{"id":128853,"date":"2026-09-10T07:51:00","date_gmt":"2026-09-10T10:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/?p=128853"},"modified":"2026-09-10T08:36:46","modified_gmt":"2026-09-10T11:36:46","slug":"titulo-de-notorio-saber-reconhece-mestres-e-mestras-em-conhecimentos-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/titulo-de-notorio-saber-reconhece-mestres-e-mestras-em-conhecimentos-tradicionais\/","title":{"rendered":"T\u00edtulo de Not\u00f3rio Saber reconhece mestres e mestras em conhecimentos tradicionais"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Valida\u00e7\u00e3o | Esse reconhecimento impulsiona o debate sobre diversidade epistemol\u00f3gica no ensino brasileiro. Na UFRGS, Mestre Churrasco receber\u00e1 a honraria dia 11 de setembro<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:10px\">*Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi na beira do Cais do Porto, no Centro Hist\u00f3rico de Porto Alegre, que Jean Batista Cleber Teixeira dos Santos, conhecido por Mestre Churrasco, conheceu a capoeira pela primeira vez. Nascido em 1956, Churrasco \u00e9 um dos mais antigos mestres de capoeira do pa\u00eds. O frequentador de bibliotecas e leitor de livros sobre a hist\u00f3ria da arte marcial e do folclore brasileiro, cultiva desde muito cedo uma trajet\u00f3ria com a capoeira. Ainda crian\u00e7a, Churrasco trabalhava como engraxate na capital, e foi durante essa rotina o contato com a arte marcial. &#8220;Ali, na beira do Porto, descarregava aqueles navios. Um pessoal fazendo uns movimentos: eu olhei e me encantei por aqueles movimentos acrob\u00e1ticos, sem saber que era capoeira&#8221;, conta Churrasco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Churrasco come\u00e7ou a praticar com o Mestre Cal, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, a capoeira ainda era muito marginalizada e pouco reconhecida como arte pela sociedade. O cen\u00e1rio era resultado de um longo processo de repress\u00e3o vivido muitos anos antes. No final do s\u00e9culo XIX, a pr\u00e1tica era associada \u00e0 criminalidade e considerada perigosa pelas autoridades brasileiras. Em 1890, dois anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, a capoeiragem foi criminalizada pelo <a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/decret\/1824-1899\/decreto-847-11-outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html#:~:text=Promulga%20o%20Codigo%20Penal.&amp;text=Art.,que%20n%C3%A3o%20estejam%20previamente%20estabelecidas.\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/decret\/1824-1899\/decreto-847-11-outubro-1890-503086-publicacaooriginal-1-pe.html#:~:text=Promulga%20o%20Codigo%20Penal.&amp;text=Art.,que%20n%C3%A3o%20estejam%20previamente%20estabelecidas.\">Decreto n.\u00ba 847 do C\u00f3digo Penal da Rep\u00fablica<\/a>, que previa, em seu Cap\u00edtulo XIII, &#8220;dos vadios e capoeiras&#8221;, pris\u00e3o para quem praticasse a atividade nas ruas e pra\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos depois, em 1937, a pr\u00e1tica foi legalizada, mas ainda vivia um contexto de estigma no pa\u00eds. Estigma esse que mestres como o Churrasco enfrentaram para trilhar a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e evoluir os seus conhecimentos;&nbsp;justamente os tipos de conhecimentos que o Not\u00f3rio Saber reconhece hoje.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Not\u00f3rio Saber<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1988, quando a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a> foi reformada, o Brasil iniciou a utiliza\u00e7\u00e3o de ideias do multiculturalismo na sua legisla\u00e7\u00e3o. No art. 3.\u00ba, um dos objetivos \u00e9 promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra\u00e7a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o. Esse discurso tamb\u00e9m pode ser observado na educa\u00e7\u00e3o, na Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9394.htm\">LDB<\/a>) de 1996 que, em seu terceiro artigo, aborda o respeito \u00e0 liberdade e o apre\u00e7o \u00e0 toler\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com esse contexto de multiculturas, a obrigatoriedade de contar a hist\u00f3ria de grupos \u00e9tnicos marginalizados ao longo da trajet\u00f3ria do pa\u00eds nos ensinos fundamental e m\u00e9dio ocorreu somente na virada do mil\u00eanio. At\u00e9 o in\u00edcio de 2003, o ensino de Hist\u00f3ria da \u00c1frica e da Cultura Afro-brasileira n\u00e3o era previsto nas bases da educa\u00e7\u00e3o nacional. A mudan\u00e7a ocorreu com a cria\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.639.htm\">Lei n.\u00b0 10.639<\/a>. Um pouco mais tarde, em 2008, a cultura ind\u00edgena tamb\u00e9m foi inclu\u00edda como essencial no curr\u00edculo escolar b\u00e1sico, com a cria\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\">Lei n.\u00b0 11.645<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a implementa\u00e7\u00e3o dessas leis, a centralidade das narrativas euroc\u00eantricas come\u00e7ou a ser tensionada, gerando outros debates que levaram ao Reconhecimento de Saberes Populares. Afinal, n\u00e3o bastava incluir a hist\u00f3ria e a cultura dos povos tradicionais nos curr\u00edculos escolares: era preciso reconhecer aqueles que detinham e transmitiam esses conhecimentos e inseri-los nos ambientes acad\u00eamicos tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2005 e 2006, as discuss\u00f5es sobre a reivindica\u00e7\u00e3o pelo reconhecimento de mestres e mestras como docentes do ensino formal come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a durante os Semin\u00e1rios de Pol\u00edticas P\u00fablicas para as Culturas Populares, organizados pelo Minist\u00e9rio da Cultura. \u00c9 nesse contexto que surge a demanda pelo reconhecimento do <a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/revistadaufmg\/article\/view\/29103\/29332\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/revistadaufmg\/article\/view\/29103\/29332\">Not\u00f3rio Saber em Saberes Tradicionais para os mestres e mestras<\/a>. A partir dessas reivindica\u00e7\u00f5es, o Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia de Inclus\u00e3o no Ensino Superior e na Pesquisa (INCT de Inclus\u00e3o) formulou, em 2010, com apoio do Minist\u00e9rio da Cultura, o projeto Encontro de Saberes. A iniciativa buscava aproximar os conhecimentos produzidos dentro das universidades dos constru\u00eddos e transmitidos por detentores dos saberes de diferentes tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"129971\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129971\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9889-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"129972\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129972\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9893-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"129973\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129973\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9901-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Em um domingo frio de setembro, Mestre Churrasco veio a Porto Alegre ministrar oficinas de capoeira no espa\u00e7o Fora da Asa &#8211; experi\u00eancias plurais. Pensando a partir de sua longa experi\u00eancia, Churrasco projeta a pr\u00e1tica muito al\u00e9m da luta, dan\u00e7a ou jogo (Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Universidades brasileiras e Not\u00f3rio Saber<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) implementou o projeto Encontro de Saberes em 2014 e, um ano depois, oficializou a cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.saberestradicionais.org\/\">Programa de Forma\u00e7\u00e3o Transversal em Saberes Tradicionais<\/a> com o objetivo de abrir a universidade para &#8220;experi\u00eancias de ensino e pesquisa pluriepist\u00eamicas \u00e0s alunas e aos alunos de todas as gradua\u00e7\u00f5es e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es da UFMG\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dez anos depois, em 2024, o Conselho Universit\u00e1rio da UFMG revogou a Resolu\u00e7\u00e3o Complementar n.\u00ba 01\/2020 e aprovou a <a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/prpg\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/05rescomp2024-DoutorporNoto%CC%81rioSaber.pdf\">Resolu\u00e7\u00e3o Complementar n.\u00ba 05\/2024<\/a>, que passou a regulamentar especificamente a concess\u00e3o do t\u00edtulo de Doutor por Not\u00f3rio Saber para pessoas guardi\u00e3s de saberes tradicionais. A resolu\u00e7\u00e3o de 2020 j\u00e1 previa o reconhecimento de saberes ind\u00edgenas, afro-brasileiros, quilombolas, das culturas populares e de outras tradi\u00e7\u00f5es. O novo documento aprimorou a regulamenta\u00e7\u00e3o desse reconhecimento, voltando-se especificamente para os guardi\u00f5es desses saberes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Isabela Almeida, pr\u00f3-reitora de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFMG, destaca o valor do aprimoramento dessa Resolu\u00e7\u00e3o para a experi\u00eancia universit\u00e1ria e para o reconhecimento desses saberes como forma de serem mantidos ao longo das gera\u00e7\u00f5es. \u201cEu diria que \u00e9 o respeito por esse conhecimento. O respeito no sentido de pensar sobre a sua import\u00e2ncia para o pa\u00eds e como ele retroalimenta e enriquece a viv\u00eancia universit\u00e1ria. S\u00e3o os saberes tradicionais, e se n\u00f3s n\u00e3o os reconhecermos, acabam. Simplesmente isso: acabam\u201d. Al\u00e9m disso, Isabela destaca a import\u00e2ncia da universidade em reconhecer que seu conhecimento n\u00e3o \u00e9 suficiente para abarcar todos os outros existentes na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00e3o pessoas que lutaram para manter aquele espa\u00e7o, manter aquele conhecimento. E um conhecimento que, na d\u00e9cada de 1920 e 1930, essas pessoas eram perseguidas e presas. Ent\u00e3o, elas lutam pela manuten\u00e7\u00e3o daquele conhecimento e educam novas pessoas, trazem novas pessoas para dar continuidade a ele&#8221;<\/p>\n<cite>Isabela Almeida<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na atualidade, para receber o t\u00edtulo de Not\u00f3rio Saber na UFMG, mestres e mestras guardi\u00f5es dos saberes tradicionais precisam seguir alguns passos. Normalmente, a iniciativa parte de um docente, de uma pessoa ou de um grupo vinculado a um dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, propondo que um mestre ou uma mestra seja reconhecido(a). A partir disso, \u00e9 elaborado um memorial sobre a trajet\u00f3ria do indicado a receber o t\u00edtulo, que passa por avalia\u00e7\u00e3o das comiss\u00f5es respons\u00e1veis. Para se candidatar, \u00e9 necess\u00e1rio comprovar, pelo menos, 20 anos de atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do saber relacionada ao t\u00edtulo. Outro passo \u00e9 a universidade checar se existe um saber tradicional acumulado e, por fim, observar se o conhecimento produz transforma\u00e7\u00f5es na sociedade a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora explica que o t\u00edtulo concedido pela UFMG permite que os mestres e as mestras participem de semin\u00e1rios dos Saberes Tradicionais, entretanto eles n\u00e3o possuem v\u00ednculo de docentes na Universidade. &#8220;Essa iniciativa \u00e9 para que essas pessoas, que a voz delas, fa\u00e7am parte da nossa Universidade&#8221;, afirma. Isabela acredita que essa concess\u00e3o contribui para que o ambiente acad\u00eamico seja melhor e, de fato, se torne &#8220;uma universidade que respeita e que se insere na sociedade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>O exemplo ensina<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) iniciou o seu processo de t\u00edtulo de Doutorado por Not\u00f3rio Saber em saberes tradicionais em 2022, depois de aprimorar sua resolu\u00e7\u00e3o de 1998, que exigia perfis mais pr\u00f3ximos do modelo tradicional de docente universit\u00e1rio. Proposta com a colabora\u00e7\u00e3o das professoras do Departamento de M\u00fasica do Instituto de Artes da UFRGS, Mar\u00edlia Stein e Luciana Strass, a <a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/235420\">Resolu\u00e7\u00e3o n.\u00ba11\/2022<\/a> incluiu mestres e mestras de saberes tradicionais e populares para a concess\u00e3o do reconhecimento por Doutor em Not\u00f3rio Saber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As discuss\u00f5es sobre uma poss\u00edvel altera\u00e7\u00e3o na Resolu\u00e7\u00e3o foram fortalecidas a partir do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/a-presenca-de-saberes-e-conhecimentos-populares-e-tradicionais-tem-potencial-para-transformar-a-universidade\/\">Encontro de Saberes<\/a>, eletiva oferecida pela UFRGS desde 2016 que visa inserir conhecimentos de comunidades negras, ind\u00edgenas, quilombolas e outros grupos historicamente pouco representados no espa\u00e7o acad\u00eamico. Para isso, mestres e mestras desses saberes s\u00e3o convidados a participar da disciplina para compartilhar com os estudantes seus conhecimentos e experi\u00eancias. Foi nesse contexto que o Mestre Churrasco participou da disciplina em 2018, durante dois encontros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Mar\u00edlia relata que a colabora\u00e7\u00e3o do Mestre Churrasco e de outros mestres \u00e9 importante para a transdisciplinaridade, uma vez que a Universidade se acomoda em formas restritas de pensar o conhecimento. Al\u00e9m disso, ela acredita que as trocas com os estudantes causam &#8220;transforma\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es profundas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ent\u00e3o essa inclus\u00e3o foi toda uma movimenta\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios representantes desses coletivos de dentro e fora da UFRGS, dessas lutas, dos movimentos sociais, para estarem mais representados na Universidade, e pelo Encontro de Saberes, esse espa\u00e7o tamb\u00e9m de reflex\u00e3o sobre essa inclus\u00e3o epist\u00eamica&#8221;<\/p>\n<cite>Mar\u00edlia Stein<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a UFMG publicou a nova Resolu\u00e7\u00e3o sobre a titula\u00e7\u00e3o, os caminhos ga\u00fachos mudaram. A professora Luciana conta como ficaram alegres com o passo dado pela universidade mineira, que serviu de inspira\u00e7\u00e3o e estudo para a federal do Rio Grande do Sul. &#8220;Tem gente que diz que a UFRGS \u00e9 meio irm\u00e3 da UFMG nesse sentido.&#8221; Foi a partir dessa troca que come\u00e7aram os processos legislativos do Departamento de M\u00fasica da UFRGS com o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (Cepe) da institui\u00e7\u00e3o. Durante o processo, Luciana rememora o apoio e as orienta\u00e7\u00f5es que tiveram do Cepe para chegar \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o. A professora destaca que, dentro do Conselho do Instituto de Artes, a proposta foi aprovada com unanimidade e os colaboradores perceberam a atua\u00e7\u00e3o como &#8220;uma inova\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo processo de reconhecimento para Not\u00f3rio Saber na UFRGS avalia pontos para al\u00e9m de uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica baseada no modelo tradicional de diploma\u00e7\u00e3o, seguindo um mais pr\u00f3ximo ao da universidade mineira. \u00c9 exig\u00edvel que o candidato possua uma trajet\u00f3ria de 20 anos de atua\u00e7\u00e3o naquele saber, seja reconhecido pela comunidade, tenha a amplitude dos conhecimentos e experi\u00eancia na transmiss\u00e3o desses saberes para outras pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas caracter\u00edsticas tamb\u00e9m s\u00e3o apresentadas em um Memorial, documento feito para a avalia\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria. A professora Mar\u00edlia coordenou o grupo respons\u00e1vel pela avalia\u00e7\u00e3o do Memorial do primeiro Doutor por Not\u00f3rio Saber da UFRGS, o Mestre Churrasco. O grupo planejou desde a metodologia at\u00e9 a estrutura do parecer. &#8220;Quer\u00edamos que fosse valioso, que se fizesse merecer tudo o que havia naquele Memorial. Um bel\u00edssimo Memorial&#8221;, conta ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reconhecimento n\u00e3o garante aos mestres v\u00ednculo empregat\u00edcio com a Universidade. Atualmente, os participantes do Encontro de Saberes s\u00e3o remunerados por meio de processos de inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o com a Pr\u00f3-reitoria de Planejamento e Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS (Proplan). As professoras comentam que uma das possibilidades pensadas para o futuro seria a abertura de editais para a atua\u00e7\u00e3o dos mestres como professores visitantes na Universidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-3 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"129975\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129975\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9935-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"129977\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129977\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9977-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" data-id=\"129976\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129976\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9936-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\">Fotos: Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mestre Churrasco e a UFRGS<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1980, esteve em viagem ao Rio de Janeiro e l\u00e1 teve contato com diferentes formas de express\u00f5es art\u00edsticas que contribu\u00edram para ampliar as suas. Nesse per\u00edodo, a pesquisa sobre a hist\u00f3ria da capoeira passa a fazer parte do seu repert\u00f3rio. Churrasco estudou documentos hist\u00f3ricos relacionados \u00e0 capoeira e \u00e0 hist\u00f3ria negra e, em suas leituras, descobriu a import\u00e2ncia de Zumbi dos Palmares para o movimento negro. Quando retornou ao Rio Grande do Sul, criou o grupo de capoeira \u201cZumbi dos Palmares\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir disso, o mestre e seus amigos, que tamb\u00e9m eram capoeiristas, passaram a realizar rodas no Brique da Reden\u00e7\u00e3o de Porto Alegre. Na mesma \u00e9poca, Churrasco viajou para a Bahia, treinou com outros mestres e estudou sobre a influ\u00eancia das religi\u00f5es locais na cultura capoeirista do estado baiano. Depois, tornou-se diretor cultural da Federa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Capoeira e, mais tarde, recebeu o t\u00edtulo de &#8220;Amigo de Porto Alegre&#8221; pela dedica\u00e7\u00e3o ao ensino de capoeira aos jovens da capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, Mestre Churrasco participou da disciplina Encontro de Saberes e ministrou duas aulas. Ele conta que sempre quis estudar em uma universidade, mas n\u00e3o teve oportunidade de aprender de maneira tradicional. No entanto, p\u00f4de participar de uma forma epist\u00eamica do saber e levar a sua trajet\u00f3ria aos estudantes. Antes de chegar \u00e0 UFRGS, Churrasco relata que tinha d\u00favidas de como seria a sua rela\u00e7\u00e3o com os alunos, j\u00e1 que, para ele, estavam em um lugar de muitos conhecimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o resultado foi o oposto do imaginado: na verdade, muitos acad\u00eamicos n\u00e3o conheciam a hist\u00f3ria da capoeira e come\u00e7aram a entend\u00ea-la a partir daquele momento. Churrasco percebeu, ainda, que o interesse da universidade por esses saberes proporcionou uma importante troca entre ele e os alunos durante o Encontro de Saberes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do conhecimento hist\u00f3rico em capoeira, Churrasco levou a trajet\u00f3ria musical e ensinou aos estudantes, de modo te\u00f3rico e pr\u00e1tico, toques de berimbau e cantigas. O mestre sempre se interessou pela m\u00fasica na capoeira e desenvolveu conhecimentos nessa \u00e1rea. Ele conta que o berimbau \u00e9 associado \u00e0 roda da capoeira, n\u00e3o sendo visto como um instrumento \u00e0 parte como os outros e que, ent\u00e3o, decidiu \u201ctirar o berimbau da roda\u201d justamente para explor\u00e1-lo em outros contextos musicais. O mestre cria os seus pr\u00f3prios berimbaus, experimentando variados formatos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu me dedico muito \u00e0 \u00e1rea musical dentro da capoeira. Eu conheci muitos movimentos, mas uma coisa que eu me encanto \u00e9 a m\u00fasica&#8221;<\/p>\n<cite>Mestre Churrasco<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os conhecimentos constru\u00eddos ao longo de d\u00e9cadas foram destacados no Memorial apresentado para defender o reconhecimento do Mestre Churrasco como Doutor por Not\u00f3rio Saber em Saberes Tradicionais pela UFRGS. A professora Mar\u00edlia Stein destaca que os mestres titulados t\u00eam a polimatia em comum, o que significa que possuem conhecimentos diversos e saberes do mundo. Al\u00e9m disso, a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica dos mestres e \u00e9 denotada como um forte eixo para a constru\u00e7\u00e3o do Memorial. Algumas inst\u00e2ncias foram definidas para serem destacadas e avaliadas sobre Churrasco. &#8220;A quest\u00e3o dele como um construtor de instrumentos musicais e m\u00fasico, ele como educador, ele como um homem da capoeira, ele como um performer e ele como um representante do movimento negro&#8221;, diz Mar\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mestre Churrasco relata estar muito contente com o reconhecimento e destaca que as experi\u00eancias e os estudos foram essenciais para sua evolu\u00e7\u00e3o. Como o primeiro mestre a receber o t\u00edtulo pela UFRGS desde a publica\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o em 2022, Churrasco considera que esse momento n\u00e3o pertence s\u00f3 a ele, mas ao coletivo dos capoeiristas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isso \u00e9 uma conquista, uma conquista para n\u00f3s todos. Para toda a capoeira ga\u00facha&#8221;<\/p>\n<cite>Mestre Churrasco<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cerim\u00f4nia para oficializar o t\u00edtulo acontece no dia 11 de setembro, no Sal\u00e3o Nobre da UFRGS, \u00e0s 18 horas. A programa\u00e7\u00e3o contar\u00e1 com uma Roda de Capoeira e a entrega do T\u00edtulo ser\u00e1 feita pela reitora. Churrasco ser\u00e1 Doutor em M\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1500\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-129978\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995.jpg 1500w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995-175x117.jpg 175w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995-465x310.jpg 465w, https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/MestreChurrasco_NotorioSaber_FlavioDutra-9995-695x463.jpg 695w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fotos Fl\u00e1vio Dutra\/JU<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline animated fadeInDown slow is-style-outline--3\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-link-color has-custom-font-size wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/category\/reportagens\/\" style=\"border-radius:16px;color:#135e96;font-size:15px\">Veja mais conte\u00fados da editoria <strong>Reportagem<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valida\u00e7\u00e3o | Esse reconhecimento impulsiona o debate sobre diversidade epistemol\u00f3gica no ensino brasileiro. 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