureza geomorfol\u00f3gica da \u00e1rea, considerando as superf\u00edcies de relevos em terra\u00e7os e baixas colinas do per\u00edmetro urbano como op\u00e7\u00f5es mais seguras para a expans\u00e3o da cidade de Pelotas. Essas unidades de relevos possuem superf\u00edcies planas, terrenos est\u00e1veis e muito baixa suscetibilidade a alagamentos e inunda\u00e7\u00f5es, pois est\u00e3o distantes dos cursos d\u2019\u00e1gua e situadas em patamares altim\u00e9tricos elevados, onde o n\u00edvel fre\u00e1tico \u00e9 mais profundo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesses relevos, identificamos expressivos vazios urbanos que poderiam ser ocupados prioritariamente e sem a necessidade de onerosas obras de controle e prote\u00e7\u00e3o contra inunda\u00e7\u00f5es. Os terra\u00e7os e as colinas em Pelotas, em outras palavras, \u201cs\u00e3o obras da pr\u00f3pria engenharia da natureza, dimensionadas ao longo de mil\u00eanios, j\u00e1 dispon\u00edveis para nos salvaguardar das inunda\u00e7\u00f5es!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Relevo-e-resiliencia-urbana-por-que-reconhecer-a-natureza-das-formas-importa-em-tempos-de-mudancas-climaticas-site.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-121973\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Relevo-e-resiliencia-urbana-por-que-reconhecer-a-natureza-das-formas-importa-em-tempos-de-mudancas-climaticas-site.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Relevo-e-resiliencia-urbana-por-que-reconhecer-a-natureza-das-formas-importa-em-tempos-de-mudancas-climaticas-site-300x200.jpg 300w, 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href=\"https:\/\/www.instagram.com\/histpraticart\/\">Programa de Extens\u00e3o Hist\u00f3rias e Pr\u00e1ticas Art\u00edsticas<\/a>, DAV-IA\/UFRGS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso e dos desafios ambientais atuais e futuros, entendemos que fortalecer a resili\u00eancia da cidade de Pelotas \u2014 e isso tamb\u00e9m se aplica aos outros centros urbanos situados nas plan\u00edcies e terras baixas costeiras do RS \u2014 exige a incorpora\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o relevo e seus processos de forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas de ordenamento territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente artigo teve como base o trabalho intitulado <em>Cartografia das morfog\u00eaneses do relevo aplicada ao ordenamento territorial na \u00e1rea do per\u00edmetro urbano de Pelotas (RS\/Brasil)<\/em>, apresentado e premiado no XV Simp\u00f3sio Nacional de Geomorfologia, realizado em agosto de 2025 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-background-color has-background wp-block-paragraph\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9410223282785441\">Mois\u00e9s Ortemar Rehbein<\/a> \u00e9 professor do Departamento de Geografia da UFPel e p\u00f3s-doutorando do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UFRGS.<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0634706736636728\">Nina Simone Vilaverde Moura<\/a> \u00e9 professora do Departamento de Geografia da UFRGS.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/artigo\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da coluna <strong>Artigos<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size wp-block-paragraph\"><em>As opini\u00f5es expressas nos textos assinados s\u00e3o de responsabilidade de seus autores e n\u00e3o refletem o posicionamento editorial do JU ou da UFRGS.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mois\u00e9s Rehbein e Nina Simone Moura, da Geografia, alertam que as plan\u00edcies urbanas de Pelotas (RS) estar\u00e3o mais sujeitas a 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