{"id":12327,"date":"2020-10-15T15:00:00","date_gmt":"2020-10-15T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=12327"},"modified":"2020-10-16T16:01:17","modified_gmt":"2020-10-16T19:01:17","slug":"orquestras-de-universidades-federais-sao-espacos-para-formacao-de-instrumentistas-de-todo-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/orquestras-de-universidades-federais-sao-espacos-para-formacao-de-instrumentistas-de-todo-o-pais\/","title":{"rendered":"Orquestras de universidades federais s\u00e3o espa\u00e7os para forma\u00e7\u00e3o de instrumentistas de todo o pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cultura | Al\u00e9m de promover a m\u00fasica de concerto junto \u00e0 comunidade, conjuntos sinf\u00f4nicos tamb\u00e9m realizam pesquisa e executam nomes da m\u00fasica orquestral brasileira<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por Anna Ortega e B\u00e1rbara Lima <br>*Foto de capa: Arquivo OSN\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chovia no Rio de Janeiro na manh\u00e3 de um domingo do ano de 2006. O mau tempo preocupou a harpista solista da <a href=\"http:\/\/www.centrodeartes.uff.br\/osn\/\">Orquestra Sinf\u00f4nica Nacional<\/a> (OSN), Vanja Ferreira, que se preparava para tocar no que ela considera um dos mais marcantes concertos de sua trajet\u00f3ria na \u00fanica orquestra p\u00fablica profissional do pa\u00eds. \u201cSer\u00e1 que vai ter p\u00fablico?\u201d, ela se perguntava ao olhar para o c\u00e9u cinzento. Para sua surpresa e alegria, o p\u00fablico n\u00e3o s\u00f3 enfrentou a chuva para assistir \u00e0 orquestra, como estava l\u00e1 em peso. A sala estava lotada para assistir \u00e0 harpista e ao flautista Elder Teixeira tocarem o concerto de Mozart para flauta, harpa e orquestra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alegria s\u00f3 n\u00e3o foi maior que a de dez anos depois, em 2016, quando a dupla se reencontrou para tocar o cl\u00e1ssico compositor austr\u00edaco. Quando chegou a sexta-feira anterior aos tradicionais concertos de domingo de manh\u00e3 realizados pela OSN, a diretora administrativa \u00e0 \u00e9poca avisou que os ingressos haviam se esgotado, mas que instalariam um tel\u00e3o no teatro para que o p\u00fablico que n\u00e3o havia conseguido ingresso pudesse assistir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Orquestra Sinf\u00f4nica Nacional soma uma hist\u00f3ria que completa 60 anos em 2021. Al\u00e9m do v\u00ednculo pr\u00f3ximo com a comunidade, o incentivo \u00e0 m\u00fasica de concerto brasileira e o fomento ao of\u00edcio dos m\u00fasicos sempre foram seus principais pilares. Criada por um decreto assinado pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1961, inicialmente estava sediada na R\u00e1dio do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Somente na segunda metade dos anos 80, a orquestra passou a ser vinculada \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.uff.br\/\">Universidade Federal Fluminense<\/a> (UFF).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"M\u00e1rio Tavares: Abertura Folcl\u00f3rica | Orquestra Sinf\u00f4nica Nacional - UFF \/ Reg\u00eancia: Tobias Volkmann\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J9JscujQj9A?list=PLqJ7KuYTebFFb6kf-A0zkNPLPz5E3lG06\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Orquestra Sinf\u00f4nica Nacional<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Vanja, harpista na orquestra desde 2003, integrar a OSN \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o muito grande pela import\u00e2ncia que a orquestra tem para o Brasil. \u201cTive a oportunidade de fazer belos concertos com o grupo de c\u00e2mara. Tocamos obras importantes, como <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/17hR0sYHpx7VYTMRfFUOmY?autoplay=true\">I<em>ntrodu\u00e7\u00e3o e Allegro<\/em><\/a>, de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Maurice_Ravel\">Ravel<\/a>, <em><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/1Uff91EOsvd99rtAupatMP?autoplay=true\">As Dan\u00e7as Sacra e Profana<\/a><\/em>, de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Claude_Debussy\">Debussy<\/a>, o <em><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/01UzgUtDa2NqWuvUjrrl3p?autoplay=true\">Quinteto Instrumental<\/a>, <\/em>de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Heitor_Villa-Lobos\">Villa-Lobos<\/a> \u2013 obra grandiosa e important\u00edssima do repert\u00f3rio brasileiro.\u201d A instrumentista ressalta o enorme acervo produzido pela orquestra durante as seis d\u00e9cadas. \u201cS\u00e3o verdadeiros registros hist\u00f3ricos\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A OSN, para al\u00e9m dos concertos que realiza a partir dos programas mensais, possui in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es de m\u00fasica brasileira. Nos anos 2000, a orquestra fez uma s\u00e9rie de registros em \u00e1udio e v\u00eddeo, como o CD dedicado a novos compositores, o \u00e1lbum comemorativo pelos 90 anos do compositor Edino Krieger e o CD com <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/4ZZPTcDGu6kLyT8QEICyUg?autoplay=true\">sinfonias in\u00e9ditas<\/a> de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Francisco_Mignone\">Francisco Mignone<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alceo_Bocchino\">Alceo Bocchin<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O papel das universidades federais como mantenedoras de orquestras, portanto, movimenta a cena musical brasileira &#8211; quest\u00e3o essa j\u00e1 abordada em sua perspectiva local, em Porto Alegre, em reportagem publicada pelo JU em setembro. A tem\u00e1tica emergiu, assim, a partir da cria\u00e7\u00e3o da Orquestra do<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/institutodeartes\/\">&nbsp;Instituto de Artes<\/a>&nbsp;da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/inicial\">UFRGS<\/a>&nbsp;(OIA-UFRGS). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leia mais: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/orquestra-do-instituto-de-artes-da-folego-a-cena-cultural-de-porto-alegre\/\">Instituto de Artes da f\u00f4lego a cena cultural de Porto Alegre<\/a><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A rela\u00e7\u00e3o com a cultura brasileira e local<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine um teatro lotado em que certa confus\u00e3o ocorre na entrada porque muitos n\u00e3o conseguem assistir a um concerto. \u00c9 o que aconteceu com uma apresenta\u00e7\u00e3o da Orquestra Sinf\u00f4nica da UFPE. \u201cOs espectadores ficaram inconsol\u00e1veis, tivemos at\u00e9 que acionar a seguran\u00e7a. \u00c9 essa a relev\u00e2ncia que temos para a cidade\u201d, relembra S\u00e9rgio Dias. O regente refor\u00e7a a necessidade de se manterem os concertos gratuitos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA Orquestra Sinf\u00f4nica UFPE, assim como eu diria sobre qualquer outra do pa\u00eds, pertence \u00e0 comunidade. A comunidade tem o direito de usufruir de suas atividades. Parafraseando Milton Nascimento, &#8216;n\u00f3s temos que ir onde o p\u00fablico est\u00e1&#8217;. Temos que viajar com a orquestra, ir ao encontro de lugares n\u00e3o centrais\u201d<\/p><cite>S\u00e9rgio Dias <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E foi o que, de fato, o conjunto musical fez. Viajou pelo interior do estado de Pernambuco, juntando p\u00fablicos que chegavam a quinhentas pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das apresenta\u00e7\u00f5es que marcou a orquestra foi aquela em que tocaram a \u00f3pera <a href=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/cultura\/mais-de-cem-anos-depois-operaleonor-volta-ao-santa-isabel\/100302\/\">Leonor<\/a>, composta por <a href=\"http:\/\/www.abmusica.org.br\/academico\/euclides-fonseca\/\">Euclides Fonseca<\/a>, compositor pernambucano falecido em 1929. A obra s\u00f3 havia sido executada uma vez \u2013 e, mesmo assim, incompleta \u2013 em 1883. Ela se passa na ilha de Itamarac\u00e1 e trata da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Invas%C3%B5es_holandesas_no_Brasil\">invas\u00e3o holandesa no litoral nordestino<\/a>. \u201cQuando apresentamos esse concerto, os alunos estavam absolutamente orgulhosos daquela m\u00fasica t\u00e3o maravilhosa.\u201d Para o primeiro concerto p\u00f3s-pandemia, o grupo planeja tocar duas obras in\u00e9ditas do mesmo m\u00fasico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outra ocasi\u00e3o, a orquestra apresentou um repert\u00f3rio apenas de compositores pernambucanos da atualidade, incluindo um do pr\u00f3prio Departamento de M\u00fasica da universidade. \u201cA orquestra sempre mobilizou a comunidade externa. Pernambuco \u00e9 muito musical. Temos os maracatus, os cavalos-marinhos. Ao incentivar essas orquestras vamos, eventualmente, abrir mais espa\u00e7o para a difus\u00e3o da pr\u00f3pria m\u00fasica brasileira\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Orquestra Sinf\u00f4nica da UFRJ, fundada em 1924, a mais antiga da cidade do Rio de Janeiro, tem um espa\u00e7o pr\u00f3prio, o Sal\u00e3o Leopoldo Miguez. \u00c9 nele e em outros diversos locais que a temporada anual \u00e9 realizada, com uma m\u00e9dia de doze concertos e quarto recitais de \u00f3pera. As apresenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se limitam \u00e0 capital. \u201cHistoricamente sempre atuamos para al\u00e9m do ambiente universit\u00e1rio. Fazemos temporadas de concertos e \u00f3peras n\u00e3o s\u00f3 em outras salas de concertos do Rio de Janeiro, como no Teatro Municipal, na Sala Cec\u00edlia Meireles e na Cidade das Artes, mas tamb\u00e9m em outras cidades, como Niter\u00f3i, Petr\u00f3polis, Campos e mesmo Juiz de Fora, em Minas Gerais\u201d, ressalta o maestro Andr\u00e9 Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pesquisa e o ensino na forma\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos focos das institui\u00e7\u00f5es federais de ensino, e, portanto, de suas orquestras, \u00e9 a pesquisa. O resgate de compositores e compositoras nacionais e a forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o parte essencial do trabalho das orquestras da Universidade Federal do <a href=\"https:\/\/www.orquestra.ufrj.br\/\">Rio de Janeiro (UFRJ)<\/a> e da de <a href=\"https:\/\/www.ufpe.br\/musica\">Pernambuco (UFPE)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No repert\u00f3rio da UFRJ est\u00e3o as obras dos famosos compositores <a href=\"https:\/\/musicabrasilis.org.br\/compositores\/carlos-gomes\">Carlos Gomes<\/a>, <a href=\"https:\/\/musicabrasilis.org.br\/compositores\/leopoldo-miguez\">Leopoldo Miguez<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alberto_Nepomuceno\">Alberto Nepomuceno<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Henrique_Oswald\">Henrique Oswald<\/a>, Villa-Lobos e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Claudio_Santoro\">Claudio Santoro<\/a>. Mas h\u00e1, tamb\u00e9m, obras contempor\u00e2neas de mulheres como <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Marisa_Rezende\">Marisa Rezende<\/a>, pianista e compositora fluminense, <a href=\"https:\/\/musicabrasilis.org.br\/compositores\/roseane-yampolschi\">Roseane Yampolschi<\/a>, compositora e professora da Universidade Federal do Paran\u00e1,<a href=\"https:\/\/musicabrasilis.com\/composers\/cirlei-de-hollanda\"> Cirlei de Hollanda<\/a>, compositora, pianista e cantora de coro, e <a href=\"https:\/\/www.valeriabonafe.com\/\">Val\u00e9ria Bonaf\u00e9<\/a>, compositora e pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Orquestra Sinf\u00f4nica da UFRJ adota um modelo h\u00edbrido, em que h\u00e1 um n\u00facleo de 47 m\u00fasicos profissionais concursados que comp\u00f5e uma orquestra no formato de c\u00e2mara. A eles se juntam os alunos dos cursos de bacharelado em instrumento, da disciplina Pr\u00e1tica de Orquestra, obrigat\u00f3ria por oito per\u00edodos. \u00c9 quando a orquestra ganha o formato sinf\u00f4nico. Para os estudantes, segundo o regente Andr\u00e9, \u00e9 muito importante poder atuar ao lado de profissionais experientes. \u201cAl\u00e9m dos professores, os t\u00e9cnicos na orquestra orientam e auxiliam os alunos em sua forma\u00e7\u00e3o.\u201d Os alunos dos cursos de composi\u00e7\u00e3o e reg\u00eancia tamb\u00e9m s\u00e3o contemplados. Os estudantes podem compor suas pr\u00f3prias obras e submet\u00ea-las em concurso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a Orquestra da UFPE, relata o regente S\u00e9rgio, enfrentou altos e baixos desde a sua cria\u00e7\u00e3o em 2010 como orquestra de c\u00e2mara. Foi somente em 2017 que virou um conjunto sinf\u00f4nico com 70 integrantes, todos estudantes. S\u00e9rgio, que idealizou o projeto, inicialmente ligado \u00e0 Extens\u00e3o, conta que, devido ao sucesso, eram apresentados quatro concertos anuais. \u00c0 primeira vista pode parecer pouco, mas, como o professor regente garante, \u201cuma orquestra universit\u00e1ria \u00e9 diferente de uma profissional\u201d, e complementa: \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos poucos ensaios por semana. O andamento \u00e9 um pouco mais lento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cSem as orquestras universit\u00e1rias dificilmente vamos ter boas orquestras sinf\u00f4nicas profissionais no Brasil. \u00c9 um lugar de experi\u00eancia, \u00e9 um laborat\u00f3rio de repert\u00f3rio e de viv\u00eancia\u201d, reflete o regente\u201d<\/p><cite>S\u00e9rgio Dias<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a institucionaliza\u00e7\u00e3o ocorrida em 2017, a orquestra contava com 70 bolsas concedidas a todos os integrantes. Esse quadro, no entanto, durou pouco. Com os cortes or\u00e7ament\u00e1rios, o n\u00famero de bolsas, considerado elevado em rela\u00e7\u00e3o a outros departamentos da universidade, foi reduzido. S\u00e9rgio, ent\u00e3o, achou por bem encerrar as atividades no in\u00edcio de 2019. \u201cN\u00e3o achei justo apenas alguns alunos terem direito ao benef\u00edcio. Ainda mais porque os valores eram baixos. Sinceramente, servia apenas para custear o gasto que os alunos tinham com transporte\u201d, lamenta. Qual n\u00e3o foi a surpresa do regente, entretanto, quando, na metade do ano passado, os estudantes pediram para retomar a orquestra de modo volunt\u00e1rio. No in\u00edcio deste 2020, antes da pandemia do novo coronav\u00edrus, eles chegaram a ensaiar quatro vezes. \u201cEstamos com 85 m\u00fasicos, trabalhando a todo vapor. Fiquei feliz pelos pr\u00f3prios estudantes reconhecerem a import\u00e2ncia disso!\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cAlguns entram dois, tr\u00eas anos antes de se formar, e a gente v\u00ea todo o processo de aprendizado deles. Alguns saem como solistas da orquestra, tocando partes mais complexas do repert\u00f3rio. \u00c9 um orgulho, uma felicidade\u201d<\/p><cite>S\u00e9rgio Dias <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O regente explica que, na academia, n\u00e3o se pode simplesmente programar obras que gostaria de dirigir. \u00c9 preciso perguntar e observar o que os m\u00fasicos podem tocar, porque eles est\u00e3o aprendendo, e algo escolhido sem levar em conta essa condi\u00e7\u00e3o pode desestimul\u00e1-los. \u201cCada aluno est\u00e1 em um momento de sua forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 um desafio. Mas em Pernambuco eles pedem muito obras de compositores nordestinos. A divulga\u00e7\u00e3o de compositores locais, sejam eles do passado ou do presente, \u00e9 importante.\u201d Ele conta que os alunos acabam saindo da orquestra da universidade e indo para as diversas orquestras do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00f3s irradiamos m\u00fasicos para todos os lugares desse Brasil. E alguns at\u00e9 para o exterior. A universidade serve, inclusive, para produzir e renovar o repert\u00f3rio brasileiro de m\u00fasica orquestral\u201d<\/p><cite>S\u00e9rgio Dias<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma hist\u00f3ria em constante renova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interesse em entender a trajet\u00f3ria da Orquestra Sinf\u00f4nica Nacional levou o m\u00fasico Raul d&#8217;Oliveira a escrever uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado inteiramente dedicada \u00e0 hist\u00f3ria e ao acervo da orquestra vinculada \u00e0 UFF. Raul \u00e9 hoje l\u00edder do Naipe de Contrabaixos, atuando como m\u00fasico da conjunto desde 2005. Ele conta que decidiu realizar essa pesquisa para entender melhor o repert\u00f3rio que j\u00e1 havia sido tocado, os m\u00fasicos que j\u00e1 haviam passado por ali, para, assim, compreender como realizar um trabalho de autogest\u00e3o, uma vez que desde 2009 a OSN decidiu mudar o formato tradicional em que um \u00fanico regente atua por um longo per\u00edodo. No lugar, criou uma comiss\u00e3o art\u00edstica composta por tr\u00eas m\u00fasicos eleitos pelo pr\u00f3prio corpo musical e trocada a cada dois anos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia surgiu para descentralizar a figura do maestro e para proporcionar um processo mais colaborativo, em que o repert\u00f3rio esteja em constante processo de renova\u00e7\u00e3o e revisita. Entre os movimentos centrais dessa iniciativa, est\u00e1 sempre o olhar para o que \u00e9 criado e produzido em territ\u00f3rio nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O formato descentralizado permitiu, de acordo com Jefferson Souza, um dos m\u00fasicos integrantes da atual comiss\u00e3o, que a orquestra pudesse pensar o que gostaria de levar ao p\u00fablico. \u201cA gest\u00e3o art\u00edstica da orquestra ser feita pelos pr\u00f3prios m\u00fasicos atuantes possibilitou que a programa\u00e7\u00e3o fosse o reflexo do que a orquestra quer tocar, no que a orquestra acredita\u201d, aponta. Atualmente, o grupo tem investido na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados para o ambiente virtual, mantendo as decis\u00f5es colaborativas e as preocupa\u00e7\u00f5es sobre a nacionalidade e diversidade do repert\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA gente tem produzido v\u00eddeos musicais e conte\u00fados sobre a OSN. Estamos aproveitando para fazer a orquestra chegar a outros p\u00fablicos tamb\u00e9m. J\u00e1 fizemos programa culin\u00e1rio, programa de entrevista, simp\u00f3sio de m\u00fasica. Tudo de forma remota\u201d, conta Jefferson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A orquestra pretende ir al\u00e9m da difus\u00e3o do que \u00e9 can\u00f4nico e dialogar com o contempor\u00e2neo. Antes da pandemia, pelo menos uma vez ao ano a OSN realizava o chamado Panorama da M\u00fasica Brasileira, em que um concerto inteiro era feito com m\u00fasicas atuais, sendo algumas in\u00e9ditas. Para Raul, uma das grandes fun\u00e7\u00f5es da orquestra \u00e9 justamente abrir espa\u00e7o para os novos compositores e m\u00fasicos. Por essa raz\u00e3o, ressalta, o fomento das orquestras profissionais e universit\u00e1rias deve andar lado a lado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de estar vinculada \u00e0 UFF, a OSN n\u00e3o \u00e9 uma orquestra universit\u00e1ria, isto \u00e9, criada dentro do ambiente da universidade federal. Ainda assim, grupos profissionais e estudantis mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cDe certa forma, as orquestras universit\u00e1rias e jovens se ligam \u00e0s profissionais. A gente precisa ter o mercado de orquestras profissionais para que os m\u00fasicos tenham onde exercer seu of\u00edcio. E as orquestras profissionais precisam das universit\u00e1rias para formar seus m\u00fasicos para que eles cheguem aptos a realizar qualquer repert\u00f3rio. \u00c9 uma via de m\u00e3o dupla\u201d<\/p><cite>Raul d&#8217;Oliveira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tijolo por tijolo<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando saiu do Rio de Janeiro para lecionar na <a href=\"https:\/\/www.ufpi.br\/\">Universidade Federal do Piau\u00ed<\/a> (UFPI), o regente Samuel Mendon\u00e7a n\u00e3o imaginava que teria de ajudar a fomentar a cultura de concerto em Teresina. Segundo o professor, a m\u00fasica orquestral n\u00e3o tem apelo junto ao p\u00fablico piauiense e, pensando nisso, foi que ele consolidou a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MIfvkZ8sGio\">Orquestra Jazz Sinf\u00f4nica da UFPI<\/a> com o prop\u00f3sito de atrair a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 cultura de concerto, como tem em Belo Horizonte, por exemplo. Num teatro de quinhentos lugares, n\u00e3o soma nem vinte espectadores aqui. Tenho que correr atr\u00e1s. Pedi \u00e0 arquidiocese daqui para que os padres segurassem o p\u00fablico depois das missas para a orquestra se apresentar. Foi muito bom, tocamos em todas as grandes igrejas de Teresina!\u201d<\/p><cite>Samuel Mendon\u00e7a<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo, que surgiu em 2013, conta com quarenta integrantes, entre alunos do curso de m\u00fasica, servidores e pessoas da comunidade externa. Conforme Samuel, h\u00e1 muita pr\u00e1tica de improviso e de arranjos. \u201cEu mesmo fa\u00e7o arranjos e tenho um arranjador que escreve muito bem, que \u00e9 o Everton Salazar. Temos tamb\u00e9m um compositor chamado Beethoven Cunha, piauiense, que faz muita coisa para jazz sinf\u00f4nica\u201d, explica. Outra&nbsp; iniciativa que tem dado certo s\u00e3o os concertos de Natal, realizados nos shoppings de Teresina. \u201cNesse caso, tocamos compositores americanos, mas, no geral, priorizamos os brasileiros. Tocamos muito samba e muito choro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Samuel, a resposta do p\u00fablico \u00e9 muito rica. \u201cQuando levamos um concerto did\u00e1tico para as pessoas, passamos filmes populares e vemos que elas os conhecem, mas n\u00e3o conhecem os instrumentos que formam as trilhas. Tem gente que nunca viu um violino, por exemplo. Levar essa experi\u00eancia \u00e9 muito gratificante\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link\"><strong>Quer ouvir uma orquestra sinf\u00f4nica sem sair de casa?<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Orquestra Sinf\u00f4nica Nacional da Uff\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/artist\/3cIc55I21Jp2U4nOw6SXfV?si=djO9H6cKQUiKI8BDfmM9Jw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Orquestra Sinf\u00f4nica da UFRJ\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/artist\/0US2RNVQqE6Lkd9WS8Brls?si=XCeFa6xdTiqmJCtIx3Qu0A&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultura | Al\u00e9m de promover a m\u00fasica de concerto junto \u00e0 comunidade, conjuntos sinf\u00f4nicos tamb\u00e9m realizam pesquisa e executam nomes da m\u00fasica orquestral brasileira *Por Anna Ortega e B\u00e1rbara Lima *Foto de capa: Arquivo OSN\/Divulga\u00e7\u00e3o Chovia no Rio de Janeiro na manh\u00e3 de um domingo do ano de 2006. 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