{"id":121943,"date":"2025-11-13T07:48:00","date_gmt":"2025-11-13T10:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=121943"},"modified":"2025-11-13T08:56:06","modified_gmt":"2025-11-13T11:56:06","slug":"martha-medeiros-escrever-para-mim-foi-uma-maneira-de-eu-organizar-o-meu-eu-interno-e-silencioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/martha-medeiros-escrever-para-mim-foi-uma-maneira-de-eu-organizar-o-meu-eu-interno-e-silencioso\/","title":{"rendered":"Martha Medeiros: \u201cEscrever, para mim, foi uma maneira de organizar o meu eu interno e silencioso\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Entrevista | Patrona da Feira do Livro de Porto Alegre analisa sua trajet\u00f3ria e conta sobre sua rela\u00e7\u00e3o com a escrita <\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\"><em>*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre colet\u00e2neas de poemas e cr\u00f4nicas, guias e relatos de viagem, romances, novelas e contos, a escritora Martha Medeiros j\u00e1 contabiliza mais de 30 livros publicados. Em 2025, mesmo ano em que completa 40 anos do lan\u00e7amento de seu primeiro livro, ela \u00e9 a patrona da 71.\u00aa Feira do Livro de Porto Alegre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Natural da capital ga\u00facha, Martha \u00e9 formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social e iniciou sua carreira na \u00e1rea de publicidade e propaganda. Ela passou a atuar integralmente como escritora ap\u00f3s consolidar seu espa\u00e7o no meio liter\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao JU, a escritora conta como est\u00e1 sendo ocupar o espa\u00e7o de patrona e sobre a rela\u00e7\u00e3o dela com a escrita, os leitores e a feira ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em 71 edi\u00e7\u00f5es da Feira do Livro de Porto Alegre, essa \u00e9 a nona vez que uma mulher \u00e9 patrona do evento. Antes de 2010, apenas tr\u00eas mulheres haviam exercido essa fun\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea percebe a import\u00e2ncia, tanto para a literatura quanto para os leitores, de ter mulheres ocupando esse espa\u00e7o?<\/strong><br>Eu acho muito bacana que as mulheres estejam ocupando esse espa\u00e7o do patronato da feira. E n\u00e3o s\u00f3 esse, eu acho importante que a gente tenha representatividade em todos os setores da sociedade. Em se tratando especificamente da feira, \u00e9 natural: 71 edi\u00e7\u00f5es, nove patronas, \u00e9 certo que a gente precisa equalizar isso e acho que a caminhada come\u00e7ou. H\u00e1 muitas mulheres talentosas que merecem esse mesmo prest\u00edgio, essa mesma visibilidade, e isso \u00e9 muito bom para os leitores tamb\u00e9m, que acabam conhecendo mais a obra de mulheres. Tem muitas mulheres escritoras fazendo um trabalho espetacular. O mercado editorial est\u00e1 muito aquecido tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a da literatura feminina. Acho, ent\u00e3o, que o movimento como um todo \u00e9 muito positivo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como foi para voc\u00ea receber o convite para ser patrona?<\/strong><br>Eu me senti muito orgulhosa. N\u00e3o podia ter vindo no momento mais apropriado, porque 2025 \u00e9 o ano em que eu celebro 40 anos de literatura. Eu publiquei meu primeiro livro, Strip-Tease, em 1985. Era um livro de poemas, e desde l\u00e1 eu estive muito presente na vida dos meus leitores. J\u00e1 publiquei mais de 30 livros e v\u00e1rias colet\u00e2neas e, dentro desses 40 anos, mais de 30 tamb\u00e9m s\u00e3o dedicados \u00e0 coluna de jornal tanto na Zero Hora quanto em O Globo. Eu nunca pausei, n\u00e3o sou, portanto, uma &#8216;autora bissexta&#8217; \u2013 ao contr\u00e1rio, t\u00f4 sempre publicando, lan\u00e7ando livros e com presen\u00e7a semanal nos jornais h\u00e1 tantos e tantos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ter recebido esse convite, ent\u00e3o, de certa forma, me fez sentir gratificada pelo trabalho feito at\u00e9 aqui. Me senti reconhecida. Tamb\u00e9m acho que \u00e9 uma grande oportunidade de retribuir aos meus leitores, incentivando a literatura, falando sobre a import\u00e2ncia do livro. Foi muito bacana, e eu espero estar \u00e0 altura desse papel.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00ea nasceu e cresceu em Porto Alegre. Como era a sua rela\u00e7\u00e3o com a feira do livro antes de se tornar escritora?<\/strong><br>Eu sempre gostei muito de livros, desde crian\u00e7a. A minha rela\u00e7\u00e3o com a feira, assim, sempre foi de muita expectativa. Eu nunca fui muito de parque de divers\u00f5es, de circo. Claro, eu frequentava, eu ia com a minha fam\u00edlia, mas a feira dialogava comigo de outra maneira. Era realmente o lugar em que eu me sentia excitada por estar cercada de tantas oportunidades de leitura. Estar num lugar repleto de livros, numa pra\u00e7a ao ar livre: para mim aquilo j\u00e1 era realmente um evento. E era s\u00f3 uma vez por ano, ent\u00e3o eu aguardava com muita ansiedade o momento de visitar a feira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando estudante, j\u00e1 um pouco maior, eu ia a p\u00e9 at\u00e9 a Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega com amigas, com colegas do col\u00e9gio e j\u00e1 levava ali um dinheirinho que eu separava da mesada &#8211; na \u00e9poca eu nem trabalhava &#8211; para comprar o que eu queria. Sempre foi um momento de muita felicidade e admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o que \u00e9 louco: nunca na minha vida imaginei que eu teria outro tipo de rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o a de cliente, de frequentadora, mas como consumidora de livros. Depois houve essa virada de chave, em que eu come\u00e7o a escrever meus pr\u00f3prios livros e a lan\u00e7\u00e1-los na pr\u00f3pria feira, tudo ficou ainda mais m\u00e1gico.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E como passou a ser a sua rela\u00e7\u00e3o com a feira ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o dos livros?<\/strong><br>Pois \u00e9, a\u00ed entra essa virada de chave. Quando eu lancei meu primeiro livro de poemas, eu achei que ia ser filho \u00fanico, que eu n\u00e3o ia ter uma carreira liter\u00e1ria. Achei que eu ia publicar uma coisa ou outra em paralelo \u00e0 minha profiss\u00e3o, que na \u00e9poca era a de publicit\u00e1ria. Imaginei que aquilo ali ia ser uma oportunidade de eu estar do outro lado do balc\u00e3o, sentada e recebendo os leitores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que tudo isso come\u00e7ou de forma muito t\u00edmida, eu n\u00e3o tinha um p\u00fablico leitor. Tinha os amigos que me liam e uma que outra pessoa que come\u00e7ou a conhecer o meu trabalho, mas foi tudo realmente muito devagar. A\u00ed eu publiquei uns quatro ou cinco livros de poesia e, dentro da cidade [Porto Alegre], comecei a ficar conhecida em raz\u00e3o desses poemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que realmente come\u00e7ou a ficar maior e a me dar mais proje\u00e7\u00e3o foi quando, em 1994, eu comecei a escrever para a Zero Hora. A cr\u00f4nica, pela caracter\u00edstica de ser uma publica\u00e7\u00e3o mais constante e, portanto, de criar um v\u00ednculo com o leitor, faz com que as pessoas conhe\u00e7am mais o teu nome, e daqui a pouco j\u00e1 est\u00e3o at\u00e9 esperando a pr\u00f3xima. A rela\u00e7\u00e3o com o leitor passa a ser mais \u00edntima, se \u00e9 que a gente pode dizer isso de escritor e leitor. Eu acredito &#8211; sendo uma rela\u00e7\u00e3o a dois, por mais que sejamos lidos por muita gente &#8211; que cada leitor acaba criando um v\u00ednculo contigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E [depois disso] eu vou para feira e, da\u00ed, sim, come\u00e7am a ter filas maiores, pessoas do interior que v\u00eam tamb\u00e9m. Tem mais um outro momento, que \u00e9 quando eu come\u00e7o a escrever para fora do Rio Grande do Sul e a ter textos meus adaptados para teatro e com atores e atrizes de proje\u00e7\u00e3o nacional.<em> <\/em>A\u00ed o meu nome come\u00e7a, realmente, a aparecer mais. E, com o trabalho crescendo, as filas tamb\u00e9m crescem. Os \u00faltimos anos foram impressionantes, a receptividade do p\u00fablico na feira \u00e9 comovente. Mas \u00e9 importante dizer que essas coisas n\u00e3o s\u00e3o de uma hora para outra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de uma carreira e que sempre teve na Feira do Livro o seu grande momento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que te motivou a come\u00e7ar a escrever?<\/strong><br>Eu sempre gostei de ler e de escrever. Escrever para mim n\u00e3o era um processo sofrido como para muita gente \u00e9, os meus textos sa\u00edam com muita naturalidade. Ent\u00e3o, eu, desde garota, escrevia di\u00e1rios, que eram uma forma de eu colocar para fora as minhas ideias, os meus sentimentos. Naquela \u00e9poca, era um di\u00e1logo comigo mesma por escrito, quase terap\u00eautico, pra me conhecer melhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois cresci, me tornei publicit\u00e1ria, que tamb\u00e9m trabalhava com a escrita. Como redatora a servi\u00e7o de um cliente, eu ainda n\u00e3o estava falando por mim, mas era o texto que vendia liquidificador, vendia a matr\u00edcula em cursinho, enfim, mas ali j\u00e1 come\u00e7o a ganhar dinheiro e a buscar minha independ\u00eancia pela escrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais adiante, aqueles textos l\u00e1 de tr\u00e1s, dos di\u00e1rios, come\u00e7am a se tornar poemas, e eu adentro a literatura. Mas, volto a dizer, n\u00e3o foi de caso pensado. Eu at\u00e9 tinha certa fascina\u00e7\u00e3o pelo mundo liter\u00e1rio; eu imaginava que devia ser realmente muito legal ser escritora, mas n\u00e3o conseguia colocar isso muito dentro da minha realidade. Eu tinha isso mais como uma fantasia. De repente, come\u00e7o a escrever poemas e ser editada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda nesse momento, eu penso assim: t\u00e1, tudo bem, eu sou uma publicit\u00e1ria que tem como hobby a poesia e estava me dando por muito feliz em ter essa atividade paralela. Mas depois come\u00e7o a escrever cr\u00f4nicas e a vir as colet\u00e2neas, e a\u00ed eu vejo que realmente uma carreira estava sendo constru\u00edda dentro da literatura. Mas o que me fez ir para a escrita \u00e9 uma necessidade de me organizar em palavras.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu acho que os sentimentos e os pensamentos da gente s\u00e3o muito fluidos, muito enroscados, muito misturados dentro da gente. \u00c0s vezes a gente n\u00e3o consegue se compreender ou se escutar com clareza. Ent\u00e3o, eu acho que escrever, para mim, foi uma maneira de organizar o meu eu interno e silencioso, dar a ele uma visibilidade.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Atualmente, o que te motiva a continuar escrevendo e produzindo literatura?<\/strong><br>Bom, agora eu vou em frente porque essa \u00e9 a profiss\u00e3o que eu tenho, estruturei minha vida em torno da literatura, a vida profissional agora est\u00e1 completamente vinculada \u00e0 literatura e me d\u00e1 muito prazer. N\u00e3o que tenha se tornado mais f\u00e1cil, isso \u00e9 uma coisa que eu sempre digo: escrever n\u00e3o est\u00e1 mais f\u00e1cil, ao contr\u00e1rio, t\u00e1 mais dif\u00edcil. Quanto mais responsabilidade, quanto mais p\u00fablico, quanto mais visibilidade, mais compromisso tenho no que eu fa\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando eu comecei, era tudo meio novo, eu n\u00e3o sabia onde aquilo ia dar, e era absolutamente espont\u00e2neo. Enfim, eu estava aprendendo tudo. Agora continuo aprendendo, porque esse processo de aprendizagem n\u00e3o termina nunca, mas tem junto tamb\u00e9m uma grande responsabilidade por saber que h\u00e1 um p\u00fablico bastante grande que te leva a s\u00e9rio, que compra teus livros. Isso se tornou e continua sendo cada vez mais um compromisso que eu tenho com o meu leitor e que exige o melhor de mim, que exige muita dedica\u00e7\u00e3o e muito tempo. Cada vez eu escrevo e reescrevo at\u00e9 ter um resultado que eu julgue satisfat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, enfim, \u00e9 essa a minha vida agora, e eu gosto muito porque ela tamb\u00e9m me d\u00e1 certa liberdade: eu n\u00e3o tenho de obedecer a hor\u00e1rios r\u00edgidos. Eu obede\u00e7o realmente a minha necessidade de escrever, que pode surgir a qualquer momento, em qualquer dia, em qualquer hor\u00e1rio. Isso tudo \u00e9 um estilo de vida que \u00e9 muito adequado ao jeito que eu sou.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como voc\u00ea comentou, este ano se completam 40 anos do lan\u00e7amento do seu primeiro livro, e neste per\u00edodo voc\u00ea j\u00e1 lan\u00e7ou diversos outros, se tornou colunista em O Globo e na Zero Hora, publicou mais de dois mil textos e teve obras adaptadas para teatro, cinema e TV. Como voc\u00ea observa e analisa a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria?<\/strong><br>Eu nunca fui de analisar muito o que eu estava fazendo. Eu simplesmente seguia o fluxo, trabalhava, sem ficar olhando muito para tr\u00e1s, simplesmente tocava a vida. Mas agora que cheguei aos 40 anos de profiss\u00e3o, e ainda vem junto esse convite de ser patrona da feira, esses fatores acabam me convidando a fazer um balan\u00e7o. Olhando para tr\u00e1s, eu s\u00f3 posso me julgar muito privilegiada porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser escritor ou escritora no Brasil. A gente sabe que tem um monte de gente muito, muito talentosa, e ainda assim n\u00e3o consegue se estruturar ou chegar ao p\u00fablico por &#8216;n&#8217; raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E eu n\u00e3o passei por nenhuma dificuldade, eu sempre produzi e tive onde publicar, o que \u00e9 muito importante, porque n\u00e3o adianta s\u00f3 escrever. Eu sempre tive essas oportunidades em editoras, nos jornais. Sempre consegui dar o meu recado para o leitor em g\u00eaneros diversos &#8211; cr\u00f4nica, poesia, fic\u00e7\u00e3o, relato de viagem. Consegui encontrar o meu modo de me comunicar e fui muito bem recebida. Acho, ent\u00e3o, que tive sorte tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu tenho um estilo muito natural, muito simples de escrever e encontrei resson\u00e2ncia do outro lado. O leitor acabou me recepcionando com muita boa vontade. Eu acho que eu sou realmente uma pessoa que foi aben\u00e7oada. Claro que tive muito trabalho, que eu investi meu tempo. Eu fa\u00e7o meu trabalho com muita seriedade, ent\u00e3o isso n\u00e3o \u00e9 uma sorte que vem do nada; tem muito empenho envolvido, mas tem sorte tamb\u00e9m. Talvez o tipo de texto que eu fa\u00e7o tenha chegado num momento oportuno&#8230;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, n\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmula, n\u00e3o tem muita explica\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que eu consegui o retorno que a maioria dos escritores desejam: ser lida. Esse \u00e9 o grande retorno de uma escritora. A gente faz esse trabalho n\u00e3o para deixar escondido, \u00e9 para que ele ganhe o mundo. Eu acho, assim, que, dentro da minha realidade, o mundo que eu ganhei \u00e9 mais que suficiente, e eu sou muito grata por tudo isso.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enquanto escritora, quais os planos para o futuro?<\/strong><br>Sempre, em primeiro lugar, cuidar da sa\u00fade. Eu quero cada vez mais continuar fazendo exerc\u00edcio f\u00edsico, cuidando da alimenta\u00e7\u00e3o, porque, sem estar com a sa\u00fade legal, a gente n\u00e3o trabalha, n\u00e3o se diverte, n\u00e3o viaja, n\u00e3o faz nada, n\u00e3o existe. A sa\u00fade, portanto, \u00e9 realmente sempre um primeiro plano. E, claro, quero continuar escrevendo, quero continuar aberta a experimenta\u00e7\u00f5es, a outros g\u00eaneros em que eu ainda n\u00e3o tenha feito nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, principalmente, manter o foco no que se refere a compromisso, responsabilidade: n\u00e3o porque a gente tenha chegado a um patamar em que se possa relaxar, ao contr\u00e1rio, acho que a gente tem de continuar se esfor\u00e7ando muito. Esse \u00e9 o verbo: se esfor\u00e7ar. Para fazer sempre o melhor, para sempre, de certa forma, conseguir se superar, para poder evoluir e para poder entregar o melhor trabalho poss\u00edvel. Mas tamb\u00e9m sem estresse. Continuar se divertindo com o que faz. Isso \u00e9 muito importante. Eu sempre me diverti com o meu trabalho e acho que, se eu conquistei alguma coisa, \u00e9 porque l\u00e1 no fundo do meu texto acho que aparece o prazer de estar escrevendo. O prazer de existir, inclusive. Ent\u00e3o, \u00e9 isso que eu quero: continuar tendo prazer de fazer o que eu fa\u00e7o, de me divertir com o que eu fa\u00e7o e de juntar seriedade e prazer no mesmo of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline animated fadeInDown slow is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/entrevistas\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da editoria <strong>Entrevistas<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div 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